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Boa vontade entre os homens

Sidney Frances Fernandes
| Tempo de leitura: 2 min

Na guerra contra a Espanha, o presidente dos Estados Unidos precisava comunicar-se com Garcia, o chefe dos rebeldes, que se encontrava no interior cubano, não se sabendo exatamente onde. - Se há alguém capaz de encontrar Garcia, esse homem há de ser Rowan, disse alguém. Após quatro dias de uma conversa com o presidente, Rowan saltou de um barco, alta noite, nas costas de Cuba. Como se embrenhou no sertão, atravessou a pé um país e entregou a carta a Garcia. Não vêm ao caso aqui pormenorizar. O que é importa é que Rowan pegou a carta e nem ao menos perguntou: - Onde é que ele está? Aleluia! Eis aí um homem cujo busto deveria ser colocado em cada escola daquele país. Esta passagem é do artigo "Uma Mensagem a Garcia", de Helbert Hubbard, publicado em 1899.

Se eu solicitar a alguém uma pesquisa sobre determinado personagem, obterei, prontamente, a resposta: - Sim, é para já!? Infelizmente, não. Possivelmente, esse funcionário irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Garcia e depois voltará para me dizer: - Esse homem não existe! Evoluímos muito. As pessoas estão mais conscientes de que cada consumidor é um fiscal de suas atividades. Todos exigem bom atendimento. Mas, de vez em quando, encontramos pobres coitados que procuram se esquivar o quanto podem do trabalho, do aperfeiçoamento e da boa vontade. Eu estava num grande mercado quando duas moças dirigiram-se a um rapaz, próximo da seção de bebidas. Pediam que as auxiliasse a encontrar determinado produto. Não pude deixar de ouvir o funcionário dizer: - Este assunto não é comigo. - O senhor não trabalha neste mercado?, perguntei, intrometendo-me no assunto. -Trabalho, mas não neste setor, finalizou o esperto funcionário.

O mundo está precisando de pessoas que atuem não apenas em uma área, mas que resolvam vários problemas simultaneamente. Mas os componentes principais desses heróis de hoje não são apenas capacidade e versatilidade. Indispensável que tenham boa vontade, disposição para o trabalho e solicitude. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso. Precisa-se, e precisa-se com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia. Há dentro de nós uma força extraordinária. Não temos consciência dela ou a empregamos inadequadamente. A otimização desse canal com Deus depende exclusivamente de cada um: - aproveitar oportunidades; - estar pronto para o que der e vier; - não pensar muito para fazer favores ou boas ações. Boa vontade gera otimismo, que gera entusiasmo, que se transforma em adrenalina divina. Boa vontade entre os homens não é apenas um cântico de Natal. É o combustível que tempera os extraordinários talentos que Deus colocou à nossa disposição.


O autor, Sidney Frances Fernandes, é colaborador de Opinião

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