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Hoje é dia de barba, cabelo e bigode

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje comemora-se o Dia do Barbeiro, que embora pareça fora de moda para as gerações mais novas, continua sendo uma profissão forte e muito procurada em Bauru. Hábitos antigos como fazer barba, cabelo e bigode são cultivados por homens de várias idades.

O barbeiro José Carlos Fachim, mais conhecido como “Zé”, atua há 38 anos no ramo e conta que a profissão veio de família, mas que independentemente da “herança”, teve o dom revelado desde cedo.

“Eu cortava o cabelo das pessoas desde novinho, no sítio. Quando vim para a cidade, meu tio tinha uma barbearia, e foi onde fiquei. Fiz mais cursos para me especializar e continuo sem nenhum arrependimento nessa profissão”, orgulha-se o barbeiro.

A clientela de Zé vai de políticos da cidade a crianças. “Atendo todo tipo de pessoa, como advogados, juízes, políticos, padre... tenho uma freguesia bem popular”.

 

Do zero

Já a história do barbeiro Luiz Carlos Biazon foi bem diferente. Há 32 anos ele comprou uma barbearia sem sequer saber “fazer” uma barba. “Eu era novo, mas vi a oportunidade e comecei do zero. Comprei o salão e fiz vários cursos. Aprendi muito, gostei (da profissão) e assim continuo até hoje”.

Para Biazon, a profissão de barbeiro teve seu auge há 15 anos, época em que ele conquistou tudo o que tem hoje. “Essa época foi excelente para trabalhar, mas depois veio a proliferação da profissão. Atualmente melhorou de novo. O ramo está bem competitivo, mas a população aumentou bastante também”, garante.

Biazon “coleciona” uma importante freguesia. “Tem muitos médicos, empresários e juízes que atendo desde os anos 90”, revela.

Com tantos frequentadores, é claro que situações engraçadas acabam acontecendo no salão. Uma delas, lembrada aos risos por Biazon, é a de um rapaz que foi fazer a barba. Ao final do serviço, ele se sentou na ponta da cadeira para olhar de perto no espelho e caiu com o rosto na espuma de barbear. “Essa cena tinha que ter sido gravada. Nunca me esqueço.”

De acordo com os barbeiros consultados pela reportagem, a conversa da freguesia “vai longe” dentro dos salões, incluindo desde “causos” descontraídos até conversas sérias. Temas sobre política e esportes, em especial futebol, nunca faltam nos diálogos.

A profissão de barbeiro, só foi reconhecida pelo Ministério do Trabalho este ano. Contudo, o barbeiro é um dos profissionais mais antigos da história, valorizados até na música com uma ópera em sua homenagem: “O Barbeiro de Sevilha”, de Giovanni Paisielo.

 

São Martinho, o padroeiro

São Martinho de Porres é considerado o padroeiro dos barbeiros. Conhecido como Martinho de Lima, ele conviveu com a injustiça social desde que nasceu em Lima, no Peru. Filho de um cavaleiro espanhol e de uma ex-escrava negra do Panamá, foi rejeitado pelo pai e pelos parentes por ser negro.

Após entrar em um convento, aprendeu a arte de barbeiro, dentista e cirurgião, onde fazia os trabalhos que lhe eram impostos e servia com grande vocação e humildade. A sua beatificação ocorreu em 1837 em Roma, pelo Papa Gregório XVI. Foi canonizado em pelo Papa João XIII. Mais tarde, o papa Paulo XVI o proclamou padroeiro dos barbeiros.

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