Tribuna do Leitor

Mensagem de uma mãe a seus filhos no Dia dos Pais


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Quero me dirigir a vocês, meus filhos, Andressa e Gabriel, que assim como eu não podem abraçar seu pai neste Dia dos Pais. Sei que mesmo utilizando as melhores palavras e mesmo tendo a melhor das intenções, não conseguirei amenizar a dor que estão sentindo pela perda tão recente e repentina de seu querido pai - Ulisses. Sei exatamente o que estão sentindo agora, pois passei por esta mesma dor há cinco anos atrás, quando perdi o meu pai. É uma saudade louca, uma vontade enorme de poder abraçar, beijar, sentir o perfume e ver novamente o sorriso e o olhar daquele que esteve tão presente durante tantos anos de nossa vida. Sim, assim como eu, vocês tiveram um pai muito presente, participativo, que, por exemplo, nunca faltou a uma reunião de pais na escola, e tudo fazia para que não faltasse nada a vocês. Eram muitas as solicitações de: "Pai, me leva lá", "Pai, vem me buscar".

Foram muitos os passeios em zoológico quando eram pequenos, em pesqueiro, em estádio de futebol para ver o Noroeste que ele tanto amava, em Luso de Campo, etc.... Depois vieram as baladas ("Pode deixar que eu vou te buscar") ...noites mal dormidas. Depois, as idas ao trabalho, a mãe levava o filho, o pai levava a filha. Sem falar nas viagens a São Paulo, para prestar concurso...para fazer perícia..., lá estava o pai saindo de madrugada só para que a filha não pegasse ônibus. Sempre bajulando os filhos e fazendo todas as suas vontades, até mais do que devia. Apesar disso, nunca deixou de exigir boas notas na escola, disciplina e responsabilidade na vida. Também sabemos que, como ser humano que era, ele também errou, mas não nos cabe julgar. Apesar de ter ficado tão pouco conosco, muito nos ensinou . Deu-nos um grande exemplo de determinação e coragem quando decidiu, por conta própria, e sem nenhuma ajuda, ou como ele mesmo dizia, com a ajuda de Nossa Senhora Aparecida a quem ele era devoto, livrar-se do cigarro, do álcool e do peso, trocando tudo isso pelo esporte da caminhada e depois pela corrida, em busca de uma vida saudável e para viver mais tempo conosco.

Infelizmente, não contava com aquela doença silenciosa de nome aneurisma, que acabou o levando, aos 51 anos, no dia 16 de maio passado. Respeitemos, pois, queridos filhos, a vontade de Deus, nosso Pai, que um dia colocou o Ulisses em meu caminho e também nos deu vocês como filhos para que formássemos a nossa família, e um dia o tirou. Está doendo muito em mim, e sei que também em vocês. Sei também que essa dor vai demorar a passar, mas neste Dia dos Pais quero dizer, ou melhor, quero reforçar o que vocês já sabem: que vocês tiveram um pai maravilhoso, que ele tinha muito orgulho de vocês, que ele gostaria de ser lembrado sorrindo e, principalmente, que nós acreditamos que ele não morreu, vocês têm pai, sim, ele apenas está em outro lugar... e que um dia nós nos reencontraremos. Amém!

Kátia Cristina Cisneiro Lopes da Silva


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