Cairo - O islamita Mohamed Mursi tomou posse ontem como primeiro presidente democraticamente eleito do Egito prometendo fazer o Exército, que restringiu seus poderes dias atrás, “voltar a se dedicar” à proteção da pátria.
Mursi falou à nação na Universidade do Cairo, momentos após a cerimônia de posse oficial ante a Suprema Corte Constitucional, e não ante o Parlamento, como usual.
O legislativo foi dissolvido pela própria corte neste mês, numa evidência da intensa queda de braço em curso entre o novo governo e a junta militar que governa o Egito desde a queda de Hosni Mubarak, deposto por uma revolta popular em 2011.
“A junta militar cumpriu a sua promessa de que não será uma alternativa à vontade popular. Agora as instituições eleitas voltarão a desempenhar seus deveres e o Exército voltará a se dedicar ao trabalho de proteger a segurança da pátria”, disse ele.
Mursi discursou ante um plateia predominantemente masculina no qual se encontrava o chefe da junta militar, marechal Husein Tantaui.
No mesmo dia do segundo turno da eleição presidencial, neste mês, os generais emitiram decretos se apropriando de prerrogativas presidenciais, como o poder de declarar guerra e o orçamento militar. Os militares também acumularam os poderes do Legislativo com a dissolução do Parlamento dias antes.