As ações do Facebook dispararam na quinta-feira passada depois do anúncio de que começou a ter receita vinda de dispositivos móveis, o que o mercado encarou como a virada das sucessivas quedas.
A conta feita por analistas dos EUA é que a rede social gera cerca de US$ 3 milhões por dia a partir de smartphones e tablets, o que lhe confere potencial para atingir US$ 1 bilhão ao ano. Desde a entrada na Bolsa até quinta-feira, os papéis despencaram à metade do valor inicial de venda (US$ 38).
Isso era motivado pela desconfiança do mercado sobre a capacidade de a empresa conseguir faturar com seus crescentes usuários de plataformas móveis. O Facebook passou a contar com mais usuários móveis do que fixos no terceiro trimestre. Já são 67% do total.
O ceticismo parece ter ficado para trás. Registrando a maior alta após a abertura de capital, em maio, as ações subiram 19,13%, a US$ 23,23. Enquanto o mercado retoma euforia semelhante ao período pré-IPO, novos desafios começam a surgir.
Para Roberto Belfort, da consultoria de tecnologia Frost & Sullivan, daqui para a frente a meta será consolidar as receitas vindas do “mobile” e criar novas formas de angariar mais recursos com cada usuário.
Depois de reunir 1 bilhão de pessoas, ficará mais difícil ampliar a rede e em alguns países, como os EUA, já atingiram a saturação.
Para analistas, entrar na Bolsa deu um choque de realidade ao Facebook, que passou a buscar resultados a cada novo lançamento. O Facebook atribui o avanço a serviços como as “Histórias patrocinadas”, um link para notícias ou para as páginas de marca, endossados pelo “curtir” de algum amigo.
“Agora, desde a criação do produto, já se preocupam em como vai ganhar dinheiro no ‘mobile’”, disse Belfort. “No passado, os desenvolvedores pensavam na qualidade e depois uma outra área analisava como iriam ganhar dinheiro.”
Isso ficou claro agora. A empresa saltou de um faturamento zero vindo dos aparelhos móveis no segundo trimestre para uma participação desse meio de 12,4% da receita apresentada quinta-feira de US$ 1,26 bilhão, que, acima das expectativas, ajudou a puxar o Facebook na Bolsa.
O fato suplantou o segundo prejuízo seguido do Facebook, de US$ 59 milhões. O primeiro havia sido maior, de US$ 157 milhões.