Política

Até Tiririca tenta "salvar" Saúde

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Problema crônico na cidade, a Saúde de Bauru é alvo de preocupação até do palhaço Tiririca. O deputado federal do PR, mesmo partido do secretário municipal da área, apresentou ao Orçamento Geral da União emenda parlamentar no valor de R$ 150 mil para serem investidos na saúde básica da cidade, que confiou a ele 8.943 de seus 1.352.820 votos.

A ‘mãozinha’ para Bauru está sendo divulgada pelo boletim informativo do mandato de Francisco Everaldo, o nome verdadeiro do deputado-palhaço. Apesar disso, o dinheiro ainda não chegou aos cofres públicos do município nem sequer está garantido.

No Congresso Nacional, os parlamentares apresentam suas indicações de emendas, que dependem de aprovação, neste caso, do Ministério da Saúde. Isso ainda não aconteceu, o que significa que a verba ainda não está empenhada. Ainda assim a ‘conquista’ foi divulgada pela equipe de Tiririca.

A reportagem obteve informações junto ao gabinete do parlamentar que emendas de R$ 150 mil foram apresentadas para outras nove cidades do Estado de São Paulo, sendo que sete delas já estariam empenhadas. Um dos assessores de Tiririca alega que, em poucos dias, o mesmo deve acontecer com o pedido para Bauru.

O critério para a escolha do município, junto a Atibaia, Bauru, Borá, Cruzeiro, Franco da Rocha, Hortolândia, Ilhabela, Itapetininga, Lorena e Silveiras, é definido pelo deputado federal junto com seu chefe de Gabinete. O Jornal da Cidade, porém, não conseguiu entrevistá-los ontem.

O Ministério da Saúde informou que a solicitação da emenda foi cadastrada pelo deputado em maio, mas ainda aguarda análise.

Segundo o órgão, o pedido é dirigido à atenção básica de saúde, como prevê o Fundo Nacional de Saúde. O dinheiro, caso seja liberado, pode ser investido na compra de equipamentos e unidades móveis para postos, centros e academias de saúde, além do Programa Saúde da Família (PSF), um dos grandes gargalos do município.

 

Problemas

Apostando no trunfo de quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) – duas ainda em construção, a administração municipal avançou pouco na atenção básica. Prova disso é a estagnação do número de unidades do PSF em sete, sendo que a promessa do governo Rodrigo Agostinho (PMDB) era chegar a 36.

Além disso, o serviço continua sendo terceirizado junto à Sorri-Bauru, apesar da proibição por regulamentação federal. Fernando Monti sempre apostou na Fundação Regional de Saúde como solução para o caso.

Além da saúde básica, a cidade vive um caos na retaguarda da urgência e emergência, que se agravou com a crise da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), em 2009, reduzindo em 60% a produção do Hospital de Base (HB). Outra deficiência crônica é a defasagem dos valores repassados pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

É sem acento

Apesar da boa intenção de Tiririca, a equipe do deputado federal derrapou na ortografia no boletim informativo. O nome da cidade de Bauru é grafado com acento: ‘Baurú’.

 

Retribuição

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, comentou com o JC que desconhece a motivação para a intenção de Tiririca em ajudar Bauru, negando qualquer tipo de pedido ou negociação em razão da mesma filiação partidária. Vale lembrar que o irmão de Fernando, Milton Monti (PR), também é deputado federal por São Paulo, eleito pela mesma sigla.

O titular da pasta na prefeitura, porém, acredita que a iniciativa de Tiririca pode ser uma forma de agradecer o município pela expressiva votação. “Muita gente reclama que Bauru vota nas pessoas de fora. Disseram que o Tiririca nunca veio aqui. Talvez isso tenha chegado aos ouvidos dele e ele quis ajudar”, supõe Monti. 

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