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Ela comanda o canil da PM

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Se você, leitor, acompanha a rotina de Bauru pelos jornais, certamente já ouviu falar em Eliete Aparecida Tavares Ramos, a subtenente Eliete, integrante do grupo de força tática e comandante do Canil da Polícia Militar de Bauru.

Eliete é a prova viva e ativa de que as mulheres podem, sim, obter sucesso em carreiras que exijam contato com a arma, coragem e disposição, como a carreira militar.

Para ocupar o cargo que tem atualmente, ela teve de passar pelo cargo de soldado, cabo, terceiro sargento, segundo sargento, sargento e subtenente. Sem falar nos treinamentos de sobrevivência aos quais teve de se submeter.

Tudo começou quando aos 19 anos ela, contrariando a vontade da mãe, decidiu prestar concurso para soldado da polícia militar.

“Eu fazia faculdade de biologia, mas sempre gostei da carreira militar. Na época em que abriu o concurso, o salário era bom e, por isso, decidi prestar”, conta ela, que foi aprovada nos testes e mudou-se para São Paulo, onde começou a trabalhar e receber treinamentos.

Sua primeira função na carreira foi realizar o policiamento da Praça da Sé. De saia, meia-calça fina e com uma bolsa a tiracolo, ela passava o dia atendendo solicitações e tinha suas atenções voltadas para mulheres e crianças. Foi nesta época que conseguiu destaque na profissão.

“O trabalho era bem tranquilo. Como andávamos de bolsa, todo mundo achava que carregávamos uma arma. Mas isso não era verdade. Mesmo assim, vez ou outra, tinha uns espertinhos que tentavam roubar que estava na praça. Lembro-me de uma vez que um cara furtou uma pessoa e saiu correndo. Corri tanto atrás dele! E mesmo desarmada consegui efetuar a prisão”, lembra.

Da Praça da Sé, Eliete foi para o trânsito de São Paulo, onde assumiu o comando do grupo patrulha. Na sequência, já nomeada sargento, passou a portar arma e assumiu o Grupo Tático Feminino de São Paulo.

“Na época estava despontando crimes com participação da mulher, como tráfico de drogas, roubo, entre outras coisas. Era neste campo que eu e minha equipe atuávamos”, conta.

Com a experiência adquirida, foi transferida para Bauru, onde passou a integrar o Canil pertencente à Companhia de Força Tática da cidade.

“Hoje somos acionados para ocorrências mais complexas, como roubos, homicídios, busca por entorpecentes, ou seja, sempre que há necessidade de um policiamento especializado”, explica.

 

Treinamento

Traçando uma comparação entre o papel da mulher na Polícia Militar entre os anos de 1985, quando ela ingressou na carreira, até os dias atuais, Eliete pode apontar muitas mudanças. Além do uniforme (na época mulheres nunca usavam calça, somente saia e meia-calça fina), ela cita o respeito e a liberdade.

“Na época, a gente nem podia conversar com o policial masculino. Além disso, a mulher sofria mais pressão psicológica e tinha de passar por um treinamento físico bem mais intenso que atualmente, considerando que vivíamos o fim da ditadura militar”, compara.

Mesmo assim, para Eliete, passar por tudo isso serviu apenas como incentivo, uma forma de fortalecê-la na carreira.

“Eu gostava e gosto muito de tudo isso. Acho que a mulher tem, sim, capacidade para seguir carreira militar e que pode se dar muito bem nisso. Basta ter vontade e, às vezes, deixar a vaidade de lado para aprender um pouco como os homens”, aconselha ela, que diz ter desenvolvido seu lado prático e racional. “Sou objetiva. Aprendi a ser assim com os homens”, destaca.

 

Mulheres estão na mira das empresas de segurança

 

Não vai demorar muito tempo e as mulheres vão se tornar as queridinhas das empresas de segurança armada. A constatação tem embasamento: muitas empresas já preferem contratar mulheres em detrimento aos homens.

“Elas têm uma postura profissional melhor, são mais dedicadas, levam o serviço a sério e quase não abandonam o emprego, por isso, a rotatividade é menor”, explica Aguinaldo Feliciano, inspetor de segurança de uma empresa da área.

Udson Dias, advogado de uma outra empresa da área, destaca ainda o autocontrole, a qualidade no trabalho, e a produtividade da mulher, que são maiores e melhores.

“Elas são mais delicadas, tratam as pessoas melhor e estão sempre bem arrumadas: com a farda ajeitada, cabelo em ordem, entre outras coisas. Os homens não são tão pacientes quanto elas”, compara.

Para trabalhar no ramo de vigilância, é preciso antes passar por um curso com duração de 18 dias, destinado a homens e mulheres e regulamentado pela Polícia Federal.

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