Tribuna do Leitor

Moradora


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Sou moradora de Bauru há 33 anos e bauruense, tendo residido em outras cidades, onde pude conhecer outras realidades administrativas, por aproximadamente dez anos.

Infelizmente, Bauru tem demonstrado pouca preocupação em relação à memória local. Nota-se total descaso pelo prédio da Estação Ferroviária de Bauru (localizado no centro da cidade). Desculpem-me, mas parece absurdo, se tiverem oportunidade de conhecer outras cidades perceberão que, atualmente, a maioria dos governos desenvolve iniciativas para manter o patrimônio público em boas condições.

O prédio poderia ter sido tombado, restaurado, integrando o Museu Ferroviário que existe nas proximidades. Além deste, há também outros prédios a serem restaurados, pelo menos na fachada, mantendo as cores originais da pintura. A Câmara Municipal é outra edificação que vem sofrendo alterações; a Capela São Sebastião da Vila Bela está quase destruída e a Praça da Igreja Matriz sofreu sucessivas transformações de desarborização, descaracterização e, até, por que não dizer, enquanto local de socialização.

Lembro a todos que o patrimônio arquitetônico da cidade está diretamente relacionado à memória local; a maneira que se inicia a formação da cidade. Quais políticas colaboraram para essa transformação enquanto forças nas decisões?

Será que há interesse por parte dos governantes, em resguardar a memória para que novas gerações tenham conhecimento de como iniciou Bauru? Será que para tantos jovens, oriundos de outras cidades e estados que residem usufruindo de nossas universidades públicas (todos pagamos impostos); mudarem sem saber nada a respeito da cidade onde se formaram? De que maneira os projetos de extensão à comunidade estão voltados para estes aspectos?

Lembrando aqui, que desenvolvimento não pode ser apenas no âmbito da área de construção civil; a cultura tem que caminhar lado a lado ao desenvolvimento da cidade. Até onde eu sei, a maioria dos estudantes das universidades públicas com campus em Bauru, são de fora; e nós, bauruenses, somos renegados, menosprezados.

Compreender a cultura local é também demonstrar respeito à cidade. É realmente um reducionismo relacionar Bauru a apenas um lanche conhecido; a cidade precisa resgatar a memória, a cultura que aqui tem desenvolvido há mais de cem anos e que tem priorizado segmentos imediatistas.

Memória, cultura, patrimônio imaterial não podem ser compreendidos como fragmentos de uma realidade que se impõe, por meio de forças políticas.

Raquel Andrade

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