Existe paz completa? Será que queremos paz? Sabemos como construí-las? Se olharmos a história das sociedades mais cuidadosamente, percebemos que nunca, no mundo, houve paz, ou seja, paz por completa. "O mundo está dominado por uma cultura de guerra e de violência; é preciso transformá-lo numa cultura de paz", disse o diretor geral da Unesco, Federico Mayor, durante o Comitê Paulista para a década da Cultura da Paz.
Desde que proclamada no ano 2000, "Ano Internacional da Cultura da Paz", em que o período de 2001 a 2010 seria a década internacional por uma Cultura de Paz e não violência. Os governos, em suas funções primordial na promoção e no fortalecimento de uma Cultura de Paz juntamente com a sociedade, as Secretarias de Educação e da Justiça têm reunido esforços no sentido de criar instrumentos que objetiva propor ações em todos os níveis, principalmente no respeito à vida, na promoção da não violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação, para o benefício da paz e do bem comum, ao invés da competição.
Percebe-se número elevado de cidadãos e grupos de pessoas provocando terrorismo, envolvendo-se em corrupção, crime organizado, tráfico e o consumo de drogas, intolerância no trânsito, depredando ambiente, sem independência política, sem diálogo e cooperação, sem respeito pelos princípios de soberania. Manifesta-se pelo seu direito e esquece o seu dever. Com a globalização ocorreu a unificação de reivindicações em escala global, com a pauta de enfrentamento da pobreza, dos estereótipos e da violência contra a mulher; a superação da desigualdade no trabalho e na política; a redução do impacto de guerra e conflito sobre a mulher, a luta contra a violação dos direitos da menina.
Na cultura, precisa reintroduzir, com mais eficaz, uma cultura de base (dos pais), por meio da linguagem falada e escrita, assim como na ação cotidiana das pessoas o respeito à vida e a dignidade sem discriminar ou prejudicar o outro, defendendo a liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre o dialogo e o ouvir, contribuindo assim, para o desenvolvimento da comunidade, visando novas formas de solidariedade e tomada de atitude efetiva em relação à diminuição da situação de miserabilidade, desigualdade, educação, violência, ausência de princípio e perspectiva futura, deplorável que se encontra o mundo. Boa parte da população iguinora, demonstra através de atitudes não desejar paz, sabe exatamente como construí-la e continua negando, deixando para o outro fazer o que é seu! (Educação, Poder Judiciário, entre outros).
É preciso alterar os valores, atitudes, crenças e comportamento do tempo presente para transformar esses períodos tão conturbados, perigosos, com injustiças sociais, pessoais, ecológicas e ter direitos humanos com o compromisso ético. A população tem o conhecimento de que a violência sai muito cara, no entanto, ainda persiste na mesma face. Passaram-se os 10 anos da proclamação pela Cultura da Paz, hoje com um orçamento para a segurança elevadíssimos enquanto que os orçamentos destinados ao desenvolvimento social são constantemente reduzidos. Vamos acordar! Se quisermos, somos capazes! "Não existe um caminho para a paz. A paz e o caminho" - Mahatma Gandhi.
Faz-se necessário promover ações para avançar na compreensão, na tolerância, na solidariedade e no ser ao invés de ter; as pessoas, a sociedade, precisam urgentemente diminuir a ganância do ter, do querer, e se preocupar mais com o ser ou somos, isso é nosso e para nós, só assim acredito ser possível amenizar a exclusão, a injustiça, a violência e a opressão política e econômica. Entendo que os conflitos nascem da cabeça do homem e é na mente dele que devem erigir-se os baluartes da paz.
Irma Slaghenaufi - socióloga e mediadora