"Quando penso no futuro, não esqueço meu passado". Valho-me de Paulinho da Viola, para registrar que o marco zero deste passado glorioso ocorreu em 16 novembro de 1912, com o nascimento, aqui na região, da "mãe CPFL", fruto da união de quatro pequenas empresas de eletricidade, que atendiam Botucatu, São Manoel, Bocaina, Dois Córregos, Mineiro Tietê, Lençóis e Agudos. Generosa, a matriarca adotou outras áreas, como Bauru, cuja iluminação pública (IP) fora inaugurada em 1911.
A segunda geração nasceu após 15 anos, em 1927. A Força e Luz e várias concessionárias, foi vendida para a AMFORP - American & Foreign Power. A partir daí, com mais de mil concessionárias no País, duas estrangeiras eram protagonistas: a americana AMFORP e a canadense Light. À época, em nossa região, não existiam eletrodomésticos. O consumo restringia-se às lâmpadas em residências, comércio, cinemas e IP. As cobranças eram por lâmpadas, monitoradas por fusíveis. Com os americanos a região deu salto de qualidade nos aspectos: Técnico, com tecnologia e equipamentos, construiu e modernizou usinas, ampliou e interligou sistemas; e Comercial, passou a vender aparelhos importados (geladeira, fogões e ferro), em 36 meses, estimulando o consumo.
A terceira geração foi em 1964, com 52 anos. A Eletrobrás adquiriu as empresas da AMFORP, entre elas a CPFL, para pagar em 45 anos. A nacionalização ocorreu com Lei 4.428, do presidente Castello Branco. A quarta geração nasceu em 1975, com 63 anos. A já denominada CPFL Paulista foi transferida para a Cesp. A quinta geração nasceu em 1997. A matriarca, com 85 anos, servia 225 municípios, 2,4 milhões clientes, 6,5% do consumo elétrico do País, e melhor desempenho técnico. Na desestatização foi adquirida pela VBC Energia (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa) e vários Fundos Pensão.
Em 2002, com 90 anos, o mesmo grupo acionista constituiu a Holding CPFL Energia. Hoje, a centenária CPFL Paulista faz parte do grupo com 36 empresas que atendem a 18 milhões pessoas. Como "a mãe", a holding contribui para evolução econômica e social e com zelo especial ao meio ambiente e à gestão de pessoas. Retomando Paulinho da Viola, acrescento: "História é história, não dá para modificá-la e sim acrescentar a ela novos fatos". Também faço parte dessa história como executivo da Cia, em três décadas. Por ter sido gerente com 23 anos de idade tive o privilégio de ouvir aposentados que viveram os primórdios da empresa, entre eles Olynto Lopes e Renato Gadelha, que em 1991 cooperaram na montagem do museu regional e deposição da cápsula do tempo (única na cia), para ser aberta no centenário. Democraticamente, ingressei e evolui na Cia, por processos seletivos, inclusive quando gerenciei o maior distrito da época, em Campinas.
A entrevista final foi com o presidente, ex-reitor da Unicamp Rogério Cerqueira Leite, encerrada às 4h da madrugada de 25.04.86. Tal cargo habilitou-me a retornar à cidade natal para assumir a Regional Bauru, com 88 localidades, a convite do presidente Alfredo Almeida e do diretor Sérgio Pereira, empossados em 1987. Por tudo isso, concordo com a tese do diretor da CPFL Energia, Alfredo Bottone, descrita neste espaçoi em 10/12/12: "É possível aliar produtividade e felicidade no trabalho" .
O autor, Braz Melero, do Lions Bauru Centro, foi executivo da CPFL, do Gabinete da Prefeitura de Bauru e da Cohab