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Entrevista da Semana: Clóvis Aparecido Cavenaghi Pereira

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Diretor faixa preta

Deus, família, judô e trabalho. Assim pode ser definida e dividida a rotina de Clóvis Aparecido Cavenaghi Pereira, diretor do Sesi Bauru. Homem religioso, apaixonado pela família, “maluco” pelo judô e dedicado ao trabalho, ele contou parte de suas histórias pessoais e profissionais à equipe do JC enquanto mostrava com orgulho as dependências do Sesi, instituição da qual faz parte há pelo menos 32 anos. “Minha vida se confunde com a do Sesi”, confessa.

De guarda-vidas a diretor, Clóvis passou por vários cargos até assumir o atual. Segundo ele, um de seus maiores orgulhos e desafios profissionais foi ter “impedido” o fechamento de duas escolas da região de Araçatuba quando trabalhou naquela unidade: “Pedi uma chance ao superintendente e disse que se eu não conseguisse cumprir o combinado ele poderia até me tirar do Sesi. Ao final do prazo, a escola foi reativada. E, agora, as duas que iriam fechar ganharão prédios novos”, conta.

Apaixonado pela família, Clóvis se lembra da emoção de ver as duas filhas nascerem. Também fala de fé e do seu bom vício que é o judô. “Comecei no judô aos 14 anos de idade, participei de campeonatos de peso e ganhei vários troféus e medalhas. Parei por um tempo, mas voltei porque não consigo ficar longe do esporte”. Confiras estas e outras passagens da vida do entrevistado de hoje, a seguir.

 

Jornal da Cidade - Você costuma dizer que a sua vida se confunde com a do Sesi.

Clóvis Aparecido Cavenaghi Pereira - Sim. Digo isso porque estou trabalhando no Sesi há 32 anos, isso com contrato efetivo, já que estou aqui desde 1974.


JC - O Sesi foi o seu primeiro emprego?

Clóvis - Não. Antes eu trabalhei em escritórios de contabilidade, em supermercados e até entrei para o serviço militar. Mas não me acertei com a vida militar, o estilo não combinou comigo e, por isso, voltei a Bauru para trabalhar em um escritório de contabilidade. Oito meses depois, eu prestei um processo seletivo e vim para o Sesi, isso aos 19 anos de idade.


JC - E por que desistiu de ser militar?

Clóvi - Eu entrei para a Força Aérea. Acho a farda linda, mas não em mim. Comigo não funcionou. O sistema militar não casou com a minha personalidade.


JC - Você ainda era um menino quando entrou no Sesi. Como vê essa sua relação com a instituição?

Clóvis - O Sesi trouxe tudo para mim. Eu queria estudar, mas meu pai era pintor de parede e éramos em quatro irmãos. Entrei no Sesi ganhando três vezes mais do que eu ganhava no escritório de contabilidade. Isso para mim foi fantástico. Embora não fosse o curso que eu gostaria de ter feito, eu prestei a Faculdade de Direito. 


JC - Como caminhou a sua trajetória profissional no Sesi?

Clóvis - Minha primeira função remunerada no Sesi foi de guarda-vidas, isso em 1977, quando eu era atleta e praticava judô. Em 1980, eu entrei como escriturário. Cinco anos depois, veio a promoção de encarregado da área de pagamentos. Foi o ápice da minha vida. Terminei a faculdade, já tinha um bom salário e me casei. Cinco anos mais tarde, eu me tornei o gestor de recursos humanos da região de Bauru. Isso até 2001, quando eu prestei um processo seletivo para um banco de talentos do Sesi. Essa foi a minha grande chance profissional.


JC - O que mudou depois disso?

Clóvis - Antes desse processo era preciso ter uma indicação forte para chegar a um cargo de diretor. Quando saiu o resultado, o Sesi investiu dois anos em treinamento, fiz muitos cursos. Com as mudanças, eu fiquei sem função, mas como estava no banco de talentos, fui trabalhar em São Paulo para reformular o serviço de recursos humanos, isso em 2001. Fiz uma consultoria em todo o Estado de São Paulo pela diretoria do Sesi. Eu ficava um período na Capital e outros nas unidades do Estado. Foi um período de reestruturação do trabalho de recursos humanos do Sesi no Interior.


JC - Como voltou a Bauru?

Clóvis - Em 2004, essa consultoria estava chegando ao fim e eu fui convidado para ser um trainee de diretor na unidade de Rio Claro. Em agosto de 2005, fui nomeado diretor de Araçatuba, onde fui com toda a família e ficamos lá por três anos. Em 2008, fui convidado a voltar para Bauru como diretor. Estava em casa novamente e em uma unidade de grande expressividade. Para mim isso foi um prêmio. A família toda ficou muito feliz.


JC - Um desafio profissional.

Clóvis - Tem uma história que aconteceu em Araçatuba e que me agrada bastante. Como eu disse, eu fiquei na cidade por uns três anos. Quando lá cheguei, havia duas escolas encerrando as atividades em duas cidades da região. Imagine a minha tristeza ao ver isso e ao ver a cara do pessoal nas escolas. O interessante é abrir escolas e não fechar. Aquilo não entrava no meu coração. Saí de Bauru e fui para São Paulo falar com o superintendente. Aquelas escolas estavam com ausência de beneficiário, que são os funcionários da indústria. Uma delas, em Andradina, estava com somente 8% de beneficiários e a margem de corte era de 80%. Pedi uma chance de um ano para o superintendente. Eu disse que se não conseguisse os 80% de beneficiários, ele poderia até me tirar do Sesi. Ao final do prazo, a escola foi reativada com 100% de beneficiários. Esse foi um dos meus maiores desafios profissionais e me orgulho disso. Com a escola de Mirandópolis aconteceu a mesma coisa. E, agora, as duas que iriam fechar ganharão prédios novos.


JC - Como nasceu a sua história com o judô?

Clóvis - Comecei a praticar tal esporte aos 14 anos de idade, já velhinho para a modalidade (risos). Mas foi uma descoberta fantástica e me dei bem. Eu fui para o Sesi fazer uma peneira para o futebol e tinha uma fila muito grade. Bom, um professor sugeriu que eu fizesse judô e eu me lembrei de um primo que era faixa preta na modalidade. Fui e me apaixonei. Posso dizer que o judô é mais do que um hobby, é um vício. Cheguei a ficar uns 13 anos sem treinar por falta de tempo, mas voltei porque é realmente algo que não consigo deixar.


JC - E coleciona títulos no esporte?

Clóvis - Consegui alguns títulos interessantes e entrei para uma equipe fantástica na década de 1970. A equipe de judô do Sesi sempre foi muito forte. Disputei campeonatos regionais, paulistas... Eu treinava de manhã, tarde e noite. Entretanto, quando minha primeira filha nasceu eu parei para cuidar dela. Bom, quando fui para Araçatuba, eu reencontrei um amigo do judô da década de 1970. Começamos a articular uma maneira de levar o judô para aquela unidade, mas quando estávamos para colocar o projeto em prática, viemos para Bauru e conseguimos trazer o esporte novamente para cá, com a ajuda do pessoal do esporte, como o Artêmio e outras personalidades, por exemplo. O judô voltou para Bauru em 2010 e já temos 600 alunos no programa chamado “Atletas do Futuro”, com crianças e adolescentes que saem das ruas para o esporte. Também há um grupo de 35 crianças que recebem bolsas para treinar. Temos um campeão pan-americano, uma vice-campeã e quatro atletas na Seleção Brasileira. É isso que me desperta para colocar o quimono, passar ali duas horas e chegar em casa com a sensação de dever cumprido.  


JC - Uma forte emoção.

Clóvis - Tive grandes emoções na vida, mas, com certeza, nada se compara com o que eu senti quando minhas duas filhas nasceram. Quando a mais velha nasceu eu desmaiei de emoção, não aguentei (risos). A segunda nasceu em outro hospital e eles me mostraram a pequena em um carrinho de vidro. Eu estava esperando um pacotinho, como foi com a primeira, e ela veio naquele carrinho de vidro... Eu imaginei qualquer coisa, menos que estava tudo bem. Quase desmaiei outra vez (risos). Até que o médico me disse que ela estava bem. Cada nascimento trouxe uma sensação, mas foram duas emoções muito fortes.


JC - Você é um homem religioso?

Clóvis - Sou bastante religioso, sim. Sou diácono da Igreja Batista e acho fantástica a possibilidade de me sentir amparado por Deus, me sentir nas mãos dele. Tenho a perfeita noção de que sou o dono da minha vida, mas é tão bom sentir o frescor da presença de Deus em minha existência... Isso me faz muito bem. Há quem interprete isso como uma maneira de se esconder, já eu vejo Deus como o meu norte, a minha direção, a minha razão de vida.


JC - Planos para o próximo ano?

Clóvis - Entre as novidades está o início da escola na cidade de Lençóis Paulista. Hoje, se eu me aposentar, eu me aposento feliz. Eu já tenho tempo para isso, mas ainda estou novo (risos). Entretanto, acho que já cumpri o meu dever e acho justo dar o meu lugar para um jovem. Tudo o que é novo é assustador, mas também é positivo. Estou me preparando para a aposentadoria, inclusive espiritualmente. Mas do judô eu não me aposento (risos).


Perfil

Nome: Clóvis Aparecido Cavenaghi Pereira

Idade: 52 anos

Local de Nascimento: Bauru

Signo: Virgem

Marido/Mulher: Sônia Cristina

Filhos: Natália Cristina e Mariana Cristina

Hobby: Judô

Livro de cabeceira: A Bíblia. Além dela, um livro marcante é “A Lei do Triunfo”

Filme preferido: “Perfume de Mulher”

Estilo musical predileto: Sertanejo de raiz e música clássica

Time: Corinthians

Para quem dá nota 10: Para a família, em espacial para a minha

Para quem dá nota 0: Para a fofoca, que desestrutura os relacionamentos

E-mail: cpereira@sesisp.org.br

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