Tribuna do Leitor

O poder do voto


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Quando da Inconfidência Mineira, liderada por Joaquim José da Silva Xavier, uma frase em latim - "Libertas Quae Sera Tamem", do poeta romano Virgílio, haveria de ser o lema dos poetas que sonhavam com "Uma liberdade ainda tarde". E ainda que tivessem que ser presos, outros exilados, e o próprio alferes pago com a própria vida, o ideal maior de ver o seu país livre dos opressores; o sonho não terminou.

As ideias germinaram no solo fértil e criou raízes, florescendo-se em coragem. E se fez tronco forte de uma nova mentalidade que o levou a independência e, anos mais tarde, a Republica. O cenário mudou. Os homens agora eram outros, mas o sonho maior de ver o Brasil caminhar sozinho, sem as amarras de uma Pátria que se dizia mãe; e prosseguiu em sua obstinada trajetória.

Atravessamos o ano de dois mil. Fizemo-nos história nas páginas dos compêndios. Viramos manchete quando pintou o penta no outro lado do mundo. Mas nunca estivermos tão pobres, e tão presos e tão premidos pelos países desenvolvidos como nos dias de hoje, e ainda que sejamos uma das maiores potências do globo.

Precisamos apenas de coragem para transformar em nossa arma maior contra a paisagem sombria de um Brasil onde, em paralelo, caminha a corrupção, o suborno, as grandes desigualdades sociais, etc. Falta-nos, sobretudo, gana para lutar contra este clima, que de calmaria, só tem o dia, quando não chove e traz tempestades sobre as calçadas; onde passos inseguros de desempregados, de inadimplentes, de humildes trabalhadores, vão e voltam, em busca de uma esperança que há muito se perdeu entre as brumas de uma politica servil, porque serve apenas aos seus próprios interesses.

Mas as eleições estão aí. Um desfile infindável de candidatos para um número ínfimo de vagas, desfilando nas ondas agitadas do rádio, na tela sem alma da TV, apresentando um elenco mirabolantes de promessas. Francamente, se tivéssemos no século da criação do mundo, diríamos que o Cristo estava de volta, tais os milagres que pretendem realizar, tal a segurança que vamos ter, - tecla sempre batida em repetidas vezes ? diante de uma população que tem medo da própria sombra.

E vamos eleger vereadores; Vamos eleger prefeitos, e o voto é nossa única arma! "E renovar se faz necessário". Reverter essa situação cabe a você, eleitor, que nessa hora se faz o agente mais importante da mudança do destino deste frágil Brasil.

Azis Neme

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