Neide Carlos |
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Trocando as bolas: Sato e Hudson compartilham experiências.
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O futuro de Noroeste e Bauru Basket, de certa forma, está em suas mãos. Ambos, seja na quadra ou no gramado, têm a missão de encontrar e lapidar talentos que devem vestir as camisas das equipes bauruenses no futuro. Luciano Sato e Hudson Previdello são responsáveis pelas categorias de base de suas respectivas equipes e fazem um trabalho que tem como principal objetivo abastecer o time adulto com jogadores de qualidade e preparados para a responsabilidade e cobrança que um profissional encara jogo após jogo. Ambos ainda exercem a função de auxiliar técnico dos times profissionais, completando uma jornada dupla que, garantem, recompensa.
Previdello nasceu em Bauru e começou a jogar basquete na Luso. Com 1,95m, era pivô, mas já no infanto e cadete migrou para a ala. Em 1995 iniciou um projeto, que culminou com a volta do basquete profissional à cidade e passou por vários clubes, acumulando experiência até voltar à cidade e iniciar uma duradoura e bem sucedida parceria com o técnico Guerrinha. Entre suas atribuições no dia a dia está coordenar os trabalhos extras de quadra, com fundamentos específicos, acompanhamento do elenco na academia, orientar a primeira parte do treino de quadra e a edição de vídeos dos jogos dos adversários para mostrar ao elenco a parte essencial a ser executada nas partidas. Trabalho minucioso e demorado, além da apuração das estatísticas do time bauruense, ferramenta fundamental na evolução da equipe.
Luciano Sato é natural de Jacuba. Revelado pelo Novorizontino, o ex-meia-atacante e atacante conquistou títulos no futebol brasileiro até iniciar trajetória internacional que lhe valeu a experiência de atuar em 25 países diferentes. Sensei (neto de japoneses) e com ascendência materna italiana, em suas andanças pelo mundo do futebol teve oportunidade de jogar no Japão, país com o qual desenvolveu profunda afinidade e onde cursou pós-graduação em futebol.
Sato viveu dez anos fora do Brasil, prova de adaptabilidade, e absorveu elementos culturais e futebolísticos que influenciaram sua formação como treinador. Chegou ao Noroeste em 2011 e já exerceu a função de técnico e coordenador das categorias de base, e dirigiu a equipe principal em uma partida na transição entre os técnicos Amauri Knevitz e Moisés Egert com uma vitória, fora de casa, sobre o América de São José do Rio Preto por 4 a 1 na Copa Paulista deste ano. No momento, Sato faz os últimos ajustes no time noroestino que vai disputar a Copa São Paulo de Juniores em janeiro, e auxilia o novo comandante do profissional, Carlos Alberto Seixas.
Ambos conversaram com o Jornal da Cidade e falaram sobre suas trajetórias no esporte. Leia, a seguir, os principais trechos das entrevistas:
Luciano Sato: andarilho da bola
Jornal da Cidade - Até quando jogou futebol e onde iniciou?
Sato – Joguei futebol até quatro anos atrás. Comecei no Grêmio Novorizontino, onde fui campeão paulista de juniores, aspirantes e do Brasileiro da Série C e da Série A-2 do Campeonato Paulista. Fui para o Bragantino, do Bragantino para o Juventus, do Juventus para o Atlético Goianiense, São José e, depois, me transferi para a Coreia e rodei dez anos. Passei pela Coreia, Trinidad Tobago, México, Estados Unidos e por último no Japão. Os últimos cinco anos de minha carreira foram no Japão.
JC – Você acabou saindo cedo do Brasil e jogou muito tempo fora...
Sato – Saí com 23 anos e retornei há quatro anos. Saí em 2000.
JC – Você atuou na Coreia pouco antes da Copa do Mundo de 2002. Como era o futebol coreano naquela época e como foi a experiência?
Sato – Fiquei pouco tempo. Fui uma experiência boa. O pessoal é fanático, mas não tem torcida. É um futebol que estava ainda em desenvolvimento, como no Japão. Eles contratavam bastante brasileiros para dar uma qualidade técnica maior. Eles evoluíram. Estamos falando da Coreia, mas o Japão, hoje, está programando ser campeão do mundo em 2050. Pode ser que seja mais cedo. O futebol feminino japonês foi campeão do mundo antes. Estão planejando 2050 pela deficiência técnica deles.
JC – Nestas andanças pelo futebol mundial tem alguma história curiosa ou engraçada que você se lembra?
Sato – Eu estava jogando no Campeonato Japonês e a palavra “ai” em japonês é amor. Um jogador nosso, brasileiro, levou uma pancada forte e começou a gritar “ai, ai, ai” e os japoneses começaram a dar risada. O jogador falando “amor, amor, amor” e com dor. Então, foi uma coisa curiosa.
JC – Você jogou na América Central. Como é o futebol daquela região?
Sato – É um futebol de força, onde aprendi muito. Tive um treinador (Stewart Charles-Fevrier) que chegou à Seleção de Trinidad e Tobago, mas é de uma ilha perto de Santa Lúcia, e se formou, fez cursos de treinador na Alemanha, como eu fiz pós-graduação em futebol no Japão. Em Trinidad e Tobago aprendi a jogar como no futebol europeu e do resto do mundo. O Brasil é diferente, aqui é mais cadenciado, técnico. Lá é um jogo mais veloz, dois toques na bola. Eu dava três toques e ele (Fevrier) apitava e marcava falta. Eu ficava bravo, sou brasileiro, acostumado a driblar, carregar a bola... Mas eu fui vendo que eu estava errado. Eu tinha que me adaptar ao futebol daquele país. Consegui me adaptar e fiz 35 gols em duas temporadas. Consegui disputar a Concacaf, que é como se fosse a Libertadores aqui na América do Sul. Aí é que foram se abrindo portas para mim. Joguei contra o Kansas City, que tinha jogadores da seleção dos Estados Unidos e foi havendo interesse. Fui para o Kansas e, depois, em um torneio em Nova York, acabei me transferindo para o La Furia Monterrey.
JC – Você, que andou bastante, o que tirou desta experiência multicultural?
Sato – São tantas diversidades culturais. Gosto de lembrar e friso sempre o Japão. É um dos melhores países para se viver, apesar das dificuldades que eles têm lá de terremoto, maremoto e vendaval. É um país planejado, preparado, onde o respeito, o servir, está acima de qualquer coisa. O povo japonês serve você. Eu aprendi a respeitar e servir mais as pessoas com o povo japonês. As crianças iam sozinhas para a escola. Não precisava o pai levar, como nos Estados Unidos e no Brasil. Os mais velhos cuidam dos mais novos. Você ergue a mão na rua e o carro para, pode estar o movimento que for. Eles aprendem que os mais velhos têm que cuidar dos mais novos e os mais novos respeitar os mais velhos. No México, a alimentação mais apimentada, tinha aquele problema na barriga. Na Coreia uma alimentação diferente, um povo que também serve. Para cada país que fui, eu não levei o Brasil junto. Tive que me adaptar à cultura local.
JC – Você acabou fazendo uma coisa curiosa para quem está no Brasil, que é uma pós-graduação em futebol no Japão. Como foi e o que você aprendeu nesta pós?
Sato – Tinha em minha cabeça que iria parar de jogar futebol com 34 anos. Quando eu resolvi parar, como sou formado em Educação Física no Brasil e dentro do clube em que eu jogava tinha um curso de pós-graduação de faculdade e meu treinador dava este curso, ele me convidou. Como falo inglês e aprendi bem o japonês, ele falou para eu ir para aprender. Era toda segunda-feira, no meu dia de folga. Começava 7h e ia até o meio-dia, com aulas teóricas em japonês. Depois, das 14h às 18h, fazíamos as aulas práticas, treinamentos táticos, técnicos, físicos, nutrição, fisiologia. Você tinha uma noção básica de tudo. Eu acho que isso, hoje, é o que falta no Brasil. O brasileiro se preparar para fazer aquilo que ele pretende. Você não pode simplesmente sair de um campo de futebol e vir para o outro lado, de treinador, que é totalmente diferente.
JC – E quando você decidiu se tornar treinador resolveu voltar para o Brasil. Decidiu que era hora de voltar?
Sato – Voltei porque minha filha nasceu. Minha esposa ficou grávida, voltou para o Brasil e fiquei seis meses sozinho no Japão. Vivemos dez anos fora e, de comum acordo, resolvemos não voltar mais. Minha mãe também estava passando por uns problemas de saúde e resolvi ficar mais próximo e tentar seguir a carreira aqui no Brasil.
JC – Como surgiu o Noroeste em sua vida?
Sato – Eu tinha uma escolinha de futebol em Arealva, começamos a fazer uns amistosos e o coordenador da base na época, que era o João Gonçalves, me convidou. Falou que eu tinha um perfil que eles estavam procurando. Nem pensei duas vezes, era uma oportunidade dentro da cidade em que eu vivo e agarrei.
JC – Falando do atual momento, a Copa São Paulo de Juniores para o Noroeste começa no dia 6 de janeiro, quando a equipe estreia contra o Atlético Mineiro. Como está a preparação e o que dá para esperar?
Sato – Nós estávamos preparando um time com atletas nascidos em 94. Começamos a preparar em fevereiro. Em julho, mudou para 93 e temos no elenco quatro atletas 93 também. Os demais são 94, 95 e 96. Seria mais forte se tivesse nivelado 93, mas os jogadores 94 participaram do Campeonato Paulista sub-20, tivemos uma campanha boa, saímos no mata-mata (oitavas de final) contra o Palmeiras. Os jogadores estão preparados, estamos esperançosos, com uma expectativa boa para passarmos da primeira fase. Sabemos que é um grupo difícil, temos o Atlético-MG, Rio Preto e Linense, mas estamos nos preparando.
JC – Você, que trabalha há um bom tempo com os garotos, tem algum que destaca, que é promessa e tem potencial?
Sato – Tem jogadores que vieram chamando a atenção no Campeonato Paulista, oito deles integraram o time campeão da Copa Paulista, entraram, ficaram no banco e já têm uma bagagem. Têm tudo para ser promessa. Tem um menino aqui da cidade, o Samuel Balbino, um lateral-esquerdo, que também joga como meia e vem se destacando. Tem o Douglas, que é meia, o Marcelo, também meia, o Foguinho, volante, que já estava no profissional, o zagueiro Douglas, que veio do Palmeiras emprestado, que também tem qualidade. E outros jogadores que estão no elenco. Às vezes, a gente fala que este jogador vai se destacar e acontece diferente, de outro jogador se destacar. A base é deste jeito.
Hudson Previdello: nada é por acaso
JC – Como surgiu o basquete em sua vida?
Previdello – Comecei a jogar basquete em Bauru, com 11, 12 anos na Luso. Fiquei até os 15 anos, quando tive um convite do Corinthians para jogar lá. Fui para São Paulo, fiquei cinco anos no Corinthians até a categoria adulta. Depois, tive uma passagem por Guarulhos, tive uma lesão de joelho e voltei para Bauru para fazer o tratamento para voltar à ativa. Aí tive uma proposta de Bauru, que na época tinha um sonho de voltar ao basquete. Era na Luso e o José Martha tocava as categorias de base. Ele me fez um convite para montar uma equipe, juntamente com o Caetano (Caetano dos Santos Neto), para começar um projeto novo, montar um adulto na segunda divisão e ir melhorando para tentar subir para a divisão especial. Como eu fiquei praticamente oito meses sem jogar e treinar por causa de minha cirurgia de ligamento cruzado, precisava voltar ao ritmo de jogo e acabei aceitando o desafio, inclusive montando a equipe, porque Bauru ficou muito tempo afastado e eles não tinham muito conhecimento de jogadores. Eu acabei contratando todos os jogadores e a gente montou uma equipe para disputar em médio prazo e ver o que conseguiria fazer.
JC – E o resultado não demorou a aparecer...
Previdello – No primeiro ano já fizemos uma campanha muito boa e ficamos entre os seis primeiros da segunda divisão. Aí, em 1996, montamos uma equipe um pouco mais forte para tentar dar um passo a mais e as coisas foram dando certo e a gente foi disputando o campeonato, tendo resultados e acabou surpreendendo todo mundo, até a própria diretoria da época e nós jogadores mesmo. Acabamos conquistando uma vaga na divisão especial e a Tilibra entrou, dando sequência e todos sabem a brilhante participação da Tilibra: campeã paulista em 1999 e brasileira em 2002. Sinto-me um dos responsáveis, juntamente com o Caetano e Zé Martha, por ter retomado o basquete em Bauru e ter levado o time para a divisão especial.
JC – Na sequência, porém, as lesões acabaram abreviando sua carreira como jogador...
Previdello – Tive outra lesão, fiz cirurgia no mesmo joelho, fiz duas, três, quatro no mesmo joelho e não consegui mais voltar. Neste ínterim, o Zé Martha me convidou para acompanhar as categorias de base, para passar um pouco de experiência para os meninos, por causa de tudo que já tinha passado, porque já fui seleções de base, além de todos meus anos de categorias de base. Comecei a trabalhar e recebi um convite para ser técnico e acabei aceitando. Em 1996, quando jogava, comecei a dirigir um time das categorias de base, na época era o juvenil. Tentando voltar a jogar, mas já trabalhando com a meninada. Quando não consegui voltar, tentei jogar até 97, mas não consegui porque sentia bastante dor, aposentei e só dei sequência na trajetória de treinador.
JC – Você acabou não jogando no Tilibra/Copimax. Fica algum sentimento de frustração por não ter integrado uma fase sensacional do projeto que ajudou a criar?
Previdello – Eu estava inscrito, tentei jogar, mas já não consegui. Fiz parte do grupo, tentei jogar, mas realmente não consegui e acabei parando precocemente. De início, é claro que você fica chateado. Eu era bom jogador e tinha condição de jogar e infelizmente não consegui. Você pensa: ‘puxa, poderia estar jogando aqui, ter sucesso no time, crescer junto com a equipe’. Você fica um pouco sentido de não poder continuar jogando. Mas, ao mesmo tempo, já estava trabalhando como técnico e isso supriu bastante a parte de frustração de não poder continuar jogando. Foi bom, propício começar a trabalhar com a meninada, porque não dava tempo de pensar nestas coisas. E acabou acontecendo naturalmente mais para frente e, depois, lidei bem e lido bem com isso até hoje. Enfim, as coisas acontecem da forma que têm que acontecer. De repente, era para eu ser um treinador e não jogador. De repente, hoje eu sou um melhor treinador do que seria jogador. Acredito que nada acontece por acaso e estou bastante satisfeito de ter continuado no basquete. É uma coisa que faço desde dez anos, minha vida toda foi voltada ao basquete. Sou muito feliz no que faço e pretendo dar sequência, subindo de degrauzinho em degrauzinho até eu ter uma oportunidade na categoria adulta, que acho que é o objetivo de todo treinador. Não tenho pressa, o importante é construir minha carreira sólida, acumulando experiência e trabalhos bem feitos.
JC – Você chegou a comandar o profissional do Bauru na época do Sukest...
Previdello – O time tinha perdido o patrocínio da Tilibra e iria acabar. O Zé Martha chegou e falou para mim que, se eu não pegasse, o time iria acabar. Eu falei que ainda não estava na hora, mas acabou sendo a última opção. Ou eu pegava ou acabava o time. Não tinha ninguém e tinha que montar um time novo. Acabei pegando para não deixar acabar o basquete. Montamos um time em cima da hora, faltando 15 dias para o início do Campeonato Paulista de 2004. Tivemos pouco tempo de trabalho, mais com o objetivo de não cair, já que na época tinha descenso. A ideia era não cair para ir fortalecendo o time de novo. Foi apertado. Acabou dando certo de não cair , mas não deu para fazer bom trabalho pelo tempo de treinamento que tivemos e pelos jogadores que conseguimos contratar na época com pouco dinheiro e pouca estrutura. Aí, eu tive o convite para ir para Araraquara.
JC – Como foi este início de sua carreira como treinador?
Previdello - Passei por praticamente todas as categorias de Bauru e tive o convite para dirigir Araraquara, onde fui campeão invicto da categoria juvenil. Tinha uma estrutura muito boa e fazia um trabalho de usar os jogadores juvenis na categoria principal. Foi a primeira vez na história que uma equipe conseguiu ser campeã invicta de um Estadual juvenil. Dali formaram-se muitos atletas que jogam hoje. Inclusive o Dedé, que está no São José e acabou de ser campeão paulista, o Gaúcho, que jogou aqui também foi meu atleta, vários jogadores passaram por lá e viraram jogador de ponta no basquete brasileiro. Depois, tive uma proposta, em 2006, para ir para Casa Branca para dirigir a equipe adulta.
JC – Como foi a trajetória em Casa Branca na transição base/profissional?
Previdello – Acabei aceitando o convite de Casa Branca e o time também foi muito bem. Na época, disputava o Torneio Novo Milênio, que classificava para o Campeonato Paulista, e também fui campeão. Aí, nós perdemos o patrocínio e fiquei sem time.
JC – E o que veio depois?
Previdello – Tive uma proposta para dirigir o adulto do Guarujá em uma estrutura bem inferior, fraca. Mas aceitei a proposta para crescimento profissional, eu montando o time, com pouca verba e desempenhar um trabalho que eu vinha fazendo em uma sequência boa. Saí de Araraquara e Casa Branca campeão. Fui tentar fazer um projeto no Guarujá. Só que a estrutura era muito ruim. Conseguimos os resultados possíveis. Fomos vice-campeões, no primeiro ano, do Novo Milênio, campeões regionais, terceiro nos Jogos Abertos. Só que a cada seis meses eu tinha que montar um time. Jogava o primeiro semestre o Novo Milênio com um time. Acabava o Paulista, era com outro. Fiquei dois anos e no primeiro semestre era um time e no segundo, outro. Realmente, em dois anos, quatro times é difícil ter sequência. Quando você arrumava um elenco competitivo, a equipe se dissolvia e tinha que fazer uma equipe nova. Dependia de prefeitura e a verba era pouca. Ficou muito difícil de trabalhar.
JC – Em montagem de equipe, você ganhou experiência de sobra...
Previdello – Ganhei experiência de dirigir equipe adulta, que foi importante, mesmo em um nível inferior, tanto de qualidade, estrutura e dinheiro. Foi uma experiência bastante válida para a carreira e futuro. Aí, eu recebi o convite do Guerrinha, que estava um pouco sobrecarregado aqui, acumulando todas as funções e acabei aceitando e, desde então, estou com o Guerrinha no adulto e tive uma oportunidade neste ano para montar o sub-17 em uma proposta nova, que não era de ganhar, ser campeão, mas sim formar jogadores para a equipe profissional.
JC – Mesmo sem este projeto visando prioritariamente título, os resultados foram contundentes em quadra e a equipe acabou vice-campeã paulista...
Previdello – O trabalho foi muito bem feito, foi dando certo, os garotos entenderam a nossa proposta, foram evoluindo durante o ano e até foi uma surpresa para mim e para os próprios jogadores, por terem vindo jogadores um de cada lado, montamos o time neste ano, com oito, nove meses de treino. A gente não esperava tão rápido uma colocação boa. Mas, independentemente da colocação, a ideia nossa é fazer jogador para o adulto.
JC – E este objetivo, foi atingido?
Previdello – Já tem alguns jogadores nos quais o Guerrinha está de olho, que já treinam sempre com o adulto. O Cadu, que é muito bom jogador, tem um arremesso bom, é atlético, um armador com boa qualidade técnica, bom passe. São meninos que a gente está trabalhando para não enfrentarem esta dificuldade quando completam 19 anos. Eu treino para fazerem o que precisam no adulto, para deixar mais fácil esta barreira de juvenil para adulto. Então, eles fazem exatamente o que o adulto faz, o que o Guerrinha quer. É um passo importante para o entendimento do jogador, entender como tem que ser a leitura dele, a parte física, investir em treinamento. Guardadas as proporções, já que eles não treinam dois períodos porque estudam, fazem academia todo dia igual ao adulto, têm um sistema tático bem parecido com o do adulto, tem agressividade, que é uma marca do nosso time, de defesa forte, contra-ataque, transição. Eles entenderam bem esta proposta e foi um ano de bastante sucesso. O objetivo maior não é conseguir o segundo lugar, é formar jogador para o adulto. Estamos satisfeitos porque alguns meninos já despertaram o interesse do Guerrinha. No próximo ano, vamos montar o sub-19 e o importante é a sequência. Estes meninos de 17 vão jogar 18 comigo, 19, o sub-22. Então, tem cinco anos comigo para preparar e a gente conseguir formar jogador para a equipe principal, que é o objetivo deste projeto.
JC – E o trabalho com o Guerrinha, vocês pensam basquete parecido, porque não tem como trabalhar bem se não for assim...
Previdello – Não tem. É bom que um completa o outro. O Guerrinha é um cara mais ativo em termos de cobrança, de treinamento, de horário, disciplina e você tem que ter o meio termo. Como ele cobra muito, a gente brinca que ele bate e eu assopro. Se ele bater e eu bater, fica muito difícil. Os jogadores não têm aquela válvula de escape, porque só apertar o tempo inteiro não dá certo. A gente tem a mesma linha e eu falo de uma outra maneira, explicando o porquê da dura. Eu passo muito tempo com os jogadores e vou explicando o motivo das cobranças, o que cada um tem que fazer e o que cada um tem que melhorar. Isso acaba dando resultado, cada um acaba atuando em uma área diferente e um completando a área do outro. Por isso que a gente tem sucesso.
