Regional

Botucatu: 2ª em ataque de abelhas

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Botucatu - Maior produtora apícola do Estado de São Paulo, Botucatu (100 quilômetros de Bauru) aparece em segundo lugar no ranking das cidades paulistas com o maior número de acidentes envolvendo ataques de abelhas. Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta  a cidade com 118 casos registrados entre janeiro e julho deste ano. Campinas e Piracicaba aparecem em primeiro, ambas com 218 notificações.

No Estado ataques de abelhas levam seis pessoas por dia ao hospital. De janeiro a julho deste ano, foram registrados 1.291 acidentes com esse tipo de inseto, dos quais quatro evoluíram à óbito. No ano passado, o número de notificações no Estado chegou a 2.080 de janeiro a dezembro, com três mortes.

Em Botucatu, já houve o registro da morte de um idoso de 89 anos, após tomar 500 picadas de abelhas (leia abaixo).

O supervisor de serviços de Saúde Ambiental e Animal da Vigilância Ambiental em Saúde de Botucatu (VAS), Valdinei Campanucci, diz que o número de solicitações para a retirada de enxames na área urbana saltou de 330, em 2011, para 430 solicitações de janeiro a julho deste ano.

Segundo o supervisor, a maioria dos ataques acontece porque as pessoas não respeitam o limite de 300 metros de residências, animais domésticos e de produção para a implantação da apicultura. Outra aspecto destacado por Campanucci é o de que as abelhas migram para a área urbana porque encontram locais apropriados para se instalarem como telhados, móveis velhos em quintais e caixas de inspeção. “Com a migração para a área urbana, as pessoas ficam mais vulneráveis aos ataques”, explica.

A VAS tem uma parceria com o Departamento de Apicultura da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp/Botucatu. Os agentes da VAS recebem treinamento técnico da Unesp sobre como proceder na retirada de enxames, analisar os agentes externos e se o enxame é migratório ou fixo. Depois de capturados pelos agentes municipais, os enxames são enviados para a universidade, onde são utilizados para produção, pesquisa e ensino pelos  alunos de Zootecnia.

Outro fator que pode causar o alto número de ataques por abelhas na cidade é o descuido dos apicultores e das próprias pessoas atacadas. Segundo Samir Moura Kadri, doutorando em Zootecnia, na área de Apicultura, da Unesp de Botucatu, muitos produtores não conseguem controlar os enxames, que se dividem nas floradas.  “Ao longo da florada, entre a primavera e o verão, o enxame das abelhas dobra de tamanho, e  metade migra para a área urbana, onde encontra locais propícios para se abrigar. O segundo descuido apontado por Kadri é em relação às pessoas, que quando avistam um enxame, se aproximam e acabam por ser atacadas. “O enxame não ataca, apenas se defende”, explica.

Assim como os escorpiões, aranhas e serpentes, as abelhas também são consideradas animais peçonhentos, em razão do veneno contido nos ferrões.

Conforme dados do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, o efeito do veneno varia de organismo para organismo. Dependendo do número de ferroadas, da quantidade de veneno injetado e da demora em busca de auxílio médico, os ataques podem levar uma pessoa à morte caso ela seja alérgica, por exemplo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, Bauru registrou 19 e Marília 54, números considerados baixo com relação às três cidades com maior incidência desse tipo de acidente com abelhas.

 

Morte de idoso

Em março deste ano, em Botucatu, um idoso de 89 anos morreu após levar mais de 500 picadas de abelha. O morador teria esbarrado em uma caixa com várias delas. O idoso foi encaminhado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos. Em 2008, um menino de 12 anos morreu ao mexer num oco de uma árvore e ser atacado por um enxame, também em Botucatu.

 

Orientações

Tanto a Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) como o Departamento de Apicultura da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu orientam a população para que quando avistar um enxame nunca se aproximar ou tentar mexer com intuito de retirada.

Deve entrar em contato com a VAS pelo telefone (14) 3813-5055, das 7h às 17h. Nos finais de semana e feriados, ligar para a Guarda Civil Municipal pelo telefone 199, para que agentes da Vigilância Ambiental em Saúde possam retirar o enxame.

 

Como prevenir ataques

Se descobrir colmeias em seu jardim ou na parede de sua casa, chame profissionais para removê-las. Não faça você mesmo;

Inspecione sua casa e as outras estruturas da sua propriedade mensalmente. Tampe buracos e remova objetos que possam servir de abrigo para as abelhas, como casinhas de cachorro velhas, caixas, entulhos ou objetos ocos;

Se notar um enxame próximo a uma árvore no quintal, não se aproxime dela por três dias. Se não for embora, chame o serviço especializado;

Antes de confinar um animal, seja cão ou cavalo, inspecione o lugar;

Antes de operar um equipamento barulhento (cortadores de grama, tratores, etc.), cheque a área para verificar a presença de abelhas voando. Não opere o equipamento se houver abelhas por perto. (*)

 

Como agir frente ao ataque:


· Segure a respiração até descobrir de onde vem as abelhas;

· Se apenas uma ou duas abelhas estão rodeando você, afaste-se da área cuidadosamente;

· Se você for atacado ou se estiver sendo rodeado por várias abelhas, corra imediatamente. Cubra a boca e o nariz com as mãos enquanto estiver correndo;

· Se seu animal está sendo atacado por poucas abelhas, deixe-o entrar em casa ou abra o portão para que ele possa fugir. Se o ataque for sério, não tente socorrê-lo, mas sim chame o serviço especializado imediatamente para isso.


(*) Fonte: http://www.bichoonline.com.br/artigos/gcao0013.htm

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