Iaras - As 300 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixaram na manhã de ontem a fazenda da Cutrale em Borebi e seguiram até Iaras (90 quilômetros de Bauru), onde fizeram protesto por volta das 14h no km 287 da rodovia Castelo Branco (SP-280).
As manifestantes invadiram a fazenda na madrugada de domingo. Elas cobriram o rosto com lenço para não serem identificadas.
A Justiça de Lençóis concedeu liminar de reintegração de posse anteontem, fixando multa de R$ 500,00 para cada invasor presente no local. Após receberem a reintegração de posse emitida pelo juiz da 2ª Vara de Lençóis Paulista no início da manhã, as sem-terra decidiram seguir até Iaras.
‘Paralisia’
A representante do MST Kelli Mafort disse ao JC que o fechamento do trânsito da rodovia teve por objetivo de denunciar a paralisia da reforma agrária no Estado de São Paulo, assim como em todo o País.
“A atuação da Cutrale é um exemplo completo do avanço do agronegócio: concentração de terras, monocultura para exportação, uso indiscriminado de agrotóxicos, desrespeito às leis trabalhistas e ao meio ambiente. No entanto, mesmo com a concordância do Incra e da Justiça Federal em recuperar a área grilada e incluí-la no programa de reforma agrária, nada acontece”, declarou a dirigente.
Outro lado
A Cutrale informou, por meio de nota expedida pela assessoria de imprensa, que está fazendo a avaliação na fazenda para verificar se houve danos à propriedade e ao patrimônio da companhia e dos funcionários. (Aurélio Alonso)