Tribuna do Leitor

Pai querido!


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Joaquim Sancho do Lago, pai querido vivo em meu coração eternamente. Já faz muito tempo que você se foi e até hoje neste dia fico meio sem rumo, não tenho como evitar certa dose de nostalgia. Gosto de pensar que você está num bom lugar que fez por merecer, provavelmente melhor do que aqui. Sabe, pai, no Dia das Mães lembrei-me de momentos que passamos juntos na casa que o senhor comprou com muito sacrifício, veio à memória fatos inesquecíveis como o dia em que você a havia quitado. Lembro-me que nos reunimos em um delicioso almoço e com muitas lágrimas nos olhos nos deu a notícia de que não devia mais nada ao banco. Quanta emoção! Missão cumprida! A casa é nossa!

Como pai você foi simplesmente espetacular, não sei se como marido, pois isso só diz respeito a minha mãe. Não que não tivesse defeitos, tinha, e vários, e não era segredo para ninguém, pois o dizia abertamente, nunca teve pretensão de ser pai herói, mas para nós era mais que isso, era o ser humano mais louvável dessa terra. Tudo que aprendi sobre lealdade, caráter, integridade, coisas tão banais hoje, aprendi com você. Embora não fosse religioso praticante, me ensinou que tinha Alguém no comando das coisas: "Deus". Com isso me mostrou o caminho certo e a confiar na vida, me fez ver que não havia motivo para ansiedades ou preocupações. Eram lindas e emocionantes lições de fé.

Das muitas recordações, lembro-me de um violão antigo que as vezes você dedilhava e um dia doou para uma senhora especial de rua que era conhecida por "Chica louca", dizia que ela ia fazer mais uso que você, este gesto me fez crer na sua grande generosidade para com os mais necessitados e serviu-me de exemplo por toda minha vida. Grande figura era o meu pai, generoso e grandioso na sua humildade. Quando sentávamos na área para jogar conversa fora, você sempre me segredava histórias da sua juventude nas Minas Gerais, das delícias de suas aventuras e das grandes conquistas... Você era mesmo um verdadeiro gentleman. A saudade bateu forte agora quando ao recordar de quando recebi meu diploma universitário, as lágrimas dos seus olhos eram de alegria por me ver "formada na faculdade". O mérito foi seu, pai, por todo sacrifício que fez por mim e por meus irmãos. Qualquer dificuldade que por ventura eu tenha tido ou que venha a ter na vida, passa longe da que você teve para nos criar e educar. Fez de tudo para aparar as arestas e tornar meu caminho mais fácil e me indicar a direção correta.

Ó! Pai querido, que saudade de tudo, da nossa antiga casa, da sua voz, da sua feijoada com tempero de amor, do seu carinho, do seu jeito de falar mesmo com tom de bravo, do rastejar do seu chinelo que de longe sabíamos que você estava chegando e que o silêncio devia prevalecer.

Hoje, sem você, só me resta a saudade e a dor da sua ausência física. Perder-te, me fez sofrer, procuro me lembrar dos bons momentos que vivemos, e me dá uma vontade imensa de voltar ao tempo, para reviver cada sorriso perdido, cada abraço desviado, até mesmo cada discussão boba... Por isso deixo aqui na singeleza dessas palavras minha ternura e gratidão neste Dia dos Pais.

Através de você quero abraçar a todos os pais, meu marido, pela família linda e abençoada que construímos, meu sogro "Vovô Totonho", que muitas vezes me faz sentir bem perto de ti, meu genro, por minha netas lindas e adoradas, meus irmãos e cunhados que me deram sobrinhos lindos e amáveis e estes que já são pais que fazem crescer com amor a nossa família, primos, amigos e desconhecidos, deixando aos filhos ingratos que rejeitam seus pais o meu protesto. Pai, você me ensinou muita coisa, porém a mais importante se esqueceu de fazer: de me ensinar a viver sem você. Essa dor é constante, nunca se supera isto, a dor e a saudade amenizam, mas nos acompanham a vida toda. Por isso indico e recomendo a todos que aproveitem bem este dia e cubram seus pais de beijos. Façam isto por mim.

Carmen Fátima do Lago Manso

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