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Famesp planeja complexo de saúde

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Naresse, José Peraçoli, Sérgio Muler e Pasqual Barretti

Após 10 anos de atuação em Bauru, a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) informou ontem, por meio de seu presidente Pasqual Barretti, que pretende implantar, em parceria com o município e o Departamento Regional de Saúde (DRS-6), um modelo de gestão única para estreitar a relação entre as cinco unidades de saúde gerenciadas pela fundação na cidade. O objetivo da ação, segundo a Famesp, é organizar o sistema público de saúde na cidade.

Com a implantação da rede, a Maternidade Santa Isabel, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), o Hospital Manuel de Abreu, o Hospital Estadual (HE) e o Hospital de Base (HB) trabalhariam cada um com seus diretores específicos, mas de modo integrado para melhor organização do fluxo de atendimentos na cidade.

Conforme Barretti, o processo seria coordenado pelo vice-presidente da fundação, que também é diretor executivo da Maternidade Santa Isabel e do AME, Antônio Rugolo Júnior.

“Uma das coisas que mais complicam a saúde é que muitos hospitais acabam fazendo a mesma coisa, deixando o fluxo desordenado. A ideia é ter uma única entidade dirigindo alguns estabelecimentos em nome do Estado. O Rugolo agiria gerenciando esse processo”, adianta o presidente da Famesp sobre a possibilidade de implantação da rede de saúde nos próximos anos em Bauru.

A informação foi concedida por Barretti durante entrevista realizada na cerimônia de comemoração dos 10 anos do Hospital Estadual de Bauru - gerenciado pela Famesp - e da posse do novo diretor executivo da unidade, Luiz Eduardo Naresse (leia mais abaixo).

 

Sem duplicações

No processo de reorganização das unidades, a ideia da Famesp é evitar a duplicação de serviços da mesma natureza dentro da rede. O HE e o HB por exemplo, apesar de possuírem necessidades específicas, teriam algumas atividades integradas, como as lavanderias, os serviços de nutrição e até mesmo a área de recursos humanos. “Não tem sentido ter vários sistemas de compra se estamos falando da mesma entidade”, reforça Barretti.

Apesar de possuírem níveis de complexidade semelhantes, os hospitais trabalhariam de maneira integrada, mas sem fazer as mesmas coisas. “Determinados procedimentos não precisam ser realizadso em ambos. Mas a questão do trauma, que é vocação do Hospital de Base, por exemplo, deve permanecer por lá”, cita o presidente da Famesp.

Ainda de acordo com ele, está em curso na entidade um estudo do desenho assistencial de Bauru. “Queremos traçar um perfil do atendimento na cidade. De onde o doente vem, para onde é referenciado, o que cada hospital faz, os tipos de especialidade e o nível de complexidade”, completa.

Com o mapeamento da saúde na cidade, apenas os serviços com grande fluxo seriam mantidos funcionando em mais de um hospital, assim como também seriam mantidos os setores de especialidades.

 

Modelo atual

De acordo com o presidente da Famesp, Pasqual Barretti, no modelo de gestão atual as decisões são tomadas pelos hospitais de maneira única, ou seja, sem a necessidade de concordância das demais unidades.

Questionado sobre a implantação do complexo, o novo diretor executivo do Hospital Estadual (HE), Luiz Eduardo Naresse, acredita que a mudança seja positiva, mas descarta que a integração possibilite a “abertura das portas” da unidade para receber os casos de urgência do município no primeiro momento.

“Agiremos em consonância, mas com administração própria. Teoricamente ainda não poderemos agir de portas abertas, pois não temos a unidade de emergência estruturada para atender toda a demanda. Essa mudança implicaria em uma grande mudança estrutural no HE”, afirma.

Novo diretor do HE assume cargo

Em uma sessão solene em comemoração aos 10 anos do Hospital Estadual de Bauru ocorrida na manhã de ontem, o novo diretor executivo da unidade, Luiz Eduardo Naresse, foi empossado oficialmente para a gestão 2012-2014.

Em seu discurso, o novo gestor, que já assumiu “mandato tampão” no hospital, afirmou que um de seus primeiros desafios será elevar para 100% a integração entre o corpo técnico e médico da unidade.

Posteriormente, Naresse destacou que unirá esforços para que o HE continue sendo palco de ensino para alunos de medicina, mesmo com o final do contrato com a Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Já como terceira prioridade em seu mandato, o novo diretor destacou que pretende estender os atendimentos na cidade, equilibrando-os com o orçamento recebido do Estado. “Já alcançamos a qualidade e iremos trabalhar para mantê-la sempre. Talvez sejam precisos mais 10 anos para chegarmos à excelência”, comenta Naresse.

Estiveram presentes no evento o ex-diretor executivo do HE, Antero Frederico de Miranda, a diretora do DRS-6, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, o coordenador da Secretaria de Saúde do Estado, Sérgio Muller, o presidente da Famesp, Pasqual Barreti, o deputado estadual Pedro Tobias e o vice-diretor da FMB, José Carlos Peraçoli. 

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