Política

Estado vai oferecer HB ao município

Vitor Oshiro com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo JC/Quioshi Goto

Na proposta a ser apresentada, a Secretaria Estadual de Saúde pretende ainda reformar o prédio do Hospital de Base (HB)

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) informou ao JC que o Governo do Estado vai oferecer ao município a gestão do Hospital de Base (HB), após o prefeito ter dito que poderia assumir parte do sistema hospitalar, depois da morte da jovem Drielly Carla Alves de Brito, 22 anos. O Estado assumiria a dívida de R$ 150 milhões da Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Caso a prefeitura aceita o acordo, o prédio da unidade pode até ser entregue reformado pela Secretaria Estadual de Saúde. Rodrigo disse ontem que a proposta parece interessante, mas quer esperar a reunião que terá nesta terça-feira na Secretaria de Estado da Saúde para analisar de forma mais conclusiva.

A proposta deve ser oficializada ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e ao secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, em reunião agendada para a próxima terça-feira, em São Paulo, pelo parlamentar tucano junto ao titular da pasta estadual da Saúde, Giovanni Guido Cerri. O encontro foi motivado pela crise instaurada na saúde após uma sequência de mortes no corredor do Pronto-Socorro Central (PSC) de pacientes que esperavam por leitos para internação hospitalar. (Leia histórico abaixo).

Em meio à crise, Agostinho declarou que gostaria de discutir a gestão municipal dos hospitais e Tobias respondeu que o Estado estava aberto para conversar.

A proposta prestes a ser formalizada, além de solucionar o problema do passivo, aponta caminhos para o futuro do HB. A ideia é que os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam repassados ao município pela gestão do hospital.

A viabilidade do Base, porém, depende de repasses de recursos do Estado que, segundo Pedro Tobias, representam atualmente 60% do custeio para a prestação de serviços existentes. A manutenção dessas verbas deve ser mantida na proposta.

“Pode ser uma boa saída”

Rodrigo Agostinho demonstrou surpresa e cautela ao ser questionado sobre a proposta, alegando que precisa de um posicionamento oficial da Secretaria Estadual de Saúde. O chefe do Executivo municipal admitiu, porém, que essa parece ser uma boa saída para a solução do problema. “No entanto, uma série de questões e detalhes precisam ser avaliados. Precisamos encontrar a alternativa que seja boa para o Estado, para o município e para os usuários”, pontuou.

Segundo o prefeito, o debate deve girar em torno da repactuação dos serviços prestados e, principalmente, do custeio de operação do HB. O formato da gestão é outro questionamento de Agostinho. “Precisamos saber se o Estado imagina que a Fundação Regional de Saúde assuma, se serão apenas alguns leitos ou se eles vão propor a contratação direta pelo município”, cogitou.

Reportagem do JC publicada na última quarta-feira mostrou que a demanda do PSC de Bauru requer, ao menos, 20 vagas de internação por dia.

Mortes

Ganhou grande repercussão e causou comoção em toda a cidade a morte da estudante universitária Drielly Carla Alves de Brito, 22 anos. A jovem foi a óbito no dia 26 de julho, depois de três dias aguardando vaga para internação no Hospital Estadual em uma maca instalada improvisadamente no PSC. Por conta de pedras na vesícula, não resistiu a uma pancreatite necro-hemorrágica.

Antes dela, o aposentado Antonio Toledo, 76 anos, faleceu no PSC com suspeita de ter contraído gripe A (H1N1). No dia 5 de agosto, Hércules dos Santos sucumbiu a uma insuficiência respiratória enquanto aguardava vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com a Divisão Regional de Saúde (DRS-6), porém, a solicitação foi feita às 14h e a vaga, oferecida às 16h.

Outra paciente também teria morrido enquanto aguardava vaga no Hospital Estadual (HE), no dia 3 de agosto. No entanto, de acordo com o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) do município, tratava-se de uma paciente idosa com suspeita de metástase no cérebro decorrente de um tumor no pulmão.

Vida útil da AHB termina em dezembro

O que era esperado e insistentemente anunciado já tem data para acontecer: a prestação de serviços de Saúde pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) termina em dezembro de 2012. Este é o prazo para que seja definido pela Secretaria do Estado de Saúde o futuro da gestão dos serviços que continuam com a entidade, concentrados atualmente no Hospital de Base (HB).

A partir de 2013, a AHB fica impedida de receber recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) por não ter viabilizado seu cadastro junto ao Estado na lista de entidades autorizadas a firmar novos convênios para a prestação de serviços. A interventora Telma de Freitas explica que o cadastro da associação não foi possível, em razão das pendências jurídicas e financeiras. O passivo da entidade é estimado em R$ 150 milhões. A habilitação garante que novos convênios sejam firmados junto às entidades. Os serviços já prestados serão mantidos. No entanto, Telma conta que todos os contratos da AHB com o SUS terminam em dezembro e não poderão ser renovados por conta da inabilitação da associação.

A lista das entidades cadastradas foi publicada pelo Diário Oficial do Estado em janeiro deste ano, mas, segundo Telma, foi ratificada e passou a ter validade no mês passado.

“A partir disso, não tem como o Base continuar funcionando pela gestão da AHB, a não ser que algo aconteça até lá. Mas é claro que o Estado está tomando as providências necessárias para outra entidade assumi”, pontua Telma.

Comentários

Comentários