Olimpíadas 2012

Adiós, muchachos!

Da Redação com Vinícius Bacelar
| Tempo de leitura: 4 min

Que tal falarmos de política? Ou quem sabe de música, culinária, novela...desde que não seja um dramalhão mexicano! Para não sair do esporte, poderíamos muito bem concentrar nossos esforços no vôlei, medalha de ouro no feminino ontem e na disputa do título hoje no masculino.

Isso porque a “maldição olímpica” do Brasil escreveu um novo capítulo em Wembley. Como nos últimos 60 anos, o Brasil iniciou o torneio de futebol masculino das Olimpíadas de Londres garimpando pela medalha de ouro e como um dos favoritos. Com cinco vitórias, todas por três gols, a Seleção comandada por Mano Menezes chegou ontem à decisão no estádio de Wembley embalada e favorita.

Mas acabou perdendo por 2 a 1 para o México na decisão. O atacante Peralta fez os dois gols da seleção mexicana. Hulk descontou.

Com a conquista do ouro inédito, os mexicanos debutaram pela terceira vez em um título com o Brasil como vice.

Já o time de Mano repete a prata dos Jogos de Los Angeles-1984 e Seul-1988. Em outras duas vezes, o Brasil ficou com o bronze (Atlanta-1996 e Pequim-2008). O Brasil continua sem conquistar a tão desejada medalha de ouro olímpica. É o primeiro ouro do México na disputa em Londres-2012.

 

O jogo

O treinador Mano Menezes resolveu manter o esquema 4-4-2 com Alex Sandro no meio de campo. A formação ruiu com 28 segundos, quando Rafael saiu jogando mal, o México recuperou a bola e Peralta chutou rasteiro: 1 a 0.

O Brasil, atordoado pelo gol-relâmpago, demorou a entrar na partida, enquanto os mexicanos disputavam todas as jogadas como se fossem as últimas de suas vidas. Neymar teve que buscar bola na defesa, tamanha a dificuldade da Seleção em atacar. Alex Sandro não conseguiu repetir o desempenho ante a Nova Zelândia e foi sacado aos 31. Hulk entrou no seu lugar. Assim, o Brasil voltou a atuar com três atacantes e equilibrou o confronto. Em um chute forte de Hulk, o goleiro Corona espalmou e Leandro Damião não aproveitou. A Seleção continuou a pressionar o México, mas esbarrou nas falhas de conclusão.

No segundo tempo, a equipe de Mano continuou melhor, só que dava espaços na defesa. Aos 18, Fabian invadiu a área brasileira, finalizou de costas e a bola explodiu no travessão de Gabriel. Cinco minutos depois, Peralta apareceu livre na pequena área, fez o gol, mas o assistente assinalou impedimento.

Com a necessidade do empate, Mano colocou o atacante Pato no lugar do volante Sandro. Porém, quem quase marcou foi o México, em uma falha de Gabriel.

Aos 29, de tanto perder oportunidades, o México chegou ao segundo tento em uma cabeçada de Peralta. Já no fim da partida, Rafael tentou dar um toque de letra antes de ser substituído por Lucas e discutiu com o zagueiro Juan. Peralta saiu para ser aplaudido pelos torcedores mexicanos.

Aos 46 minutos, Hulk descontou para o Brasil e, no minuto seguinte, Oscar perdeu um gol livre na pequena área.

 

Neymar conhece seu 2º fracasso

Neymar conheceu ontem seu segundo fracasso com a Seleção. Antes da queda olímpica, Neymar fez parte do grupo que fracassou na Copa América-2011. Na ocasião, a Seleção foi eliminada nas quartas de final pelo Paraguai nos pênaltis com uma campanha de três empates e uma vitória.

Em Londres, Neymar participou de todos os jogos da Seleção Brasileira. Até a final contribuiu com três gols e três assistências, marcas inferiores as alcançadas por Oscar (quatro assistências) e Leandro Damião (seis gols).

Seus únicos títulos pelo Brasil não tem o mesmo peso das taças conquistadas pelo Santos. Ele venceu o Superclássico das Américas (dois jogos contra a Argentina) e o Sul-Americano sub-20 (que assegurou a vaga em Londres).

 

Um herói Peralta

O título mexicano ontem - inédito - teve um herói. Depois do anúncio dos convocados para Londres, a ausência do atacante Javier “Chicharito’’ Hernández foi muito criticada no México. Ele não foi liberado pelo Manchester United para estar na Olimpíada, e o caminho ficou livre para que Oribe Peralta liderasse a seleção mexicana. E, ontem, o atacante do Santos Laguna, de 28 anos, que nunca jogou fora do México, escreveu seu nome na história do esporte.

Seus gols em Londres foram poucos para um goleador, mas decisivos: contra a Suíça, garantindo o primeiro lugar do grupo B, contra o Japão, virando o duelo pelas semifinais, e duas vezes na decisão contra o Brasil. Estes últimos deram o ouro para uma seleção que não era favorita ao título ou mesmo à conquista de medalhas.

 

Jornal argentino debocha

Ausente em Londres-2012, a seleção argentina masculina de futebol conquistou a medalha de ouro nos dois Jogos anteriores. E por lá não esqueceram de acompanhar a derrota do Brasil. O site do diário “Olé” relatou o jogo ao vivo e zombou da sina dos vizinhos. Na capa do site, Olé provocava: “México lindo e querido”. Terminado o jogo, a manchete era “Me Río 2016”, um trocadilho seu com o nome da sede brasileira da próxima Olimpíada e o verbo rir.

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