Articulistas

Trânsito problemático

Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril
| Tempo de leitura: 3 min

A propaganda política dos candidatos a prefeito municipal exibida na televisão silencia sobre projetos, ou, ao menos, tentativas na melhoria do escoamento de veículos durante todo o dia nas muitas vias de rolamento congestionadas da zona central, todas elas familiarizadas dos usuários e daqueles que se locomovem por outro meio. O trânsito mostra o modo como a cidade está despreparada, senão a tanto, mal adaptada para acompanhar o crescimento da frota de veículos, predominando os de transporte individual sobre o coletivo por razões que descabe comentar neste texto.

O vaivém de veículos entope as ruas sob o olhar acostumado e indiferente de transeuntes em todo momento do dia, só havendo trégua após o anoitecer. Falta pouco para o trânsito igualar-se ao famoso "horário do rush", ou horário de pico, período em que se inicia e se conclui a jornada de trabalho usando veículos que se multiplicam nas ruas compartilhando todos os espaços viários com outros que circulam o dia inteiro, ajudando a empacar ainda mais os corredores e causando uma irritante sensação de que o trânsito encontrou seu limite de tolerância, mas por ser infinito e sempre crescente, piora a desesperança de ser encontrada uma fórmula razoável para ajustá-lo comportadamente em nossas ruas. A hora do pico é percebida no agitado engrossamento das ruas pelos veículos cujos motoristas deixam o trabalho no mesmo tempo retornando aos lares, momento de grande movimentação de automóveis transportando estudantes do ensino superior às escolas espalhadas em regiões diversas da cidade, e ônibus de transporte urbano superlotados com destaque para trabalhadores do comércio.

Nenhum candidato a prefeito entra pra valer nesse assunto levando esperança de solucionar o trânsito de uma vez por todas com abertura de espaço a eliminar nas ruas o congestionamento de veículos porque conhece sua complexidade e a inviabilidade de atender a promessa aos eleitores. E nem poderá ser diferente. A realidade bem a nossa frente mostra que a solução eficiente desse sério problema está no alargamento das ruas com índice de maior saturação ao trânsito ou, a construção de pistas aéreas sobrepostas à de rolagem. O primeiro projeto implica na desapropriação dos imóveis lindeiros às ruas visadas, revelando-se solução de alcance inexequível, porquanto os imóveis são habitados ou destinados ao comércio, daí a dificuldade da desocupação não só pelo transtorno aos proprietários como também pelo volume de recursos a ser previamente depositado como contrapartida a permanência nas obras pelos empreiteiros, sabido que não há dinheiro suficiente para dar regularidade ao pagamento de indenização por antigas desapropriações.

Como alternativa resta o aproveitamento das ruas paralelas às congestionadas como potenciais auxiliares viárias, porém, essa possibilidade demanda um circunstanciado estudo por técnicos da matéria por envolver diversos problemas, sobretudo, aos moradores. A construção de um elevado sobre uma via permanentemente engarrafada como é a av. Duque de Caxias em quase toda sua extensão, além de comprometer boa parte do orçamento municipal pela exorbitância do empreendimento, dentre tantos óbices, impõe a remoção do posteamento e fiação. Outra despesa previsível e inevitável estaria na desvalorização imobiliária causada aos prédios subjacentes à obra pela poluição advinda da circulação de veículos o que desencadearia uma corrida ao Judiciário em busca de indenização. Em São Paulo, logo depois da construção do Elevado Costa e Silva, mais conhecido por "Minhocão" o município sucumbiu em centenas de ações judiciais dos proprietários de casas e apartamentos em busca de indenização. O que sobra fazer para ao menos mitigar o transtorno? Continuar com ações paliativas como implantação de obstáculos, instalação de semáforos, medidores de velocidade funcionando ao mesmo tempo como ameaça ao abuso e agente eletrônico de arrecadação, mais outras engenhocas imaginadas futuramente para conter o impulso de motoristas incautos, não equivale a criação propriamente destinada a resolver os gargalos do trânsito. O constante crescimento da frota de veículos e a dificuldade de aumentar espaços de rolagem para dar equilíbrio a uma circulação desprovida de transtornos, são o grande desafio ao administrador, tal como é a saúde e a segurança pública. (

O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d?Abril, é professor universitário, aposentado

Comentários

Comentários