Em assembleia realizada na tarde desta terça-feira, os bancários de Bauru decidiram pela continuidade da greve. A expectativa da categoria é que o número de agências paralisadas cresça ainda mais a partir desta quarta-feira (19).
Na região de Bauru e Jaú, a greve começou forte. Balanço divulgado pelos sindicatos dos bancários registrou 58 agências bancárias fechadas no primeiro dia de paralisação.
Desde as 10h30 desta terça-feira (18-9), 18 agências ficaram fechadas em Bauru como ação inicial da greve dos bancários. O número de adesão subiu para 25 no início desta tarde, segundo balanço do sindicato da categoria - adesão estimada de 40%.
Estão paradas todas as agências do Banco do Brasil/Nossa Caixa e Caixa Econômica Federal (CEF) de Bauru. E todas as agências (inclusive particulares) da região central. Fora do Centro, além de BB / Nossa Caixa e CEF, está parada a agência Santander da avenida Duque de Caxias, acrescenta o sindicato. As 61 agências de Bauru representam 12 instituições bancárias.
Caixas eletrônicos, contudo, funcionam normalmente - inclusive com funcionários para ajudar clientes. Ele acredita no fortalecimento da paralisação a partir desta quarta-feira.
Na região, ainda segundo o sindicato, outras 25 agências estariam aderindo à greve nesta terça-feira - em cidades como Avaré, Santa Cruz do Rio Pardo, Lençóis Paulista e Agudos. Nova assembléia em Bauru será às 16h desta terça-feira, no Sindicato dos Bancários.
Éder Azevedo |
Éder Azevedo |
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Funcionários e clientes no Banco do Brasil da rua Primeiro de Agosto, no Centro de Bauru |
Caixas eletrônicos do BB funcionam normalmente, assim como ocorre em outros bancos em greve |
Para entender melhor
A greve é nacional. Em assembleia realizada ontem à noite, a categoria confirmou a paralisação definida desde a semana passada, já que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentou nenhuma nova contraproposta às reivindicações feitas pelos trabalhadores. Ainda hoje, os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos também devem decidir se irão cruzar os braços.
Na noite de ontem, cerca de 100 bancários participaram de assembleia para determinar as diretrizes do movimento. A partir das 8h de hoje, eles se reunirão em frente à Caixa Econômica Federal da avenida Nações Unidas para, então, se dividir em grupos que formarão piquetes em frente às agências na tentativa de mobilizar os funcionários.
O atendimento por meio de caixas eletrônicos continuará funcionando normalmente e não será prejudicado pelos militantes.
Na última quarta-feira, em assembleia realizada em Bauru, bancários rejeitaram de forma unânime o reajuste de 6% proposto pela Fenaban. Na ocasião, aprovaram a deflagração de greve por tempo indeterminado a partir de hoje.
A categoria reivindica 23% de reajuste, correspondente à reposição da inflação registrada nos últimos 12 meses (5,25%) mais a recuperação das perdas salariais comuns a todos os bancos (17,75%) desde o lançamento do Plano Real, em 1994. Também pedem distribuição linear da participação nos lucros e resultados, contratação de mais funcionários, mais segurança no trabalho, proteção contra demissões injustificadas, fim da rotatividade e de “metas abusivas e combate ao assédio moral”.
Correios
Já os trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos rechaçaram na semana passada, mais uma vez, a proposta da empresa de aumento salarial de 5,2%. Também rejeitaram uma primeira oferta de reajuste, que não ultrapassava a casa dos 3%.
O Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região (Sindecteb) defende aumento de 5,2% a título de reposição da inflação dos últimos 12 meses e mais 5% de aumento real no salário dos funcionários, número que ainda não recupera as perdas acumuladas desde a década de 1990.
A categoria se reúne hoje em assembleia, quando a greve poderá deliberada. Neste caso, a paralisação começaria a zero hora de amanhã, também por tempo indeterminado. No Pará e em Minas Gerais, a categoria já parou.
‘A greve é resultado da inflexibilidade dos banqueiros’, diz presidente nacional da CUT
Em visita ao Espaço Café com Política do JC, o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, manifestou apoio à deflagração da greve pelos bancários em todo o País. De acordo com ele, que pertence à categoria, o reajuste reivindicado pelo movimento é compatível com a lucratividade “exorbitante” obtida pelos bancos nos últimos anos.
“E esta lucratividade só foi possível por conta dos serviços que os bancários prestam. A greve é resultado da inflexibilidade dos banqueiros para negociar, o que é um absurdo. A qualidade do atendimento prestado à população é de baixíssima qualidade porque falta gente para trabalhar, mesmo com os banqueiros cobrando tarifas altíssimas dos seus clientes”, frisa.
Segundo Freitas, em razão das metas estabelecidas pelos bancos, trabalhadores têm adoecido com maior frequência por conta do alto nível de exigência e competitividade. Também estariam cada vez mais expostos devido à falta de segurança no trabalho.
“Eles lidam com volumes enormes de dinheiro. Estão expostos à violência o vigilante, o bancário e os próprios clientes”, comenta. Freitas esteve ontem na cidade para manifestar apoio à candidatura do prefeito Rodrigo Agostinho na sede da CUT de Bauru.
Procon orienta consumidor para a fase de paralisação
Diante do início provável da greve dos bancários em todo o país, a Fundação Procon-SP orienta o consumidor sobre como proceder durante a paralisação. É importante salientar que, independentemente do fechamento das agências, as faturas e boletos bancários devem obrigatoriamente ser quitados se a empresa credora oferecer formas e locais para que os pagamentos sejam efetuados.
Para não ser cobrado de eventuais encargos e, ainda, para que seu nome não seja enviado aos serviços de proteção ao crédito, o consumidor deve entrar em contato com a empresa e solicitar as opções de pagamento, seja por internet, na sede da empresa, em casas lotéricas, por código de barras nos caixas eletrônicos, entre outros.
O consumidor deve documentar esse pedido (enviar e-mail ou anotar o número de protocolo de atendimento, por exemplo), para poder reclamar ao Procon-SP, caso o fornecedor não atender a tentativa de quitar o débito.
É importante que o consumidor não adquira, sem conhecer em detalhes, pacote de serviços oferecidos por bancos voltados a facilitar a quitação dos débitos durante a greve. Dúvidas e reclamações podem ser reportadas ao Procon de Bauru na sede do Poupatempo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3366-6050.
Polícia Federal
A Polícia Federal também continua em greve. Conforme o JC divulgou, por conta da paralisação, foram suspensas todas as investigações que estavam em andamento na delegacia de Bauru e, desde sexta-feira, também foram interrompidas as atividades de análise de inteligência de grandes operações deflagradas pela unidade, que abrange 43 municípios. Entre elas estão a Operação Terra Branca (de combate ao tráfico de drogas) e a Odontoma, que apura desvio de recursos públicos, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços do departamento de bucomaxilo do Hospital de Base.
Continuam sendo realizadas apenas as prisões em flagrante e, parcialmente, os serviços de emissão de passaportes, com prioridade para as solicitações de emergência. Apenas 30% do efetivo continua trabalhando, sendo que o ritmo de emissão de passaportes foi reduzido para este percentual.
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