Esportes

Basquete: Retorno para ser campeão

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Ele está de volta. Após integrar a Seleção Brasileira quinta colocada nas Olimpíadas de Londres, o armador Larry Taylor retornou a Bauru e já se prontificou a jogar no próximo sábado, estreia do Paschoalotto, no Campeonato Paulista. Portanto, o reencontro com a torcida bauruense está marcado para as 18h, diante de Sorocaba, no ginásio Panela de Pressão. Após o jogo inicial do Estadual, Larry viaja para os Estados Unidos para descansar e regressa a Bauru no dia 28, a tempo de enfrentar Franca, dois dias depois, na Panela. Ontem, Larry conversou com a imprensa e comentou sobre sua participação em Londres, além de revelar o que espera da próxima temporada em Bauru, mostrando confiança em ser campeão. A seguir, os principais trechos da entrevista coletiva.

 

Imprensa – Como foi a experiência de disputar uma edição de Jogos Olímpicos?

Larry – Foi muito legal. Estávamos lá com todos os atletas melhores do mundo e é uma experiência que eu nunca vou esquecer. Não trocaria isso por nada no mundo. Foi muito bom participar da Seleção Brasileira.


Imprensa – O Brasil terminou na quinta colocação. Vocês, que estavam lá, em algum momento sentiram que o time poderia ter ido mais longe e trazido uma medalha?

Larry – A gente estava querendo ganhar uma medalha e acho que tinha condição. Infelizmente, não conseguimos chegar onde queríamos, acredito mesmo que poderíamos ter voltado com uma medalha. Não deu certo desta vez e vamos ver se no futuro a gente continua melhorando e tem a chance de novo.


Imprensa – Muito se falou dos motivos da derrota para a Argentina, nas quartas de final, que decretou a eliminação brasileira. Para você, o que foi determinante?

Larry – A Argentina conseguiu jogar melhor do que a gente. Erramos muitos lances livres no jogo e isso fez parte. Teve outras coisas, mas no final do jogo a Argentina conseguiu ser superior. A gente estava quase virando, encostou para dois pontos e eles conseguiram abrir vantagem de novo. Parabéns para eles.


Imprensa – Tem algo que você pode agregar ao seu estilo de jogo após as Olimpíadas?

Larry – Minha função na Seleção é diferente daqui, onde faço mais coisas e o time depende de mim para fazer. Lá, cada um tem sua função e ninguém joga do mesmo jeito que joga em suas equipes. Vou voltar a jogar aqui do mesmo jeito.


Imprensa – O fato de na Seleção você jogar diferente do que em Bauru era uma determinação do técnico Rubén Magnano?

Larry – A Seleção tem uma estrutura diferente de jogo. Sempre era para a gente jogar com os pivôs, fazendo os pivôs jogarem bem. Todo mundo fica focado nesta parte do jogo. Aqui tem um pouco mais de liberdade para fazer outras coisas durante as jogadas. Além de ter mais tempo de quadra. Lá, eu entro na quadra e tento fazer minha função para o outro descansar. Daqui a pouco, outro vai entrar em seu lugar também. É diferente, mas gostei da experiência mesmo.


Imprensa – Uma partida em que você jogou próximo ao que faz em Bauru foi contra a Rússia, quando comandou a reação brasileira. Você considera esse o seu melhor momento em Londres?

Larry – Foi bom, mas não gostei porque a gente perdeu o jogo (o Brasil foi derrotado por um ponto no último arremesso da partida). Seria o meu melhor momento se a gente tivesse conseguido a vitória. Prefiro mil vezes fazer dois pontos e ganhar o jogo do que jogar bem a perder.


Imprensa – E o ambiente na Vila Olímpica? Como foi a convivência com atletas do mundo todo?

Larry – Foi fantástico. Todos os países estão presentes e dá para ver todos os atletas em qualquer momento do dia. Você vê todas as pessoas famosas e foi muito bom.


Imprensa – Encerradas as Olimpíadas, começa um novo ciclo olímpico. Você pretende seguir na Seleção? Pensa, por exemplo, no Campeonato Mundial daqui a dois anos ou nos Jogos do Rio, em 2016?

Larry – Acabei de voltar e minha cabeça ainda está nestes Jogos. Não planejo nada, mas é claro que, se eu for chamado, quero seguir na Seleção.


Imprensa – Sua relação com o Brasil mudou depois destas Olimpíadas?

Larry – Com certeza. Estou me sentindo 100% brasileiro e é muito bom saber que tem muitas pessoas no Brasil que estavam torcendo para mim. Sempre entraram no meu Twitter e Facebook e falavam coisas para mim, incentivando. Isso me deixa muito feliz.


Imprensa – Qual sua expectativa para o Paulista?

Larry – Quero chegar e ajudar o time a ganhar um título. A gente quer um título e sabe que tem os jogadores que a equipe precisa para fazer isso. É entrar na quadra e fazer a coisa certa.


Imprensa – Um dos pedidos que você fez quando renovou era ter um time capaz de brigar por títulos. A diretoria atendeu seu pedido, então?

Larry – Acho que sim. Eu e todos os jogadores queremos chegar mais longe neste ano e o time se reforçou muito bem. Tem os outros dois americanos que chegaram, tem o Ricardo Fischer e todo mundo que voltou do ano passado. Vamos ter mais revezamento e jogadores com mais qualidade. Vamos mais longe do que chegamos no ano passado.


Imprensa – Você joga na estreia do Bauru? Não vai ter um descanso?

Larry – Descanso depois da estreia. Mas a primeira coisa é começar o campeonato junto com o time no primeiro jogo. Quero começar junto e terminar junto. Vamos começar com os jogadores e com a torcida, que vai estar presente aqui na quadra.

 

Alienígena ‘esnoba’ Obama

Antes de ir para as Olimpíadas, Larry Taylor defendeu o Brasil em um amistoso contra os Estados Unidos, em Washington. Foi o primeiro encontro do armador, agora brasileiro, com seu país de origem. O jogo na capital norte-americana contou com presença ilustre de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos. Se os olhares do mundo estavam voltados para Obama, sua esposa e filha, os do armador do Bauru Basket procuravam outra pessoa nas arquibancadas. Ontem, ele explicou qual foi a sensação de enfrentar os EUA na cidade onde nasceu (Washington) e surpreendeu a todos.

“O jogo foi normal. A única coisa que mudou para mim é que foi o primeiro jogo profissional que tive com a minha mãe assistindo. Fiquei mais nervoso por causa disso do que por qualquer outra coisa. Foi a primeira vez que ela assistiu a um jogo meu desde que eu saí da universidade. Pensei muito mais nisso do que em qualquer outra coisa”, declara. 

 

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