Polícia

Acusado de explodir Dise é preso

Tisa Moraes com redação
| Tempo de leitura: 5 min

Está novamente atrás das grades um dos principais procurados pela Polícia Civil de Bauru. Depois de permanecer dois anos foragido, João Vitor de Souza Urias, vulgo “JV” ou “Magrão”, foi recapturado anteontem, em Campo Grande (MS), e transferido ontem para Bauru. Considerado um dos maiores traficantes de drogas da região, ele fugiu com pés e mãos algemados de dentro do Fórum de Bauru, em 2010, depois de participar de uma audiência.

Urias também é apontado como o mentor intelectual da explosão da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu, em novembro de 2008. Acusado de pertencer a uma facção criminosa, ele foi preso em fevereiro de 2009 e cumpria pena em Ribeirão Preto por tráfico, até conseguir fugir do Fórum bauruense.

Desde então, a Polícia Civil buscava pistas de onde o foragido poderia estar. A primeira delas teria surgido em junho deste ano. “Nunca desistimos de recapturá-lo, mas as informações nunca nos levavam a algo concreto. Há dois meses, começamos a encontrar o caminho”, relata o delegado da Dise de Bauru, Ricardo Dias.

Há uma semana, houve a informação de que ele estaria em Campo Grande e, no último domingo, seis policiais se deslocaram até a cidade para dar sequência às investigações. “Já na segunda-feira, descobriram onde ele morava e começaram a observar a movimentação em frente à residência. Tudo foi planejado para não dar chance de fuga”, completa o delegado seccional Marcos Buarraj Mourão.

Por volta das 18h30 de anteontem, Urias chegava do trabalho e foi cercado pelos policiais. Ele não ofereceu resistência e apresentou documento falso, dizendo chamar-se Alex Alves dos Santos. Depois, reconheceu ter fugido do Fórum em 2010 alegando que, na ocasião, não teria contado com a ajuda de comparsas, hipótese praticamente descartada pela polícia. Também afirmou não ter participado do ataque à Dise de Botucatu, em 2008.

Por volta das 18h de ontem, Urias chegou a Bauru, escoltado pelos seis policiais que o prenderam. De cabeça baixa e com pés e mãos algemados, ele tentava se desvencilhar do assédio da imprensa. Depois de passar por exame médico, foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. Posteriormente, deverá ser transferido a uma das unidades prisionais do Estado, onde continuará cumprindo a pena de 34 anos à qual já havia sido condenado.

 

Vida simples

Segundo informações prestadas pela Polícia Civil, Urias - que viveu momentos de fartura e ostentação quando era um dos grandes traficantes da região - levava uma vida simples em Campo Grande. Mudou-se para a cidade no final de 2010 e morava em uma casa em um bairro popular com a esposa e o filho de 1 ano e 9 meses.

Era dono de uma pequena empreiteira, que contava com poucos funcionários para construir e reformar imóveis. Aparentemente, não estava mais envolvido com atividades ilícitas. “Ele e a mulher não possuem nenhum parente no Mato Grosso do Sul. Estavam vivendo sozinhos e, provavelmente, com a volta dele para a prisão a mulher e a criança devem voltar para Bauru, onde a família dos dois está”, adianta o delegado Ricardo Dias.

 

Traficante foi preso em 2009

Morador de Bauru, João Vitor de Souza Urias foi preso em flagrante em 12 de fevereiro de 2009, depois de uma série de apurações da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), que resultaram no desmanche de um laboratório utilizado para o refino e manipulação de drogas. No local, um apartamento de um residencial no Jardim Olímpico, foram encontrados mais de 150 quilos de maconha, 20 quilos de pasta base, 29 bananas de explosivos, farto armamento - incluindo uma espingarda calibre 12 que havia sido roubada da Delegacia de Polícia de Araçoiaba da Serra (SP) - e equipamentos e produtos químicos para a elaboração de drogas.

Também foi localizado um colete à prova de balas que pertencia à Dise de Botucatu, prova que o que ligou à explosão criminosa ocorrida naquela unidade especializada em 2008. No mesmo dia, na casa de Urias, no Jardim Prudência, foi apreendia uma carga de medicamentos roubada avaliada em R$ 20 mil.

Seis pessoas foram presas em flagrante, entre elas Urias, apontado como chefe da quadrilha. Em uma das maiores penas já aplicadas a sentenciados por tráfico em Bauru, ele foi condenado a 34 anos de prisão. Se não tivesse fugido e permanecesse por todo esse tempo na penitenciária, só seria um homem livre ao completar 60 anos de idade.

 

Fuga do Fórum de Bauru

João Vitor de Souza Urias fugiu do Fórum de Bauru no dia 15 de junho de 2010, depois de participar de uma audiência na 3ª Vara Criminal. Com os pés e mãos algemados, ele teria pedido para ir ao banheiro e, mesmo escoltado por um agente penitenciário e dois policiais militares, conseguiu fugir pela janela.

Condenado por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte de armas e explosivos e receptação, cumpria pena em uma penitenciária de Ribeirão Preto. Na época, uma sindicância chegou a ser instaurada pela Secretaria de Administração Penitenciária para apurar se houve facilitação por parte dos responsáveis pela escolta, que eram de Ribeirão. PMs de Bauru, com apoio do helicóptero Águia, realizaram buscas, mas o detento não foi localizado.


Explosão

Em uma ação audaciosa, considerada um dos ataques mais violentos dos últimos 20 anos em todo o Estado de São Paulo, a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu foi alvo de duas explosões em 10 de novembro de 2008. O ataque ocorreu durante a madrugada e durou pouco mais de 15 minutos.

Este foi o tempo suficiente para que uma quadrilha - que a polícia afirma ter sido liderada por João Vitor de Souza Urias - desligasse o sistema de alarme, arrombasse a porta da frente e levasse a central de alarmes (que continha o horário da ação), munição, um cofre com mais de 100 quilos de drogas, estourasse outro cheio de armas, queimasse inquéritos e documentos.

Devido à ação, duas viaturas foram danificadas e a estrutura do prédio da Dise e de casas vizinhas foi abalada.

Na época, a Polícia Civil já acreditava na hipótese de vingança devido às prisões de grandes traficantes realizadas pela Dise, incluindo membros de facções criminosas. O fato de um colete à prova de balas da unidade ter sido encontrado, meses depois, no imóvel alugado por Urias para o funcionamento de um laboratório de refino de drogas acabou vinculando-o ao ataque.

 

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