Compareceram ao 1º Distrito Policial na manhã de ontem, acompanhados por um advogado, a irmã e o cunhado de Gilmar Rodrigues da Silva, 32 anos, acusado de deixar seu filho de 4 anos dentro do carro após envolver-se em uma colisão contra um caminhão estacionado, na madrugada do dia 27 de novembro, no Jardim Ouro Verde, em Bauru.
Lucinéia Ferreira da Silva Pires, 27 anos, e seu esposo Nilson Carlos Pires, 35 anos, foram arrolados como testemunhas no caso após Gilmar alegar em seu depoimento à polícia que não teria abandonado ao local, mas se dirigido à casa da irmã, que ficaria a três quadras do acidente, para pedir ajuda aos familiares.
“Ele pediu pelo amor de Deus para salvarmos o filho dele e caiu no portão de casa. Eu e meu marido saímos correndo, mas eu acabei voltando para não deixar meu menino sozinho em casa. Quando voltei, o Gilmar não estava mais lá”, relata Lucinéia ao JC, confirmando a versão que também teria sido apresentada por Nilson ontem ao delegado responsável pelo caso, Dinair José da Silva.
Segundo a mulher, o menino de 4 anos teria passado a sexta-feira em sua casa, localizada na quadra 3 da rua Zenzo Kikuti, nadando em uma pequena piscina junto com o primo de 9 anos e iria dormir por lá, mas acabou acordando ao meio da noite e pedindo para ir embora.
“Ele chorava dizendo que queria o pai. Eu liguei para o meu irmão e ele chegou para pegá-lo, colocou o menino no banco de trás com o cinto e saiu. Uns 10 minutos depois ele voltou todo machucado, gritando por socorro e caiu no meu portão”, conta Lucinéia, dizendo que o irmão não estaria alterado e nem parecia ter ingerido bebidas alcoólicas.
“Eu não acredito na fuga dele. Ele é pai e trabalhador, não o bicho que estão falando. Ele perdeu a noção com a pancada e só conseguiu pedir ajuda. Depois, saiu desnorteado andando”, completa a mulher defendendo o irmão.
Conforme Lucinéia, Gilmar foi encontrado por volta das 20h30 de sábado por dois irmãos e seu marido em uma praça no bairro Bela Vista. “Uma mulher ligou para minha cunhada dizendo que ele estava lá. Ele estava todo sujo, machucado e não falava coisa com coisa. Tomou vários calmantes e só acalmou depois, quando viu o filho no hospital”, afirma.
Investigações
Sobre os depoimentos, o delegado responsável pelo caso preferiu não prestar declarações à imprensa. Dinair apenas informou que o passo seguinte do inquérito será oficiar, nos próximos dias, a genitora do garoto e os policiais militares que atenderam a ocorrência para prestarem depoimentos. “Neste momento a mãe está junto ao filho no hospital e isso é prioridade”, comenta o delegado.
O inquérito deverá apurar as condições em que o acidente ocorreu como, por exemplo, se a criança usava o cinto de segurança no momento da colisão e o motivo de Gilmar ter deixado o filho no local. Uma possível embriaguez ao volante também não é descartada.
Por hora, até que todas as testemunhas sejam ouvidas, o inquérito continua instaurado como tentativa de homicídio com dolo eventual- quando a pessoa assume o risco de matar. Gilmar também responde por um processo administrativo que pode culminar com a suspensão ou até cassação de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Relembre o caso
O acidente ocorreu na madrugada do último dia 27, na quadra 16 da avenida José Henrique Ferraz, próximo ao Recinto Mello Moraes. Gilmar conduzia um Renault Scenic quando colidiu na traseira de um caminhão estacionado.
Após o acidente, o homem teria abandonado seu filho de 4 anos dentro do carro. A Polícia Militar (PM) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados para atender a colisão. Desde então, o garoto está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina de Botucatu, respirando com a ajuda de aparelhos. Segundo familiares, entretanto, ele não corre risco de morte.
Para tia, garoto pode ter tirado o seu cinto
“Eu conheço meu sobrinho. Ele fica no banco de trás e sempre solta o cinto e fica em pé no meio do carro dizendo para o pai que quer aprender a dirigir. Acho que isso deve ter acontecido e meu irmão deve ter tentado contê-lo e acabou perdendo a direção do carro”, disse Lucinéia Pires ao JC.
Em visita, pai teria pedido perdão ao filho
Conforme familiares, em uma visita a seu filho no Hospital das Clínicas de Botucatu, na última semana, Gilmar teria demonstrado arrependimento e pedido perdão à esposa e ao menino. “Ele pediu perdão e orou. Todos que estavam na sala choraram e meu sobrinho se animou ao ver o pai”, diz Lucinéia.