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Greve de caminhoneiros ainda não afeta mercados no Brasil


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São Paulo - Uma greve convocada por um dos principais sindicatos de caminhoneiros do Brasil ainda não afeta os carregamentos de soja, açúcar, café e suco de laranja, disseram exportadores, portos e autoridades rodoviárias ontem.


A greve, que começou na quarta-feira e se concentra em algumas poucas áreas do Sudeste, está muito distante da paralisação nacional de dez anos atrás, que parou o país e obrigou o governo a mobilizar o Exército para liberar piquetes em rodovias.


Desta vez, os principais bloqueios promovidos pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) ocorrem em Minas Gerais, e algumas rodovias importantes têm trechos intransitáveis, segundo a Polícia Rodoviária Federal no Estado. Minas é responsável por metade da produção brasileira de café, que está em plena época da safra.


Mas os terminais portuários estão suficientemente abastecidos para manterem os embarques durante semanas, segundo agentes do setor.


Nélio Botelho, presidente do MUBC, disse que os grevistas querem que o governo revogue uma regra que exige descanso mínimo de 11 horas diárias para os caminhoneiros, e que cria uma maior competição entre as transportadoras.


Botelho disse que há insuficientes áreas de descanso nas principais rodovias, o que inviabiliza o cumprimento da regra, e que a medida também reduzirá o rendimento dos caminhoneiros.


Em sua página do Facebook, a UMBC mostra fotos de rodovias mineiras paralisadas por caminhões, e apresenta o slogan “Sem nós o Brasil para!”.


O movimento também paralisou algumas estradas nos três Estados do Sul, mas nenhuma dessas rodovias é importante para o escoamento de produtos agrícolas.


Paranaguá (PR), Santos (SP) e Rio Grande (RS), principais portos exportadores de produtos agrícolas no Brasil, disseram que não há transtornos aos embarques, segundo a agência naval Williams. As chuvas em Paranaguá e Rio Grande, porém, estão afetando o ritmo dos embarques na sexta-feira, segundo agentes desses portos.

 

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