Internacional

ONU culpa tropa e milícia sírias por crimes

Reuters e Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Genebra - As forças do governo sírio e a milícia Shabbiha, sua aliada, cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo assassinatos e tortura, disseram investigadores dos direitos humanos da ONU ontem.

De acordo com o relatório, os rebeldes que tentam depor o presidente sírio, Bashar al-Assad, também cometeram crimes de guerra, mas suas violações “não alcançam a gravidade, frequência e escala” das promovidas pelo Exército e as forças de segurança do governo.

“A comissão encontrou motivos razoáveis para acreditar que forças do governo e a Shabbiha cometeram crimes contra a humanidade, de assassinato e tortura, crimes de guerra e violações flagrantes da lei internacional sobre direitos humanos e da lei humanitária internacional, incluindo matanças ilegais, tortura, prisões arbitrárias, violência sexual, ataque indiscriminado, pilhagem e destruição de propriedade”, diz o relatório de 102 páginas elaborado pela comissão independente, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

 

Atentado a ONU

Em meio a confrontos entre insurgência e regime, uma bomba explodiu ontem em Damasco, em local próximo ao hotel em que estão hospedados observadores da ONU.

Segundo a mídia estatal, três pessoas ficaram feridas, nenhuma delas ligada à ONU. Dois grupos assumiram a autoria conjunta -A Brigada dos Descendentes do Profeta e a Brigada al Habib al Mustafa. Eles afirmam que o ataque, planejado pelo Exército Livre da Síria, matou 50 soldados, contrariando a versão do governo de que houve apenas três feridos pela bomba.

O atentado chamou a atenção não tanto pelo dano causado, mas por ser o segundo no período de quatro semanas, dando conta do avanço da capacidade rebelde de organizar ataques na capital.

Há um mês, um atentado a bomba matou membros de alto escalão do regime, incluindo o ministro de Defesa.

Para Faisal Mekdad, vice-ministro do Exterior da Síria, a explosão de ontem provou “a natureza bárbara e criminosa de quem executa esses ataques - e de seus apoiadores na Síria e no exterior”.

A bomba foi detonada por volta das 8h, no horário sírio, em um caminhão de combustível estacionado atrás do hotel Dama Rose. Veículos da ONU ficaram cobertos de pó.

Não está claro qual era o alvo do atentado, apesar da proximidade com o hotel. Há na região um clube de oficiais do Exército e uma construção de propriedade do partido Baath, que governa a Síria.

Valerie Amos, chefe de assuntos humanitários da ONU em visita a Damasco, estava em reunião com representantes da União Europeia no momento da explosão.

Ela tuitou, em seguida, que estava com dificuldades para visitar uma área ao norte da capital. “Esperando em um posto de controle para entrar em Duma. Som de bombardeio. Não pude entrar.”

As forças leais a Assad bombardearam, hoje, a cidade rebelde de Azaz, no norte da Síria. Ao menos 20 pessoas morreram, incluindo crianças, segundo ativistas.

Membros da oposição afirmam que houve, hoje, 193 mortes por todo o país.

 

Apoio de radicais

O atentado de ontem em Damasco é o tipo de ação que só é possível com a ajuda externa aos rebeldes, afirma o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da comissão de investigação da ONU sobre os direitos humanos para a Síria.

Apesar de a influência e a presença estrangeira nos dois lados do conflito ter sido tratada de uma maneira muito “delicada” no relatório apresentado ontem pela comissão ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Pinheiro diz que este é um ponto de grande preocupação no atual estágio da crise.

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