Em reportagem surpreendente, uma das maiores nadadoras brasileiras de todos os tempos, Joana Maranhão, declarou que, para chegar a sua terceira Olimpíada, realizou treinamentos nos Estados Unidos, em Sierra Nevada, custeados pela sua família (Por vaga, Joana Maranhão paga treino do bolso: "foi duro para todos" - 22 de julho de 2012 ? Portal Terra). Se a atleta não tivesse obtido resultados positivos, provavelmente teria tido que arcar com todos esses gastos. As despesas foram reembolsadas pelo governo de Pernambuco, com certeza incomodado com o tratamento dado a uma filha da terra tão ilustre e vitoriosa. Parece que os treinamentos à parte são comuns para aqueles que almejam algo mais no esporte de alto rendimento e não são custeados integralmente pelo Comitê Olímpico Brasileiro e as respectivas confederações, o que revela a dificuldade do Brasil realizar uma boa preparação em um ciclo Olímpico de quatro anos.
É triste saber do montante de dinheiro existente para os esportes de alto rendimento e que faltam para a massificação do esporte de uma forma geral, e o tratamento dado a atletas que, apesar da idade, com treinamento adequado poderiam chegar a resultados satisfatórios para o país mostrando a importância do Espírito Olímpico tão ausente nos tempos que correm. Em compensação, no futebol, esporte que agrega multidões e que inventado na Inglaterra se aclimatou de forma ótima ao nosso país, os recursos astronômicos da Confederação Brasileira de Futebol servem para manter privilégios inaceitáveis só para garantir apoio político dos presidentes das Federações Estaduais de Futebol (Turismo, CBF levou 11 presidentes de federações e acompanhantes a Londres a um custo de R$ 1 milhão. Esporte D2 ? Folha de São Paulo). Fizeram turismo na Inglaterra, com direito a acompanhante ao custo de R$ 1.000.000 (Um milhão de reais).
No chamado "Vôo da Alegria" os membros da CBF e seus convidados tiveram direito a hotéis exclusivos, acesso aos lugares freqüentados pelos atletas da Seleção Olímpica de Futebol e ingressos grátis para todos os jogos, com a "comitiva alegre" permanecendo 21 dias em Londres. Presumia-se que os nossos jogadores terminariam com uma bela medalha de ouro, o único título que falta ao premiado futebol brasileiro, premiado sim, mas péssimo em exemplos de civilidade, respeito ao dinheiro público, atitude profissional de seus dirigentes.
No nosso país, 98% dos jogadores de futebol profissional ganham um salário mínimo ou menos e grande parte deles mora nos clubes debaixo das arquibancadas que recebem milhares de brasileiros encantados com o futebol que se joga por aqui. Além disso, pela importância do futebol para a cultura e a economia do Brasil e pelos recursos que possuem, quais são os projetos sérios voltados ao futebol de base, voltado para as crianças e ao futebol feminino tão reconhecido quanto o masculino, mas tão maltratado? Em um momento tão importante para o esporte, como uma Olimpíada, deveríamos refletir e discutir o que esperamos do esporte nacional: só medalhas sem o reconhecimento e investimentos naqueles que já fizeram tanto como a nadadora Joana Maranhão, e se o futebol deve continuar dando exemplos lamentáveis de conduta dos seus dirigentes enquanto a maioria dos jogadores padecem com as más condições trabalho.
Em tempo: a natação feminina do Brasil também clama por um resultado inédito de uma medalha Olímpica de qualquer coloração enquanto o futebol, devido a suas mazelas no Brasil e no Mundo, dá mostras de não ter dirigentes comprometidos com o Espírito Olímpico do Barão de Coubertin, como nos mostra a justiça da Suíça, que flagrou os dirigentes máximos do esporte bretão no Brasil recebendo, há alguns anos atrás, uma pequena "ajuda de custo" de R$ 14 milhões de dólares ou então o dirigente máximo da Fifa querer suspender leis brasileiras em nome do lucro da Copa de 2014 ou um funcionário dessa entidade futebolística recomendar que levássemos "um chute no traseiro", todos nós brasileiros, pois estaríamos atrasados com as obras da Copa de 2014.
O autor, Fabio Paride Pallotta, é professor de história e colaborador de Opinião