Paris - O presidente francês, François Hollande, uniu-se ontem aos governos americano e britânico na defesa de uma intervenção militar na Síria em caso uso de armas químicas pelo regime de Bashar Assad.
Segundo Hollande, o uso desse tipo de armas de destruição em massa pelo ditador seria “uma razão legítima para uma intervenção direta”.
Acredita-se que a Síria tenha um dos maiores arsenais químicos do mundo, que inclui gás mostarda, Sarin e VX.
Pouco antes, também em Paris, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, já havia reafirmado a posição do país contrária a qualquer intervenção militar na Síria.
“O novo mediador, (Lakhdar) Brahimi, tem condições de aplicar o plano de paz (de Annan), e trazer uma solução que esperamos ser decisiva para um cessar-fogo”, disse Patriota.
Em seu discurso, Hollande também pediu que a oposição síria se organize e forme um governo provisório “inclusivo e representativo”, que seria reconhecido pela França.
As declarações vêm depois do mais mortal massacre no país, que teria deixado ao menos 330 mortos -entre eles, crianças- em Daraya, subúrbio de Damasco.
Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se disse horrorizado com o “crime espantoso e brutal” e pediu uma investigação imediata sobre o massacre.
Na Síria, rebeldes dizem ter derrubado um helicóptero do governo na capital, enquanto ele bombardeava uma região do subúrbio. O regime confirmou a queda da aeronave, mas não que foi abatida.
Ataques com caças em Damasco matam 60
Aleppo - Aviões de combate sírios fizeram raras incursões nos arredores de Damasco, matando ao menos 60 pessoas nos subúrbios a leste da capital no mesmo dia em que um helicóptero militar sírio caiu enquanto era submetido a fogo rebelde, disseram ativistas.
Eles afirmaram que os ataques aéreos de pelo menos dois caças na noite de ontem alvejaram a área de Zemalka e o subúrbio mais oriental de Saqba, onde combatentes do Exército Livre da Síria tinham atacado e tomado vários bloqueios de estradas do Exército naquele dia.
Os dois subúrbios são pobres e habitados predominantemente por muçulmanos sunitas, que formam a maioria da população síria e estão na frente da luta contra o presidente Bashar al-Assad.
Imagens de vídeo vistas por um repórter da Reuters depois do ataque de um dos aviões contra um prédio de apartamentos mostrava pessoas correndo com crianças e o prédio de seis andares desmoronando.
As autoridades sírias proibiram a entrada da maior parte da mídia estrangeira, impossibilitando a verificação dos relatos de ativistas e moradores sobre atividades na capital.
O foco da luta de 17 meses parece ter voltado para os arredores de Damasco depois de semanas de batalhas centradas na cidade de Aleppo, no norte.
Na Organização das Nações Unidas, o secretário-geral Ban Ki-moon condenou os assassinatos em Daraya como “um crime brutal e escandaloso” que deveria ser investigado independentemente.
O novo presidente islâmico do Egito, Mohamed Mursi, pediu ontem aos aliados de Assad que ajudem a tirar o líder sírio do poder.