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Advogada é executada com sete tiros, em Araçatuba

Hélton Souza Folha da Região de Araçatuba
| Tempo de leitura: 4 min

Araçatuba - A advogada Priscilla Soraia Dib, 33 anos, foi executada com sete tiros na madrugada de ontem, em Araçatuba. Ela estava em um posto de combustíveis no cruzamento da rua Marcílio Dias com a avenida João Arruda Brasil, quando dois desconhecidos chegaram em uma moto. O garupa desceu e fez pelo menos dez disparos.

Priscilla estava sentada na carroceria de sua caminhonete, uma Hilux preta, e morreu na hora. Os disparos de pistola calibre 380 atingiram o rosto da advogada e as nádegas. Além do veículo da vítima, uma F-250, um Uno e um Monza que estavam no posto foram alvejados, mas não houve feridos.

Em setembro de 2011, a advogada chegou a ser presa durante a Operação Anaconda. Além dela, outras cinco pessoas foram detidas acusadas de envolvimento com o crime organizado e ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e de prisão em Araçatuba.

Contra Priscilla não havia mandado de prisão, mas em sua casa os policiais encontraram um rádio comunicador ligado na frequência da PM e uma porção de maconha. No final de novembro, ela deixou a cadeia após ter a prisão preventiva revogada.

Por conta da prisão, Priscilla respondia a um processo disciplinar da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

 

Ameaças

Segundo o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) Marcelo Curi, Priscilla havia recebido diversas ameaças de morte, no entanto, por medo, não chegou a registrar boletim de ocorrência.

Na madrugada de ontem, ela estava na companhia de um amigo, um cabeleireiro de 30 anos, no posto quando foi morta. De acordo com boletim de ocorrência, o rapaz teria se ausentado para cumprimentar um colega e, quando retornava com uma cerveja para entregar a Priscilla, ocorreu os disparos.

A ação foi rápida e durou poucos segundos. “Não deu tempo de fazer nada. A moto ficou parada na rua e o garupa correu em direção a ela e começou a atirar”, lembra o cabeleireiro.

O atirador fugiu sem ser identificado. “Ele usava capacete e viseira, não deu para olhar e anotar qualquer característica”.

De acordo com o delegado, uma motocicleta de cor vermelha, sem modelo identificado, teria sido usada pela dupla.

 

Investigação

Segundo a reportagem apurou, as ameaças de morte contra a advogada - que teria atuado a favor de supostos membros da facção criminosa - teriam iniciado após ela terminar o namoro com o ex que está preso por tráfico de drogas.

Ela teria sido ‘desligada’ do PCC após ter deixado a cadeia. Os integrantes acreditam que ela foi beneficiada por ajudar a polícia nas investigações contra a fação.

O corpo de Priscilla estava sendo velado na Cardassi, na avenida da Saudade, com enterro programado para hoje. O horário do sepultamento não havia sido definido até o fechamento desta edição.


Encontro

O cabeleireiro e Priscilla se encontraram na noite de sexta-feira, por volta das 22h, em uma lanchonete no bairro Vilela. “Eu estava comendo espetinho quando ela apareceu, sentou um pouco e saiu falando que iria encontrar umas amigas.”

Uma hora e meia depois os dois voltaram a se encontrar em uma barraca de lanches na avenida Prestes Maia. “Ela me chamou para ir no posto tomar cerveja. Lá encontramos outros conhecidos.” Os disparos ocorreram nos poucos minutos que Priscilla ficou sozinha.

A Polícia Militar foi chamada e um médico do Samu confirmou a morte no local. O corpo foi encaminhado Instituto Médico Legal (IML) e passou por exames necroscópico, de dosagem alcoólica e toxicológico. O laudo deve sair em 15 dias.

 

Testemunhas

Cerca de 30 pessoas estavam no posto de combustíveis no momento em que a advogada Priscilla Soraia Dib foi executada a tiros. O amigo dela, o cabeleireiro de 30 anos, conta que no momento dos tiros houve pânico entre clientes e funcionários. “Todo mundo estava numa boa quando o cara chegou atirando. Eu ia em direção à ela e quando ouvi o barulho tapei os ouvidos com as mãos e me abaixei”. Houve gritaria e correria entre os clientes.

Ainda abalado e sob efeito de calmantes, o cabeleireiro disse ontem que conheceu Priscilla por meio do salão onde trabalha. “Mais do que cliente ela era minha amiga e estou em estado de choque. Fico trêmulo só de pensar naquele momento. Foram segundos de terror.”

De acordo com o amigo, a advogada nunca comentou que estava sendo ameaçada de morte e garante que ela seguia sua vida normalmente. “Ela era feliz e não demonstrava medo de sair de casa sozinha ou ficar até tarde na rua.” Ainda na madrugada de ontem, segundo ele, Priscilla havia se programado para ir até a festa do peão de Guararapes.

 

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