O hip hop e o grafite tomaram conta dos corredores da Escola Estadual Stela Machado, em Bauru. A invasão foi resultado do trabalho desenvolvido pelos alunos de 8º ano, que aderiram à proposta da professora de história Dalva Aparecida Martim Nada de apresentar um lado contemporâneo da cultura negra no Brasil. Desenvolvidos em formas de fanzine (um tipo de publicação alternativa de baixo custo e feita por fãs que divulgam, geralmente, assuntos ligados à cultura), os trabalhos fazem parte da programação do Dia da Consciência Negra, que será comemorado no dia 20 de novembro, ficando expostos para todos os alunos da escola, que aprenderam um pouco mais sobre os temas.
Nascido entre os jovens negros e latinos nos Estados Unidos, na década de 70, o hip hop e o grafite se mantêm marginalizados no Brasil e associados, como constatou Dalva, à violência e à criminalidade. Por isso, a proposta do trabalho foi justamente valorizar as diferenças e os aspectos positivos de uma cultura presente no dia a dia das crianças. “A escola tem que procurar mostrar o que é bom, e tem muita coisa boa no hip hop, como tem muita coisa boa no grafite. E para você poder julgar e fazer, você tem que conhecer”, ressalta a professora ao lembrar o preconceito que envolve as duas formas de arte.
E essa mudança de postura ao
conhecer melhor uma nova cultura
pode ser vista nas conversas com os alunos da Escola Stela Machado, como a estudante Júlia Rodrigues de Oliveira, de 13 anos, que fez um trabalho sobre grafite. “Eu não gostava, achava bem estranho, mas aprendi a respeitar. Muitas crianças da sala gostam de fazer (grafite) no caderno e eu achava que era coisa de maloqueiro, que rouba, mas acabei achando legal e que é difícil, que tem que treinar”, comenta.
Integrado com as aulas de artes, o trabalho também serviu para os alunos aprenderem a diferença entre grafite e pichação. “Eu achava que o grafite era uma pichação, agora descobri que o grafite é uma arte”, comenta Lucas Gabriel Correa Garcia, 13 anos. A professora Dalva ressalta ainda que com a discussão das diferenças entre a forma de arte urbana e o vandalismo deve trazer melhorias para a escola com o combate à pichação.
Dia da Consciência Negra
Com o objetivo de resgatar a importância cultural, econômica e social do negro no Brasil, o Governo Federal incluiu, em 2003, o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar e tornou obrigatório o ensino da história da África e história e cultura afro-brasileira nas escolas. A data escolhida é referência ao dia da morte de Zumbi dos Palmares, um dos líderes do Quilombo dos Palmares e da resistência negra no País, morto em 1.695.
O Dia da Consciência Negra é feriado em diversas cidades do Brasil e, desde novembro de 2011, faz parte do calendário oficial como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.