São sete os vereadores que não estarão na Câmara Municipal de Bauru a partir do ano que vem. No entanto, três deles já cumpriam ‘aviso prévio’ antes mesmo do início do período eleitoral. Marcelo Borges (PSDB) e Amarildo de Oliveira (sem partido) não concorreram à reeleição e Chiara Ranieri (DEM) sabia que, independentemente do resultado da disputa pela Prefeitura de Bauru, não voltaria ao Legislativo no ano que vem.
Entre esses parlamentares, Amarildo é o que se mostra mais entusiasmado com o futuro na vida pública. Mais votado no pleito de 2008, ele diz que só não se candidatou em 2012 por estar sem legenda. O vereador se desligou este ano do PPS, quando o partido, que era de oposição, decidiu embarcar na arca de alianças em torno do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB).
Dessa forma, Oliveira ficou impedido de concorrer no pleito, pois a legislação exige que o político esteja filiado há pelo menos um ano em uma sigla para que tenha o direito de disputar uma eleição.
“Eu tinha o plano de continuar, mas como eu iria explicar para o meus eleitores um material de campanha com a minha foto do lado do Rodrigo? A gente precisa ter lado e manter as convicções”.
Amarildo argumenta que seu ‘trabalho feito’ o gabarita para novas disputas, mas diz que é muito cedo para pensar em 2014. Há dois anos, ele chegou a realizar ato em prol de sua campanha para deputado estadual, que não foi viabilizada posteriormente. “Não depende só da minha vontade”, frisa.
Quatro propostas
Amarildo conta que já recebeu proposta de quatro partidos para dar continuidade a seu futuro político: PSDB, DEM, PTB e PDT. Os dois primeiros estiveram com o vereador na bancada de oposição ao governo municipal. No entanto, o vereador sempre demonstrou resistência ao se aproximar do ninho tucano.
Durante a construção do cenário eleitoral de 2008, chegou a criticar publicamente a possibilidade de o partido lançar Elizeu Eclair Teixeira Borges como candidato à Prefeitura de Bauru. Os dois têm antigo desafeto.
Por outro lado, Oliveira sempre foi muito próximo de Chiara Ranieri (DEM) e José Roberto Segalla (DEM), mas não garante que vá se filiar ao partido dos colegas, até mesmo com a missão de reestruturar a sigla, que não elegeu parlamentares para a próxima Legislatura e saiu como a principal derrotada do último processo eleitoral.
Segundo o vereador, o convite do PDT partiu do deputado estadual Major Olimpo, já que, no município, a sigla é comandada por Fabiano Mariano (PDT), aliado do prefeito. No PTB, que também apoiou Rodrigo, a proposta veio de lideranças regionais. “Estou analisando tudo”, afirma.
Decisão para depois...
Depois de cumprir dois mandatos e ganhar destaque no cenário político local como líder da oposição no Legislativo, Marcelo Borges (PSDB) decidiu não tentar a segunda reeleição este ano, alegando que vai dar prioridade à sua vida pessoal e profissional. Presidente do PSDB de Bauru até março deste ano, ele não descarta, porém, um retorno à vida pública, mas garante que ainda é cedo para discutir 2014. “Deus que sabe. Não tenho bola de cristal. Política nunca pode falar que não”, declarou.
O tucano evitou fazer uma avaliação de seu mandato, dizendo que deu seu máximo, mas o julgamento deve ficar a cargo da população.
Candidata à prefeita derrotada no último domingo, Chiara Ranieri (DEM) confessou, ontem, durante a sessão que julga como suficiente um mandato na Câmara. “É o encerramento de um ciclo de quatro anos”.
Apontada nos bastidores político como potencial candidata à deputada em 2014, a vereador garante que, no momento, não deseja sequer pensar sobre seu futuro político. A demista deve se concentrar agora em suas atividades à frente da diretoria das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), de propriedade de sua família.
Segalla: ‘Em dezembro, encerro minha vida pública’
Ausente na sessão da Câmara realizada no dia seguinte após a votação que não o reelegeu, o vereador José Roberto Segalla (DEM) declarou ao Jornal da Cidade que pretende encerrar sua vida pública em dezembro deste ano, quando chega ao fim o mandato da legislatura 2009-2012.
Engenheiro e promotor público aposentado, ele explicou que, caso reeleito, já não disputaria o terceiro mandato, ressaltando ainda que não participará do pleito em 2014. “Descarto totalmente [uma candidatura a deputado]”. Segalla avalia também que enfrentaria dificuldades em um segundo mandato por conta do cenário político formado no último domingo. “Eu não mudaria minha postura por nada e acho que seria o único na autêntica oposição, com pré-disposição a fiscalizar o Executivo ininterruptamente”, argumentou.
O vereador declarou ainda que a experiência no Legislativo foi positiva pelo fato de ter conhecido a política partidária. “Não conhecia como funcionava. Agora, se eu gostei do que vi, já são outros quinhentos”, disparou.