São Manuel - O sequestro de um médico de Botucatu tornou-se ainda mais traumático para ele quando, ao ser libertado pela polícia do cativeiro, ontem de madrugada, antes que o resgate fosse pago, descobriu que a sua esposa – com quem vivia há oito anos e tem uma filha de cinco – havia sido a mentora do crime. Num trabalho que envolveu policiais civis de Botucatu, Lins, Anhembi e São Manuel (69 quilômetros de Bauru), além da mulher, outras cinco pessoas envolvidas no sequestro foram presas em flagrante.
Segundo a polícia, o médico F.E.S.S. (apenas as iniciais serão divulgadas por questões de segurança), 41 anos, e sua esposa Deise Fernanda Bertolo, 29 anos, foram rendidos por um casal na noite da última quarta-feira, dia 25, em frente ao Pronto-Socorro (PS) de Anhembi. O profissional havia encerrado mais um dia de plantão na unidade e sua mulher foi lhe buscar de carro, como de costume.
Os sequestradores – que seriam Alessandra Thomazini, 35 anos, e Patrick Santos de Oliveira, 20 anos – colocaram um capuz na cabeça do médico e entraram no veículo, um Honda Fit de cor cinza, com placas de Botucatu. A vítima teve as mãos amarradas e foi trancada no porta-malas. Em seguida, ele foi levado para um cativeiro em São Manuel. Já a mulher dele teria sido abandonada na rodovia Marechal Rondon (SP-300).
Na quinta-feira, Deise, acompanhada de seu pai, procurou o pai do médico, A.S., de 79 anos, que mora em Promissão, para relatar que seu filho havia sido sequestrado e que os acusados estavam pedindo resgate no valor de R$ 100 mil para libertá-lo. Na ocasião, ela disse ao sogro que havia sido agredida durante ação dos sequestradores, inclusive mostrando a ele uma marca arroxeada no olho direito.
Assustados, os familiares de F.E.S.S. procuraram a delegacia de Promissão em busca de orientação, mas pediram para que a polícia não intervisse no caso por temer pela vida do médico. O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Lins foi comunicado sobre o sequestro e entrou em contato com a delegacia de polícia de São Manuel. Os policiais, então, foram até Botucatu, acompanhados de policiais do município, para conversar com a esposa da vítima.
Confissão
A polícia começou a desconfiar da versão apresentada por Deise quando, ao chegar em sua residência, percebeu que ela não apresentava a lesão no olho descrita pelo pai do médico. Inicialmente, a mulher contou a mesma história que havia contado ao sogro, ocultando a suposta agressão sofrida.
Ao verificar o aparelho celular dela, os policiais estranharam o fato de não encontrar registros de chamadas ou mensagens recebidas ou efetuadas. Questionada, Deise alegou que havia apagado por estar com medo. Levada à DIG de Botucatu, a mulher tentou convencer os policiais de que o sequestro havia sido forjado por ela e pelo marido.
Indagada sobre o paradeiro do médico, ela acabou confessando que ele havia sido realmente sequestrado e que arquitetou o plano porque precisava de dinheiro, já que estaria sendo ameaçada pelas irmãs Alessandra e Fabiana Thomazini, 33 anos. Depois de planejarem o sequestro, de acordo com ela, as três convidaram outras pessoas para executar o crime.