Tribuna do Leitor

Trabalho, saúde e vida!


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Você já viu um artista cênico se aposentar? Artista verdadeiro morre no palco. Você já viu um músico se aposentar? Ele canta e compõe até a morte. Você já viu um escritor se aposentar? Quando ele morre sempre estava escrevendo o livro que ficou inacabado.

Imaginem se o Oscar Niemayer fosse funcionário público e tivesse que se aposentar compulsoriamente aos 70 anos, ainda bem que não, está hoje com 105 anos projetando obras geniais com a mesma felicidade de um menino que risca o seu caderno criando o futuro. Advogados geniais tais como Sobral Pinto, Evandro Lins e Silva que morreram trabalhando respectivamente aos 98 e 90 anos cada um.

É justamente o que aconteceu com o Tio Gastão, do Centrinho, que em plena capacidade laboral e intelectual, no momento histórico mais importante do Hospital de Reabilitação, a ponto de se transformar numa das melhores faculdades de medicina da América latina, se viu retirado de cena pela imposição da compulsória, perdeu o chão.

Na verdade, ele não trabalhava no Centrinho ele amava o centrinho, uma relação profunda, intensa, apaixonada de mais de 40 anos. A tristeza lhe consumou, fragilizando todo o seu ser, trazendo por somatização a neuropatia óptica isquêmica e agora só vê vultos, mas certamente as imagens das lutas, das conquistas, dos sorrisos dos milhares de pacientes que renasceram para uma vida plena fervem em seus pensamentos. Senhores legisladores temos que repensar a aposentadoria compulsória aos 70 anos.

Elias Brandão - bacharel em direito

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