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Corpo de historiador de Botucatu será enterrado hoje em São Paulo

Da Redação
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Botucatu - O escritor, historiador, dicionarista e tradutor Hernâni Donato, de 90 anos, morreu ontem em São Paulo e o corpo está sendo velado, na Academia Paulista de Letras (APL) na capital. O sepultamento ocorrerá hoje às 15h no Cemitério Gethsemani no Morumbi.

O prefeito de Botucatu, João Cury Neto (PSDB), decretou luto oficial de três dias em homenagem ao botucatuense. Donato é um dos patronos da Academia Botucatuense de Letras (ABL).

O historiador começou a escrever aos 12 anos de idade, com a publicação da sua primeira novela infantil: “O Tesouro”. A partir daí, uma longa carreira dedicada à pesquisa histórica e à investigação literária se inicia. Na capital paulista, estudou na Escola de Sociologia e Política e frequentou o curso de dramaturgia na Escola de Arte Dramática. Atuou na imprensa como redator em vários jornais, entre eles o Correio Paulistano, A Gazeta e o Diário Latino, e em revistas, como a Veja.

Juntamente com outros escritores, fundou e co-dirigiu a Editora Autores Reunidos, uma cooperativa de autores de ficção. Foi membro das Academias Paulista de Brasília, de Santos e da Sul-Mato-Grossense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, da Academia Paulista de História e da Comissão Paulista de Folclore.

Com mais de 60 livros publicados, Hernâni Donato, pela natureza diversificada de sua obra, ganhou diversos prêmios, dos quais se destacam o prêmio Afonso Arinos 1977, pelo livro de contos “Babel”, e o prêmio Joaquim Nabuco de 1998, para o Dicionário das Batalhas Brasileiras, ambos concedidos pela Academia Brasileira de Letras; o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores 1979; Láurea Personalidade do Ano em Literatura 1996, do Ateneo Rotário de São Paulo.

Donato deixa uma extensa folha de serviços prestados ao Brasil com uma infinidade de obras literárias que irão se perpetuar. Uma de suas obras mais conhecidas foi o livro “Achegas para a História de Botucatu”, a mais completa e rica obra sobre a origem de Botucatu, é fonte de informações para pessoas de diferentes segmentos sociais e idades e fundamental em todas as bibliotecas.

O escritor, que escreveu também textos em outras línguas como o guarani, o romeno, o italiano, o tcheco, o polonês, realizou, ao lado de sua incessante produção como contista, ficcionista, biógrafo e historiador cultural, algumas traduções, sobretudo na década de 60, época em que eram poucos e raros os registros de traduções.

O secretário municipal de Descentralização e Participação Comunitária de Botucatu, João Carlos Figueiroa, disse que o historiador preparava nova publicação. “Hernâni até um mês atrás se dedicava a um novo livro. Desde a elaboração da última edição do ‘Achegas para a História de Botucatu’, um clássico da história local, vinha enfrentando problemas em sua saúde. Depois disso (2008) produziu mais ainda, e continuou atendendo em sua sala, na Cia. Melhoramentos. No ano passado (17 novembro 2011) lançou a reedição do clássico de sua autoria, da literatura brasileira, ‘Selva Trágica’, num memorável momento da Academia Paulista. Fundador do CCB (Centro Cultural de Botucatu), amou esta casa e nunca esteve ausente de sua defesa”, disse.

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