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Iamspe vai ao Prontocor e fica no Base

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Os 18,6 mil segurados do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de Bauru e mais 50,5 mil da região passam a ter como alternativa de atendimento o Hospital Prontocor, gerido pelo grupo Beneplan Prontocor.

O Estado não descredenciou o Hospital de Base, administrado pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que passa por dificuldades e tem seu atendimento um alvo de reclamações dos servidores públicos estaduais que pagam o Iamspe. Porém, o atendimento do conveniado Iamspe não mudou em relação à AHB, segundo o secretário, que esteve ontem em Bauru para a assinatura do contrato com o Prontocor.

O secretário de Gestão Pública do governo estadual, Davi Zaia, definiu que o atendimento do servidor tem que ser feito também pela rede privada. O convênio assinado ontem pelo Iamspe e Prontocor prevê investimento mensal de R$ 260 mil na unidade hospitalar privada. O contrato formaliza a liberação de R$ 7,8 milhões do Iamspe para o Prontocor. “Não significa que eu estou tirando algum recurso de investimento do setor público”, minimiza Zaia.

Ele salienta que o Iamspe busca alternativas para o atendimento do servidor. “Não vamos fazer um convênio para salvar uma unidade que está com alguma dificuldade. O problema do Hospital de Base tem que ser atacado por quem tem a responsabilidade de fazer a gestão”, pontua Zaia.

O presidente do Grupo Beneplan Prontocor, Luiz Carlos Mendes Júnior, adiantou que o Hospital Prontocor não resolverá toda a demanda do Iamspe em Bauru e região. “O usuário Iamspe que não está acostumado com a estrutura ainda vai ter que estar ciente disso. Nós não encaramos esse convênio e nem pretendemos ser o “salvador da pátria”. O convênio com a Associação Hospitalar de Bauru ainda é mantido”, lembra Mendes Junior.

 

Transição

O gestor do Prontocor esclarece que haverá um período de transição, de pelo menos três meses, para que o atendimento dos servidores estaduais engrene. O presidente do Grupo Beneplan cita que já está prevista a ampliação para dobrar o tamanho da unidade de pronto-atendimento do hospital. Em relação a pessoal, o quadro está de acordo com a demanda projetada para os segmentos infantil e adulto. “É importante dizer que vamos passar por um período de adaptação”, define.

Ele explica que a unidade hospitalar possui subutilização de suas quatro salas cirúrgicas que passaram a funcionar em plena atividade com o convênio. O Hospital Prontocor atende a mais de 30 convênios, como DAE e Prefeitura de Bauru. Com o convênio com o Iamspe o Prontocor, segundo projeção de Mendes Junior, chegará a mais de 100 mil usuários em potencial.

Mendes Júnior anunciou que o Hospital Prontocor passará futuramente para a denominação de Hospital e Maternidade Maria José. A referência é uma homenagem à ex-nora de Nelson Paschoalotto, Maria José Nogueira Paschoalotto. A Holding Paschoalotto Participações Ltda comanda o Grupo Beneplan Prontocor. Luiz Carlos Mendes Junior mostrou ainda vários novos equipamentos para a unidade hospitalar.

Estavam presentes à cerimônia de assinatura do contrato, ontem, Latif Abrão Jr, superintendente da Iamspe; Roberto Baviera, do Iamspe, José Luiz de Mendonça e Silva, diretor administrativo do Prontocor, e Nelson Paschoalotto.

Já os representantes dos servidores  aprovam o investimento do Estado na contratação de convênio médico da rede privada. A presidente da Comissão Consultiva Mista do Iamspe Idenilde de Almeida Conceição analisou ontem que o Prontocor é uma alternativa ao Hospital de Base.

“Há algum tempo o Hospital de Base está dando um atendimento muito deficitário, principalmente na questão da pediatria”, argumentou. Ela esclareceu que o convênio com o Hospital Prontocor atenderá no pronto-atendimento e maternidade.

 

Perícia regionalizada emperra

Milhares de servidores estaduais reclamam por ter de se deslocar até a Capital para realizar uma perícia médica. O governo paulista se comprometeu a resolver a questão com a descentraliazação. Ontem, o secretário estadual de Gestão Pública, Davi Zaia, anunciou um novo prazo. Ele estendeu a implantação do sistema regionalizado para setembro, porém sem garantir que conseguirá transpor a tempo os entraves burocráticos que ainda impossibilitaram que o servidor público estadual do Interior tenha acesso à perícia médica em sua cidade.

Zaia usou a expressão “imaginando” para projetar uma data para a descentralização dos procedimentos. “É, nós estamos imaginando começar a implantar um sistema em setembro, que regionalize de fato a perícia”, definiu o secretário de Gestão Pública.

Imagine-se a demanda por perícias explodindo com, por exemplo, mais 10 mil professores contratados pelo Estado e que necessitarão passar por perícia médica para adentrar ao serviço público estadual neste semestre.

Zaia esclarece que a sistemática é descentralizar com perícia em 60 municípios do Estado para atender nas cidades 60 a 70% dos servidores. Ainda haveria uma parcela que teria que se deslocar para localidades próximas do seu município de origem. A intenção também é acelerar a realização das avaliações médicas tão logo ocorra o primeiro afastamento por licença médica e a publicação do Diário Oficial.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) reconhece a mobilização de Zaia para resolver a questão. Ele próprio não deixou de mencionar a questão, ontem, ao discursar na solenidade de assinatura de contrato de convênio entre o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) e o Hospital Prontocor, em Bauru.

O deputado demonstrou insatisfação com a burocracia que cria nó em situações de simples resolução, como de uma perícia médica. “Acho absurdo. Nem governador (Alckmin) consegue. Ligou na minha frente mais do que 10 vezes para alguém resolver. Chega um procurador e não concorda. Chega advogado, chega defensor, chega promotor. Não é fácil”, indignou-se Tobias. 

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