Política

Alckmin projeta HB moderno e Bauru referência estadual no setor de saúde

Por Wilson Marini | Enviado especial - Rede APJ
| Tempo de leitura: 5 min

O gerenciamento do Hospital de Base (HB) pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), a partir de 1 de janeiro de 2013, já é oficial e sem retorno. A solenidade de assinatura de convênio com o governo do Estado para a gestão do HB ocorreu ontem à tarde, na sala de reuniões do gabinete do governador Geraldo Alckmin. Estiveram presentes o deputado Pedro Tobias, o secretário estadual da Saúde, Giovanni Guido Cerri, e o prefeito Rodrigo Agostinho. Alckmin destacou que a solução foi encontrada, com responsabilidade e dentro da legalidade, apesar da impaciência e de muita gente “jogar contra”.

O deputado Pedro Tobias agradeceu ao governador em nome da cidade e da região e destacou que todos os esforços foram feitos pelo governo do Estado pensando sempre em beneficiar a população que usa o hospital público, “a dona Maria, e não os políticos”. “Houve muita injustiça nesse episódio, reclamações, ataques, mas como o governador se comprometeu, a solução foi dada. O HB não só manterá as portas abertas como vai melhorar muito. E os funcionários foram mantidos, para tranquilidade deles e dos usuários que precisam de seus bons serviços”, disse Tobias.     

“A universidade deve estar onde o povo está”. Dessa forma, o governador Geraldo Alckmin justificou a participação do Estado na gestão do HB por meio de convênio com a Famesp. Antes, citou literalmente trecho de canção consagrada por Milton Nascimento (“Todo artista tem de ir aonde o povo está”). “Bauru passa a ter 700 leitos hospitalares mantidos pelo Estado e passa a ser um dos principais centros da área de saúde”, ressaltou o governador.

“O Hospital de Base de Bauru entra em um novo momento, de ampliação, modernização e aprimoramento da assistência prestada aos pacientes da rede pública, e gestão com a marca da Famesp”, afirmou o secretário Cerri.

A formalização do convênio entre o governo do Estado e a Famesp significará a liberação de recursos emergenciais de R$ 5 milhões mais o repasse mensal de R$ 6,5 milhões ao longo de 2013, totalizando R$ 83 milhões nos 12 meses. Ao longo de cinco anos, serão repassados R$ 395 milhões.

Também participaram da solenidade a diretora regional de Saúde de Bauru, Doroti Ferreira, e a diretora da Faculdade de Medicina de Botucatu, Silvana Artioli Schellini, além do presidente da Famesp, Pasqual Barreti, e seu vice, Antonio Rugolo.


Modelo

Barreti considerou “um marco na saúde de Bauru” a transferência da gestão do Hospital de Base pela Famesp. “Será possível organizar a atenção hospitalar, tornando-a mais eficiente, competente e interligada com o Estado e o município”. A meta é oferecer de 200 a 250 leitos de internação no período de um a dois anos, após a revitalização que terá início em 1 de janeiro, “com a mesma tecnologia do Hospital Estadual Bauru”. Atualmente, são oferecidos cerca de 100 leitos. “Para cumprir o seu papel, um hospital precisa ter um índice de ocupação de 80% a 90%”, disse ele.

Em relação ao modelo de funcionamento, ele informou que será o mesmo vigente em Botucatu, onde a Universidade Estadual Paulista (Unesp) possui uma Faculdade de Medicina e a Famesp tem a sua sede. O Hospital das Clínicas, mantido por uma autarquia, funciona como hospital-escola. “O Estado está prestes a inaugurar um hospital secundário menor, que vai integrar toda a atenção básica, secundária e terciária. Vamos estar presentes na região de Botucatu-Bauru com o mesmo modelo”, afirmou ele.


Medicina

 

A assinatura do convênio criará as condições necessárias em Bauru para a instalação de uma faculdade de medicina no que se refere ao quesito hospital-escola. A afirmação foi feita ontem ao Jornal da Cidade, em São Paulo, pelo presidente da fundação, Pasqual Barreti. “O problema de toda faculdade de medicina muitas vezes é a falta de um hospital universitário adequado para o treinamento a serviço dos profissionais em formação”, disse Barreti, acrescentando que a função de hospital universitário poderá ser exercida não só pelo HB, mas por uma rede pública, administrada pela Famesp, formada também pelo Hospital Estadual Bauru, Maternidade Santa Isabel e Hospital Manoel de Abreu.

Assim, o desfecho da crise que ameçava fechar o principal hospital público da região se transforma agora em perspectiva para a retomada da implantação da faculdade de medicina em Bauru. O assunto voltará à pauta do governo do Estado a partir da segunda quinzena de janeiro, adiantou o deputado Pedro Tobias.

 

Rodrigo: prefeitura dará todo apoio

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem que a prefeitura de Bauru está disposta a bancar recursos no novo Hospital de Base (HB). “Vim aqui para isso”, disse ele, ao Jornal da Cidade, pouco antes da solenidade de assinatura do convênio. “A prefeitura quer ser parceira do projeto. Vamos começar uma conversa para ver em quais setores atuaremos em conjunto”.

Agostinho disse que o município poderá fornecer materiais, assinar convênios específicos, contratar serviços e até profissionais para atuarem internamente. “Não temos uma margem tão grande no orçamento, mas há verba disponível. Claro que não vamos assumir serviços que são do Estado. A ideia é que possamos trabalhar um pouco mais a utilização daquele espaço”.

O prefeito de Bauru elogiou a solução encontrada pelo Estado. “Hoje estamos tendo a solução da maior crise hospitalar que Bauru já conheceu, uma crise sem precedentes”, disse ele. “O convênio é importantíssimo porque é o HB é o principal hospital da cidade, retaguarda de toda a urgência da cidade e da região”. Ele considera a escassez de profissionais especializados o maior desafio da cidade na áreas de saúde pública. “Estamos pagando bons salários, mas não conseguimos contratar”.

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