Recebeu alta a agente de limpeza Simone Pereira da Silva, 26 anos, que foi atingida por um disparo acidental de arma de fogo no último dia 28 de setembro, no prédio de Execuções Criminais de Bauru. A bala, que partiu do revólver de um vigilante contratado pela empresa terceirizada GF Segurança Patrimonial, permanece alojada na medula espinhal da vítima.
Ela ficou 29 dias internada no Hospital de Base (HB) e voltou para casa no último sábado. Por conta de algumas sequelas, a mulher precisaria de tratamento médico especializado, que, segundo a família, teria sido garantido pela GF Segurança Patrimonial quando o incidente ocorreu.
Mas, ainda de acordo com parentes, assim que Simone recebeu alta, a empresa teria dito que nenhum suporte seria oferecido. Procurada pela reportagem, a GF Segurança Patrimonial não se manifestou sobre a acusação.
Quando o acidente ocorreu, Simone, o vigilante R.G.A.S. (somente as iniciais foram divulgadas), 23 anos, e uma terceira pessoa almoçavam em uma área restrita do prédio de Execuções Criminais, que fica na quadra 12 da avenida Duque de Caxias, no Altos da Cidade. No momento em que o homem retirava o revolver calibre 38 da cintura, o equipamento teria escorregado e, na tentativa de evitar que a arma caísse no chão, houve o disparo.
O projétil atingiu três órgãos da vítima: rim, intestino e fígado. “A Simone ainda está com cateter no rim e a bala ficou alojada na medula. Ela recebeu alta, mas a perna direita está dormente e bastante inchada”, comenta a tia da agente de limpeza, Helena Félix da Silva Ribeiro.
De acordo com ela, os médicos que atenderam a paciente a teriam orientado a procurar médicos especializados, como cirurgiões vasculares e neurologistas. Mas, sem plano de saúde, a família argumenta não ter condições financeiras para o tratamento adequado.
“Fomos atrás da empresa de segurança, que tinha prometido ajuda, e eles nos mandaram procurar o SUS (Sistema Único de Saúde)”, reclama Helena. Ainda de acordo com ela, a injeção que Simone deveria tomar diariamente, de alto custo, não foi encontrada na farmácia mantida pelo Estado.
“E nos postos de saúde também não tem. A gente não tem dinheiro para comprar esse tipo de medicamento, ou mesmo pagar consulta. O que a gente espera é que a empresa responsável pelo vigilante cumpra sua palavra”, pondera.