Lima - A presidente Dilma Rousseff disse ontem, no Peru, que países desenvolvidos praticam protecionismo disfarçado ao reduzir exportações de países em desenvolvimento. Dilma criticou, mais uma vez, as políticas fiscais e de austeridade adotadas por países ricos, que não estariam sendo eficazes para combater problemas como o elevado desemprego, e estariam tornando estas nações “artificialmente mais competitivos”.
“O efeito cumulativo dessas políticas monetárias expansionistas conjugadas a uma exagerada austeridade exporta a crise para o resto do mundo e não resolve os graves problemas dos países desenvolvidos, como o desemprego galopante e a desesperança”, disse Dilma, durante a abertura da Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), em Lima, no Peru. “O acesso a nossos mercados é, pois, extremamente facilitado por essas políticas de desvalorização das moedas. Um protecionismo disfarçado se impõe ao se reduzir as exportações dos nossos países em desenvolvimento”, disse.
A presidente Dilma tem sido contundente nas críticas às políticas fiscais e as medidas de austeridade adotadas pelos países desenvolvidos, e já declarou que até o momento não conseguiram oferecer uma resposta adequada à crise.
Ao mesmo tempo, a presidente defende as medidas de “defesa comercial” que vem tomando para fazer frente à crise mundial e que já foram tachadas de protecionistas pelos Estados Unidos, depois que o Brasil anunciou a elevação de tarifas de importações.
Em discurso na ONU, na semana passada, Dilma afirmou que não se pode aceitar que medidas legítimas de defesa comercial adotadas pelos países em desenvolvimento sejam classificadas “injustamente” como protecionismo.
Violência e intolerância religiosa
Lima - Em meio à crise da Síria (leia mais na página 20), às revoltas populares em vários países de maioria muçulmana e aos ataques a representações diplomáticas norte-americanas e de aliados, a presidente Dilma Rousseff condenou ontem a violência e o preconceito contra o islamismo e os Estados Unidos.
Ao discursar na 3.ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo América do Sul - Países Árabes (Aspa), ela criticou qualquer possibilidade de intervenção militar externa nos países em conflito. As informações são da Agência Brasil. “(A solução) só poderá ser encontrada por eles próprios (os países em conflitos). Sabemos que o caminho desses países passa por eles’’, disse a presidente, em defesa da busca pelo diálogo e uma alternativa negociada.
Dilma reiterou ainda que as manifestações na Primavera Árabe refletem os desejos universais. “O mundo árabe vive profundas mudanças, que exprimem anseios universais, como (o desejo de) justiça social e liberdade’’, disse a presidente, lembrando que a história recente na América do Sul mostra que os países da região também viveram “processos semelhantes e luta política e inclusão social’’.