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Entrevista da Semana: Luiz Fernando Izar (FerOzzY CoheN)

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Malavolta Jr.

Semelhante a Ozzy Osbourne, ele tem

website próprio: www.ferozzy.com.br

Embora não faça shows como cover do ex-vocalista da famosa banda de heavy metal Black Sabbath, não é preciso perguntar o porquê do nome artístico de FerOzzY CoheN, seu rosto e seu estilo inconfundíveis são cartões de visita. Apaixonado por rock desde a infância, ele assumiu o estilo rock’n’roll para levar mensagens de paz através da música. Bastante politizado e preocupado com os problemas sociais, como todo bom roqueiro que se preze, um de seus lemas é ‘Paz no Lar, Paz em Todo Lugar’: “O que está realmente faltando em nossa sociedade é a paz nas famílias. Se o lar for coeso e bem orientado, a família não precisará recuperar nenhum de seus membros amanhã. E a falta dessa paz é o que vemos aumentar mais e mais. As pessoas precisam entender que a família é a base de tudo”, argumenta.  Em Bauru desde os 8 anos de idade, o roqueiro também é produtor rural. E a fazenda da família faz parte da história da região. “Dom Pedro II pernoitava na nossa propriedade quando vinha para a região do Tietê. Inclusive reportagens já foram feitas sobre o assunto, onde mostramos escrituras antigas, armas e algemas da época da escravidão.”, conta.


Lembranças de infância, o modo de pensar e de agir, além de planos futuros são descritos pelo entrevistado de hoje, abaixo.



Jornal da Cidade - Quando você assumiu o estilo rock’n’roll?


FerOzzY CoheN - Eu venho trabalhando com o rock’n’roll  desde a década de 1980. Minha primeira banda lançada foi a “Legendária Psiu”, algo marcante na minha vida. E esse estilo sempre esteve muito presente em mim, desde a época dos Beatles ou do blues do Steve Ray. Quanto ao Ozzy Osbourne, as pessoas dizem que eu sou parecido com ele desde criança, era só eu deixar o cabelo crescer e pronto. Mas eu sempre andei de preto.


JC - O que esse visual simboliza para você?


FerOzzY - O preto no rock não significa luto, mas sim um protesto contra a miséria a que o povo do mundo está sendo exposto e sofrendo com isso. Basta ver as crises que estão afetando a Europa, hoje. No Brasil, precisamos de uma política mais voltada para o povo. Qual é o exemplo que vem lá de cima? Como dar cultura para um povo faminto? Tem gente que vai à escola somente para comer a merenda e passa fome o resto do dia. É interessante para o governo que o povo seja analfabeto. Para ver um simples filme no cinema é preciso desembolsar cerca de R$ 20 por pessoa. Isso é muito para uma família que vive de salário mínimo. E boa parte vive disso.


JC - E já teve algum tipo de problema por sua caracterização?


FerOzzY - Essa é uma pergunta interessante (risos). Isso porque me traz boas recordações. Quando vou a supermercados da cidade, por exemplo, os senhores e as senhoras me olham de “rabo de olho”, mas quando conversam comigo até pedem licença para minha esposa para continuar o papo. Para mim é um prazer mostrar que o rock também faz parte. É bom contrariar o estigma de que os roqueiros não são bacanas ou coisas assim. Ser violento ou usar drogas não é ser rock’n’roll.


JC - E o que é ser rock’n’roll?


FerOzzY - Na verdade, é a pessoa lutar por dias melhores através de uma música que balança, alegra e traz a esperança para o povo. Hoje, por exemplo, minha mensagem é sobre política, principalmente para os jovens. É importante votar e analisar os candidatos antes de escolher a melhor opção. Isso é fundamental para começar a melhorar o País.


JC - Daí também vem o seu lema “Paz no Lar, Paz em Todo Lugar”?


FerOzzY - Sim, porque se houver paz no lar, haverá paz nos demais ambientes. O que está realmente faltando em nossa sociedade é a paz nas famílias. Se o lar for coeso e bem orientado, a sociedade não precisa recuperar nenhum membro, amanhã. E a falta dessa paz é o que vemos aumentar mais e mais. As pessoas precisam entender que a família é a base de tudo. Eu procuro transmitir esse lema através da música e do meu exemplo. Sempre fui do rock e sempre fui uma pessoa muito limpa e pautada na boa saúde. Nunca fumei, nem usei drogas ou fui alcoólatra, mas também nunca deixei de apreciar um bom cálice de vinho, hábito que faz bem à saúde. Dar exemplo aos mais jovens é fundamental. Esse é o foco do meu trabalho. Todo artista deve ter a responsabilidade de disseminar a honestidade.


JC - Como surgiu o seu nome artístico?


FerOzzY - No passado, eu gravei um CD romântico pela San Francisco, com o nome de Fernando Therra. Na época, meu nome iria ficar Fernando FerOzzy CoheN Therra. Muito grande. E como todos já me chamavam de Ozzy e de Fer, ficou Fer OzzY. E optamos por FerOzzy CoheN.


JC - E o que significa CoheN?


FerOzzY - O que todos deveriam ser. Tanto a mulher, quanto o homem. Significa sacerdote. E se você é cristão, tem a obrigação de ser um sacerdote de Deus. É esse o significado.


JC - De onde vem a inspiração para suas músicas?


FerOzzY - Vem, principalmente, de Deus. Jesus Cristo é a voz permanente dentro dos meus ouvidos.


JC - Então você é religioso?


FerOzzY - Tenho Deus como referência, embora não tenha uma religião pré-determinada. Eu tenho a Bíblia como referência para minhas atitudes diárias. Inclusive, meu ídolo é Jesus Cristo.


JC - Você também é produtor agrícola, certo?


FerOzzY - Sim. Eu faço parte de uma família de produtores agrícolas da região de Macatuba. Quando perdemos nosso querido pai, levantamos a poeira e demos a volta por cima. Graças a Deus somos uma família bem sucedida. Inclusive há uma história interessante sobre as terras da família. Dom Pedro II pernoitava na nossa propriedade quando vinha para a região do Tietê. Inclusive reportagens já foram feitas sobre o assunto, onde mostramos escrituras antigas, armas e algemas da época da escravidão...


JC - Infância e rock’n’roll.


FerOzzY - Quando penso nisso eu me lembro da era Beatles. Desde criança eu sou um adepto da mensagem de John Lennon e de outros artistas que trouxeram a paz sem a agressividade que hoje é encontrada em muitas músicas. Inclusive gosto muito da MPB brasileira, das boas coisas do Brasil. Mas eu não curto essa propaganda enganosa de alguns artistas. Drogas e álcool não levam a nada. O ser humano precisa cuidar da saúde. Todos os artistas que foram nessa onda acabaram se afundando. Outra coisa de que me lembro da infância é que eu não tinha caixas de som, eram caras, então eu mesmo fazia as minhas. E meu pai dizia que eu seria artista, embora ele não quisesse (risos).


JC - E por falar em saúde, você cita esportes como um hobby. O que pratica?


FerOzzY - Ah, sim. Eu tenho uma academia em casa e também curto muito a natação.Inclusive tenho uma passagem muito curiosa sobre o assunto. Certa vez, em Ubatuba, eu pulei de um navio para nadar até a praia. Fiz isso achando que estava perto da areia, mas estava muito longe, cerca de um quilômetro (risos). E fiz isso depois de ficar mais de dez anos sem nadar. A escuna parou, um cara pulou e eu fui também. Olhava para o navio e para a praia e nenhum deles parecia sair do lugar. Fechei os olhos e nadei, nadei, nadei até chegar na praia. Quando cheguei, eu não acreditava, ainda estava dando braçadas e jogando areia para o alto. As pessoas vieram me socorrer (risos). Outra coisa que faço em benefício da saúde é a dieta ortomolecular, inclusive envio para amigos o vasto material que tenho sobre o assunto.


JC - Você também tem um site para divulgação, certo?


FerOzzY –Sim, o site www.ferozzy.com.br, onde está uma parte do meu trabalho, inclusive o dia em que participei inesperadamente do show da Shirley King, filha de B.B. King. Ela me viu e me buscou para subir ao palco. Foi muito legal porque todo mundo começou a gritar o meu nome e pude cantar uma de minhas composições. Também sou colunista oficial do portal www.digitalnews.inf.br.


JC - Subir ao palco da cantora americana foi um grande momento?


FerOzzY - Esse foi um dos grandes momentos da minha vida, sim. Mas o grande momento mesmo, o mais especial, foi o meu nascimento. Eu nasci com quase seis quilos, e de parto normal. Eu e minha mãe corremos risco de morte, mas a fé dela foi tamanha que tudo deu certo. Eu fui batizado ainda no ventre. Entretanto, o grande momento profissional ainda está por vir.  


JC - Qual é a próxima ‘parada’?


FerOzzY - Temos uma turnê nacional e internacional para ser feita assim que ficar pronto o nosso trabalho que está sendo finalizado no estúdio. Trata-se de um CD com 14 faixas e de um DVD que será gravado no show. Terá até uma música que compus no dia em que John Lennon foi assassinado. A banda é formada pelos músicos Ney Ribeiro- que é o produtor, arranjador e instrumentista de teclas-, Anderson Campos, na guitarra solo e base, além do contrabaixista Munhoz e do Chris, na bateria e percussão. Ainda estamos fechando mas, provavelmente, a gravadora será japonesa.

 

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