Política

Câmara discute culpa por crise no DAE

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A responsabilidade sobre a crise no Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi o ponto central das discussões de cunho eleitoral na sessão da Câmara Municipal de ontem. Tudo começou quando Fabiano Mariano (PDT) questionou a atribuição unicamente à gestão de Rodrigo Agostinho (PMDB), dos problemas no abastecimento de água, do fracasso no tratamento de esgoto, das dificuldades no setor de licitações e das trocas de presidentes da autarquia, alvos constantes da oposição ao governo municipal.

O vereador lembrou que um dos fatores que fez com que o então adversário do peemedebista, Caio Coube (PSDB), perdesse as eleições de 2008 foi a declaração de que poderia trazer a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para Bauru. “Se a privatização já era cogitada, significa que os problemas já existiam”, cutucou Mariano.

A réplica ficou por conta de Marcelo Borges (PSDB), que não disputa as eleições deste ano. O tucano garantiu que, em 2008, o DAE ainda era a ‘joia da Coroa’ da administração municipal. “Prova disso é que o então presidente [Clemente Rezende] foi escolhido para ser o vice da chapa”, lembrou.

Segundo Marcelo, Caio confirmara a possibilidade de que a Sabesp poderia assumir os serviços de água e esgoto na cidade porque em sua administração não haveria ‘tabus’ sobre esse tipo de assunto, desde que a proposta fosse positiva para a cidade.

O tucano aproveitou a situação para provocar e questionar o favoritismo de Agostinho nas eleições deste ano, lembrando que quando o tema da Sabesp entrou na pauta do debate político de 2008, setores consideravam que Caio Coube já estava com a disputa ganha.

 

Petista reage

Ausente das principais discussões da Câmara Municipal nas últimas semanas, José Carlos de Souza Batata (PT) entrou no debate, dizendo que enquanto estiver na Câmara Municipal vai lutar para que a Sabesp não venha para Bauru. “Ela traz malefícios, até mesmo pelos serviços prestados. Leva problemas a muitas cidades”, enfatizou.

Durante o discurso de Borges, o petista já havia se manifestado de maneira informal, questionando a versão de que a privatização do DAE não estava nos planos concretos do PSDB, em 2008. “Tinha até preço”, gritou no plenário.

Ontem, Marcelo Borges voltou a dizer que a Sabesp deveria assumir o tratamento de esgoto em Bauru. A candidata à prefeitura apoiada pelo tucano, Chiara Ranieri (DEM), diz que este não é seu posicionamento.

 

Mobilização de skatistas repercute na Câmara

A iniciativa de um grupo de skatistas divulgada na edição de ontem do Jornal da Cidade gerou comentários e críticas ao governo municipal na sessão legislativa desta segunda-feira. Sem retorno da prefeitura para a construção de uma pista, os praticantes da modalidade arrecadaram R$ 2 mil em uma festa junina para a reforma de um equipamento doado, que está sendo montado na praça Kasato Maru, no Terra Branca.

Gilberto dos Santos (PSDB), Marcelo Borges (PSDB) e José Roberto Segalla (DEM) atacaram a administração. “Com pouco dinheiro, seria possível garantir condições dignas para a prática de um esporte com tantos adeptos”, disse o último.

O demista lembrou ainda que só com o piso da pista de atletismo, com padrão internacional, que está sendo construída para os Jogos Abertos do Interior em Bauru, a prefeitura gastou R$ 4,5 milhões. “Isso porque ficamos em terceiro lugar nos Jogos Regionais, empatados com Jaú, que é um terço da nossa cidade”, ironizou.

José Carlos de Souza Batata reagiu, garantindo que já foi disponibilizado repasse do Ministério dos Esportes, no valor de R$ 695 mil, para viabilizar a construção da pista em uma praça na rua Araújo Leite. Segundo ele, hoje, às 10h, na prefeitura, uma reunião vai apresentar o projeto revisado, pois o inicial estava orçado em R$ 2 milhões.

“Espero que dessa reunião saia alguma coisa, pois várias outras já aconteceram e, até agora, a pista não vingou”, alfinetou Marcelo Borges.

 

Comunidade japonesa

O vereador Marcelo Borges criticou o fato de a pista que está sendo providenciada pelo grupo estar sendo construída em uma praça que recebeu, em 2008, o nome do navio [Kasato Maru] que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil, na ocasião do centenário do marco. “É um desrespeito”, avaliou.

O ex-vereador Futaro Sato também procurou o Jornal da Cidade para manifestar sua indignação e avisou que a comunidade nipônica deve se mobilizar caso providências não sejam tomadas. Ambos, porém, se declaram solidários à causa dos skatistas.

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