Esportes

Personagem: Um gigante de 1,62m

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 2 min

O futebol é pródigo em boas histórias. E a várzea bauruense guarda uma joia em seus arquivos. Américo Beghini, o zagueiro de 1,62m, que completa hoje 96 anos. Com uma memória invejável, Ameriquinho, como é conhecido por toda a cidade, relata que começou jogando no ataque, mas acabou recuado para a zaga, setor no qual se consagrou no futebol amador local. “Eu era ponta-direita. Mas tinha um chute muito forte e o treinador falou que eu não poderia jogar na linha e que iria me treinar na defesa. Ele me trocou de posição e passei a jogar de beque central”, lembra. O segredo para se estabelecer como dono da posição nas equipes por onde passou foi a impulsão. Quando saltava, seus 1,62m se agigantavam. “Eu pulava alto e tinha um chute muito forte mesmo e me adaptei bem”, comenta Ameriquinho.

Com uma carreira longa no futebol amador bauruense, Ameriquinho começou no Vila Seabra, jogou no Corinthians do Bela Vista e Canto do Rio, equipe na qual integrou o elenco que conquistou o primeiro campeonato varzeano de Bauru, em 1944. “Foi o primeiro ano que foi disputado o Campeonato Varzeano de Futebol. Foram 13 clubes e fomos campeões invictos com um ponto perdido, só um empate. O campeonato era por pontos corridos”, destaca. De acordo com Ameriquinho, a disputa foi acirrada e na última rodada o Canto do Rio enfrentou o Cruzeiro, concorrente direto pelo título em uma autêntica final. “Estavam os dois em primeiro lugar. Ganhamos o jogo por 3 a 1. Eles marcaram primeiro e viramos”, discorre.

 

Vida de árbitro

Além de atleta, Ameriquinho foi também árbitro. É desta época uma história que considera uma passagem triste em sua trajetória esportiva. “Fui apitar uma partida entre Corinthians do Bela Vista e Triagem. O irmão do Toninho Guerreiro, o Bi, jogava pelo Corinthians. Teve um escanteio e o Bi, que não tinha um braço, virou e matou a bola, que caiu no pé esquerdo dele e dali para o gol. Eu anulei o gol, achando que ele tinha usado a mão. Quando ele reclamou, chorei. Fiquei muito chateado com o erro e pedi desculpas. No segundo tempo, eles estavam perdendo de 1 a 0 e cavei um pênalti para ajudá-los. Marcaram o gol”, recorda.

Além de atleta e árbitro, Ameriquinho trabalhou como dirigente da Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) durante dez anos. 

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