Botucatu – Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Manuel e Região e das empresas Stadtbus e Sant’Anna, que operam o sistema de transporte coletivo urbano em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), se reúnem hoje, às 9h30, na sede do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Bauru, para discutir o reajuste salarial dos funcionários do setor. Se não houver acordo, a categoria poderá entrar em greve na próxima segunda-feira.
No último dia 6, uma paralisação relâmpago ocorrida no início da manhã deixou a população de Botucatu sem ônibus durante cerca de três horas. “O sindicato estava pedindo a inflação mais 12%”, conta o presidente do sindicato, Geraldo Naves. “Só que, como o salário do pessoal está muito defasado, eles (trabalhadores) não querem mais só isso, eles querem 30% de reajuste para que fique igual às outras empresas da região”.
As duas empresas, segundo Naves, estariam dispostas e conceder reajuste de apenas 4,88%, referente à inflação acumulada no período. O sindicalista revela que o salário dos motoristas em Botucatu é de cerca de R$ 900,00, além de tíquete alimentação de R$ 180,00. Já os cobradores recebem em média um salário mínimo. “As empresas alegam que a prefeitura não está reajustando a tarifa. Só que nós, sindicato e trabalhadores, não temos nada a ver se eles fizeram negócio errado com a prefeitura”, desabafa.
Se os trabalhadores e as empresas de ônibus não chegarem a um acordo, o presidente do sindicato explica que, amanhã, será publicado em jornal de grande circulação convocação chamando a categoria para assembleia na quinta-feira. Durante a reunião, eles vão decidir se aderem ou não à greve. “Eu quero sair da assembleia, voltar a me reunir com as empresas e, se as empresas mantiverem a decisão, na segunda-feira, às 6h, a população de Botucatu, pelo que o pessoal quer, não terá nenhum ônibus”, diz.
Desencontro
O secretário de Transporte de Botucatu, Vicente Ferraudo, espera que o impasse entre empresas e sindicato seja resolvido sem que seja necessária a paralisação do transporte coletivo na cidade. Ele conta que a assinatura do contrato com as duas empresas ocorreu em novembro de 2011. Em março deste ano, elas passaram a operar oficialmente.
Segundo Ferraudo, pelo contrato, somente a partir de novembro deste ano é que o reajuste da tarifa – que atualmente é de R$ 2,35 – poderá ser discutido. “Só que o dissídio deles (trabalhadores) é em maio”, diz. De acordo com ele, as várias impugnações durante o processo de licitação foram as responsáveis por esse desencontro de datas.
Ele ressalta que, ontem, durante reunião do secretariado, todos se mostraram sensibilizados quanto a uma possível paralisação. “A gente licitou, teve um contrato muito bem feito, com uma publicidade violenta”, afirma. “Nós vamos aguardar. Infelizmente, não podemos fazer nada. A população não pode ter esse prejuízo. A gente gostaria que eles não parassem”.