
Todos os dias, o setor de engenharia de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) destina equipes de agentes a diversos pontos de tráfego críticos da cidade. Para chegar a estes locais, a autarquia analisa pedidos da população e sugestões de situações vivenciadas por sua própria equipe no dia a dia.
A análise é diferente para cada situação. A colocação de semáforos tem seus critérios, assim como a mudança de mão dupla para mão única e preferencial. Depois do período de análise, é preciso seguir normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).
A engenheira de trânsito da Emdurb Michelle Romão Tamarozzi explica que, no caso da implantação de semáforos, a autarquia segue instruções do Manual de Semáforos do Denatran. “Ali são estabelecidos critérios que justificam a implantação do equipamento semafórico. Não é simplesmente ir até o local e colocar o semáforo”, explicou.
Dentre os diversos parâmetros de análise podemos destacar: volumes veiculares mínimos que trafegam em diversos horários pelo cruzamento crítico, interrupção de tráfego contínuo e ocorrência constante de acidentes.
“Com relação à contagem mínima de veículos, esta é feita pelos funcionários da Emdurb num período de 12 horas, geralmente das 7h às 19h. Neste estudo são selecionadas as oito horas de maior fluxo de veículos e efetuada uma média desses períodos de tempo onde, na via principal do cruzamento, o resultado deve ser maior de 600 veículos por hora. Na via secundária deste cruzamento o resultado deve ser de mais de 200 veículos por hora, quando as duas vias possuírem duas faixas de rolamento”, esclareceu a engenheira.
Inversão de preferencial
O que tem se tornado uma constante no trânsito de Bauru são as mudanças das ruas preferenciais. Com o aumento da frota, o surgimento de polos geradores de tráfego e o crescimento dos bairros, por exemplo, a via que recebia menor volume de veículo começa a ficar mais movimentada e o risco de acidentes também aumenta. Se ela possui uma sinalização “Pare” no meio de seu trajeto, o fluxo de veículos começa a ficar prejudicado.
É aí que entra em ação novamente a equipe de engenharia de trânsito da Emdurb. Também por meio de solicitações diversas e sugestões dos próprios funcionários do setor, o trecho é analisado e a via preferencial modificada, como aconteceu recentemente no cruzamento da rua Henrique Savi com a rua Abraão Rahal e a rua Alípio dos Santos, na Vila Universitária.
Exemplificando
Um exemplo clássico de pedido de semáforo feito pela população é o cruzamento da rua João Abo Arrage com a rua Araújo Leite, na Vila Universitária, em Bauru. A reclamação de moradores e frequentadores das proximidades do cruzamento, como a vendedora Débora Mandelli, 26 anos, - além da análise da Emdurb -, fez com que o trecho fosse incluído na programação de implantação de semáforos para este ano.
“Outro dia, eu cheguei a ver dois acidentes em cerca de 40 minutos. Acionei o Samu da primeira vez e na segunda vez chegaram a achar que eu estava passando trote. Acho que só tomarão providências quando acontecer algo grave”, contou a jovem. Uma análise feita pela Emdurb apontou que, realmente, o cruzamento precisa de um semáforo para que o trânsito flua melhor.
No dia em que a vendedora conversou com o JC, um Honda City e uma Mitsubishi Pajero se acidentaram no cruzamento em questão. Por sorte ninguém se feriu com gravidade, no entanto os automóveis ficaram com a frente totalmente destruída.
Mão dupla para mão única
No caso das mudanças de ruas que eram mão dupla e ficaram mão única, a situação é um pouco mais complicada, aponta o diretor de sistemas viários e transportes Ewerton Mussi Hunzicker.
Os mesmos agravantes: aumento do número de veículos, colisões, polos geradores de tráfego e o crescimento dos bairros fazem o tráfego não fluir mais como antigamente, quando a via foi construída. O que fazer para evitar os chamados pontos de conflitos existentes que apareceram nestas ruas?
“A primeira coisa que nós fazemos é, se a via tiver estacionamento, retirá-lo de um lado. Caso o fluxo ainda esteja prejudicado, proibimos o outro lado também, se ainda não for suficiente mudamos ela para sentido único de direção, sempre procurando fazer este sentido voltar, ou seja, se a rua anterior a esta descer, por exemplo, esta deverá subir. Analisamos também como a pessoa fará esse trajeto para não ter que realizar um retorno muito grande em alguns casos”, disse.
Para isso, um agente de transporte é designado a ir até o local e analisar qual o movimento tem maior fluxo: o que vai, ou o que volta. Ewerton ressalta que um cruzamento de ruas de mão dupla pode ter até 28 pontos de conflito. “Muitos vão querer seguir reto, virarem, fazer conversões. Se mudamos estas vias movimentadas para mão única, estes pontos diminuem para três”.
Em um dia normal, apenas uma hora de observação é suficiente para que o agente de transporte note o problema naquela via de mão dupla.
Exemplificando
Um exemplo clássico de pedido de semáforo feito pela população é o cruzamento da rua João Abo Arrage com a rua Araújo Leite, na Vila Universitária, em Bauru. A reclamação de moradores e frequentadores das proximidades do cruzamento, como a vendedora Débora Mandelli, 26 anos, - além da análise da Emdurb -, fez com que o trecho fosse incluído na programação de implantação de semáforos para este ano.
“Outro dia, eu cheguei a ver dois acidentes em cerca de 40 minutos. Acionei o Samu da primeira vez e na segunda vez chegaram a achar que eu estava passando trote. Acho que só tomarão providências quando acontecer algo grave”, contou a jovem. Uma análise feita pela Emdurb apontou que, realmente, o cruzamento precisa de um semáforo para que o trânsito flua melhor.
No dia em que a vendedora conversou com o JC, um Honda City e uma Mitsubishi Pajero se acidentaram no cruzamento em questão. Por sorte ninguém se feriu com gravidade, no entanto os automóveis ficaram com a frente totalmente destruída.
Moradores opinam sobre as mudanças
Nos últimos meses, as ruas e avenidas de Bauru sofreram diversas modificações por conta do aumento do fluxo de veículos. Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2011 a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) instalou 17 novos semáforos na cidade.
Só este ano, sete conjuntos semafóricos foram implantados e até o fim de 2012 eles devem somar 14. Em 2013, a empresa municipal já planeja instalar sete novos semáforos em cruzamentos críticos que estão passando por estudos da equipe de engenharia de trânsito. (Veja mapa)
A quantidade de ruas de mão dupla que viraram mão única em 2010 somaram 26. Em 2011 essas modificações foram apenas em oito ruas e, de janeiro a junho deste ano, a Emdurb já mudou o sentido de 11 ruas como estas.
No ano de 2010, apenas duas ruas tiveram inversão de preferencial e em 2011 nenhuma via sofreu esse tipo de modificação, segundo a empresa municipal. No primeiro semestre deste ano, 14 vias tiveram a preferencial invertida.
A voz do povo
De janeiro a junho deste ano, por exemplo, a Emdurb recebeu 35 solicitações de implantação de mão única. Todos os pedidos foram analisados e metade deles deferido. A média de pedidos que chegam à empresa mensalmente é, aproximadamente, cinco para cada motivo: semáforo, inversão de preferencial, e mão dupla.
Afinal, o que a população acha de todas essas modificações que aconteceram nos últimos anos? A reportagem do JC foi às ruas e percorreu seis trechos como estes para ouvir a “voz do povo”.
Dentre as diversas inversões de preferencial, incluindo as rotatórias da avenida Getúlio Vargas e Nações Unidas (na altura do Hospital Estadual), a reportagem encontrou dois condutores.
No cruzamento da rua Henrique Savi com a rua Doutor Alípio dos Santos, Donizete Romano, 44 anos, que mora próximo ao shopping, acha que o “Pare” na rua Doutor Alípio dos Santos melhorou a fluidez do trânsito na outra via. “Eu achei que melhorou muito, principalmente para quem desce a Henrique Savi e segue sentido avenida Nações Unidas”.
Mesmo com os alertas visíveis sobre a nova sinalização, os motoristas mostravam cautela no momento de passar pelo cruzamento em questão. Em nota, a Emdurb informou que a próxima inversão de preferencial ocorreu nesta última quarta-feira. A rua Gomes Berriel, localizada no Jardim Terra Branca, passou a ser preferencial em relação à rua México, que fica no mesmo bairro.
Pedido feito, pedido aceito
Há cerca de cinco anos, quando o empresário Tadeu Ticianelli, 56 anos, mudou-se para a quadra 5 da rua Charles Hugs, Jardim Europa, a rua ainda era mão dupla e o trânsito fluía normalmente.
No entanto, com a passagem de ônibus, o fluxo que vem naturalmente da avenida Nossa Senhora de Fátima começou a deixar a rua tumultuada. “Há cerca de seis meses eu comecei a reclamar na Emdurb porque o fluxo aumentou muito. Eles vieram aqui, fizeram o estudo e a rua ficou mão única nestes três quarteirões. Melhorou muito”, destacou.
Planos futuros
Duas vias que estão passando por estudos no setor de engenharia da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) são a alameda Flor do Amor e a alameda dos Goivos, ambas localizadas no Parque São Geraldo.
O problema, também já avistado pela equipe de engenharia, é que a alameda Flor do Amor é o corredor comercial do bairro. “Nós estamos estudando estas vias há algum tempo. Uma deveria entrar e a outra sair do bairro e assim melhoraria o fluxo, mas temos o problema dos comerciantes que ‘apostam’ no movimento da via”, aponta o diretor de sistemas viários e transportes Ewerton Mussi Hunzicker.
Na alameda Flor do Amor, a comerciante Elisabete Maria Fabris Messias, 63 anos, levou um susto ao saber, pela reportagem, da possível mudança. “A rua tem um fluxo intenso de veículos, mas será muito ruim para os comerciantes. As pessoas passam olhando as lojas dos dois lados da rua e isso é muito bom para nós”.
Como possui loja nas proximidades do cruzamento da alameda com a avenida Moussa Tobias, Elisabete sugere. “Deveriam colocar semáforos ali naquele cruzamento. Muitos acidentes acontecem”.
Paciente do Hospital Estadual de Bauru, ela aproveitou a conversa com o JC para opinar sobre a inversão de preferencial na rotatória existente na avenida Nações Unidas. “Eu achei muito ruim. A avenida Nações Unidas tem o maior fluxo de veículos. Se o semáforo para pedestres fecha, fica tudo parado”, criticou.
Como saber das modificações?
Toda vez que a equipe de engenharia de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) realiza alguma mudança na sinalização das ruas e avenidas, placas começam a ser colocadas nos locais com até 15 dias de antecedência.
A imprensa é avisada através de e-mail para divulgar o serviço em rádio, TV, jornais, entre outros veículos. O blog emdurb.blogspot.com também traz todo o informativo. Ainda com todos os avisos, a população teme por acidentes nesta transição. A dica do diretor de sistemas viários e transportes Ewerton Mussi Hunzicker é nunca seguir o mesmo trajeto.
“A pessoa que usa vários trajetos para chegar a um mesmo local consegue memorizar melhor as ruas. Quem é que já não chegou a um determinado lugar e pensou: ‘Como cheguei até aqui?’ de tão acostumada que a pessoa está a fazer o mesmo trajeto. Isso também ajuda na fluidez do trânsito, pegar caminhos mais alternativos”, sugere.
Para Ewerton, ainda há muitas mudanças a serem feitas no trânsito de Bauru, com o objetivo de melhorar o fluxo de veículos. “Apesar de todas as nossas mudanças, de novos semáforos, de ‘onda verde’ (momento em que os semáforos de uma mesma rua abrem passagem um após o outro), alguns problemas só são solucionados com obras viárias. Quando notamos essa necessidade, encaminhamos a sugestão à Seplan (Secretara de Planejamento), que discute a viabilidade com a Secretaria de Obras”, finalizou.
As sugestões de mudanças de sinalização nas ruas e avenidas podem ser feitas à Emdurb através do e-mail emdurb@emdurb.com.br e do site www.emdurb.com.br.