Tribuna do Leitor

Passarinhos


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Diz uma estrofe de Olavo Bilac: Armas num galho de árvore o alçapão; /// e, em breve, uma avezinha descuidada, /// batendo as asas, /// na escravidão! Oh! que judiação para com uma criaturinha também criada por Deus! Jesus disse: Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta. (Mateus 6.26 - Lucas 12.24)

Pode ser que ela tenha deixado seus filhinhos no ninho, ou esperando sua volta, o companheiro ou a companheira.

E a avezinha é fechada. A portinha da gaiola, com mola, bate. Ela não ficou sabendo por quanto tempo fora sentenciada. Essa portinha vai abrir e fechar-se muitas vezes, até que um dia ela será aberta pela última vez, para que a avezinha, quem sabe, de lá seja tirada... morta.

Enquanto isso ela se bate de encontro aos arames. Fica com a carinha ferida... sangrando.

Mas ela, com o tempo, depois de muito cansada e triste, começa a soltar os primeiros pios, conforme o instinto que Deus lhe deu. Depois passa a entoar de todo a sinfonia que não aprendeu, pois que a nasceu sabendo. Cantando, quem sabe?, para não chorar... de saudades!

Ela gostaria de voar espaço em fora, comer insetinhos e folhinhas, beber água fresca e limpinha do regato, voar com suas companheiras de bando, dormir juntinha com elas a noite inteiral nesta ou naquela árvore e, no dia seguinte, quando os primeiros brilhos da manhã começassem a romper no horizonte, cantar e voar com suas companheiras. Seria a Liberdade!

Euclydes de Carvalho


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