Tribuna do Leitor

Aniversário de Bauru x Último leito na Terra Branca


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Bauru, que completa 116 anos, encontra-se radiante com seus festejos. São manifestações de todas as áreas, trazendo cumprimentos e homenagens e em tudo influenciando a vida do nosso povo e também da região. Todos se unem nas comemorações, participando de uma forma ou de outra do aniversário de uma cidade ainda tão jovem e vibrante quanto amadurecida e com vivência e responsabilidade de polo central do Estado de São Paulo.

Nossa cidade percorre os caminhos da história e traça sua própria identidade, para atender às necessidades de sobrevivência e de cidadania, aspiradas por todos e que a modernidade impõe e determina.

Assim caminha a querida Bauru e assim eu também caminho por ela... E nesta caminhada, distante desta alegria toda, medito sobre dois fatos marcantes que ocorreram neste primeiro semestre de 2012 e que traçaram novo perfil para a minha vida e de meus familiares, constatando que alegria e tristeza, euforia e melancolia, podem ser a cara e coroa da mesma moeda.

Primeiro fato: dia 7 de janeiro de 2012, no dia de seu aniversário de 89 anos, meu pai, o José Barduzzi, partiu desta vida. Ele que após aposentar-se, há 30 anos atrás, optou por residir em Bauru, já que aqui era o centro de atenção da família e então adquiriu uma bela residência nos Altos da Rio Branco... Que delícia de lugar!!! Novos amigos, conservando os antigos...

Descendente de italianos, estudioso, amava seu país, a sua cidade, a sua família e destacava-se por ser curioso, gentil e habilidoso. Era o primeiro a colocar a roupa de Papai Noel no Natal, a vestir uma fantasia no Carnaval, nos aniversários ou simplesmente para alegrar alguém da família, que estivesse triste ou doente.

Contador de "Causos", fez das palavras a mensagem do sorriso e do otimismo e até da realidade, quando brincava com a sua própria velhice, dizendo: "ó amada minha! demoraste tanto a chegar, porque hei de abandonar-te agora..." Poeta e declamador, nas tertúlias e serestas, nos saraus e festas, usando a língua portuguesa como um maestro e suas palavras tornaram-se instrumentos de Paz e Harmonia.

Dançávamos tangos e boleros e quando um bom amigo violeiro nos fazia serenata, ele cantava Altemar Dutra, Moacir Franco, Agepê e pérolas musicais italianas e da MPB.

Sempre cavalheiro, gostava de mesa farta, apreciava um bom vinho e como o vinho se fez bom filho e irmão, avô, bisavô, sogro, marido, pai,orientador, amigo e companheiro. Ágil, ligeiro, ora impulsivo, realizava truques de mágicas para adultos e crianças; adorava dirigir, de preferência em alta velocidade.

Assim, rápido e rasteiro, faleceu. Com dignidade e com "finesse", sem alarde, lá se foi o José Barduzzi, com a cortesia e a valentia que se tornaram suas patentes.

... Mas a vida continuou um pouco mais e o segundo impacto ocorreu em 9 de maio de 2012, quatro meses e dois dias após a morte de meu pai, quando a minha irmã Renata, muito amada por ele, também partiu desta vida.

Tão bonita e corajosa, dedicou sua vida para a família e a Educação e Magistério. Estudiosa, alegre e reservada, formou centenas de colegiais na área da Ciências e Física, em Escolas Publicas e Privada de Bauru e muitos de seus alunos se tornaram mestres, doutores, empresários, trabalhadores confiantes, todos cidadãos bauruenses. Gostava de serestas e saraus e também de dirigir, se possível com o pé firme no acelerador. E aí, pai e filha rapidamente se uniram em estâncias superiores da existência, sendo que seu último leito foi a "Terra Branca" desta amada cidade.

Aprecio o pôr do sol que enfeita o céu, com absoluto esplendor, sendo este o "show" do maior artista do Universo ? Deus, que oferece diariamente a nós, este presente. Após quedar-se o Astro, logo a noitinha, na direção do poente, vejo duas novas estrelas, juntas, pertinho. Lá estão, pai e filha, a brilhar e a brindar por nós, que aqui ficamos e com certeza também por Bauru, que faz aniversario! Por estes dois episódios impostos pelo destino, enquanto se comemora os 116 anos da historia da Bauru, sinto saudades...

Oro e peço a Deus por minha mãe que ficou triste e também neste mês de agosto completa 86 aninhos... tão bonita... tão mimada pelo José Barduzzi... e para não chorar, cantarolo baixinho: "Ah! Minha mãe, minha mãe menininha! Ah! Minha mãe, menininha, não se vá. Fica aqui comigo olhando o céu.

Deixa a estrela brilhar!"

Parabéns Bauru.

Silvia Mello Barduzzi

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