Interessante matéria com Egon Zehnder que saiu na revista Veja, edição n 2291, de 17 de outubro. Aborda ponto que influencia decisivamente na economia do país e, infelizmente, é pouco lembrado por gestores, políticos e população. Preocupa-se em demasia com a corrupção ? verdadeiro cancro que deve ser combatido impiedosamente, todavia, despreza-se um mal muito maior: a incapacidade de algumas pessoas para ocupar determinados cargos públicos. Sim, são nomeadas pessoas que não reúnem a mínima condição e habilidade para desempenhar funções importantes, porém estão lá por conta de vontade política, obedecendo ao famigerado cargo de confiança. Segundo Egon, um dos maiores headhunters do mundo - profissionais que selecionam funcionários competentes para ocupar cargos em instituições, um trabalhador qualificado, a depender de sua área de atuação, representa um ganho de mais de 40% em produtividade.
Portanto, prezado leitor, faça a conta: a corrupção representa cerca de 5% do que perdemos, talvez um pouco mais, no entanto, a incapacidade dos servidores para ocupar determinadas funções torna-se motivo de um gigantesco atraso na gestão de nossas instituições, sejam públicas ou privadas. Imagine o que perdemos em termos de produtividade, bom atendimento e competitividade com outros países porque parte das pessoas que estão em determinados cargos não estão treinadas e capacitadas para o desempenho de suas funções. A decisão equivocada de um gestor numa área estratégica da empresa pode causar danos dos mais graves. Como, então, colocar alguém sem conhecimento técnico da área para desempenhar a função apenas para agradar este ou aquele partido? A verdade é que faltam administradores competentes em nossas organizações. Puxe na memória e note em sua cidade quanto prejuízo já ocorreu por conta de decisões equivocadas por alguns secretários ou mesmo por parte mandatário máximo, o prefeito.
Analisemos nossa Bauru, quanta trapalhada já ocorreu aqui por conta de secretários e prefeitos despreparados? Preciso citar? O Jornal da Cidade faz isso a todos os instantes... DAE, caso da carne, viaduto... São trapalhadas das mais lamentáveis que geram enorme prejuízo aos cofres públicos. Quanto atraso, quanta ineficácia na gestão por um simples motivo: falta de capacidade para selecionar a pessoa adequada para desempenhar uma função. Veja quanto dinheiro perdemos não apenas por corrupção, mas, sim, por incompetência. No entanto, pouca gente cobra isso, pouca gente cobra competência dos gestores. Um erro grave de nossa parte. Extremamente equivocados queremos que o indivíduo seja honesto, mas desprezamos suas competências e habilidades. É preciso profissionalizar as instituições, aprender a escolher os melhores e deixar de lado um pouco as questões de apadrinhamento político. Respeitar o imposto pago pelo contribuinte é oferecer serviços de qualidade, e para isso é necessário gente capacitada. Enquanto olhamos apenas para o lado da corrupção nos esquecemos de que a incompetência é responsável pelo péssimo investimento dos recursos públicos.
Festejar o Supremo Tribunal Federal pela punição dos corruptos é um sinal de que estamos amadurecendo. Porém, é preciso um pouco mais; é necessário fiscalizar se os indivíduos que ocupam os cargos de confiança estão preparados para desempenhar com qualidade suas funções. Este é um papel da população, sem dúvida. Fiscalizar se os homens que dirigem a nação têm capacidade para isso é exercitar a cidadania e não desperdiçar o nosso próprio dinheiro.
O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião