Caracas - A cúpula do chavismo fará na quinta-feira uma inusitada cerimônia de “não posse” do presidente Hugo Chávez.
Com insuficiência respiratória após cirurgia oncológica em Cuba, está praticamente descartado, ainda que não oficialmente, que Chávez viaje para a solenidade de posse marcada para 10 de janeiro. “Toda a Venezuela vai vir para cá, para a frente do palácio Miraflores (sede da Presidência). Todo o povo apoiando nosso presidente de maneira contundente. O povo nas ruas”, disse Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional.
Cabello disse ainda que “vários presidentes” da região e primeiros-ministros viajarão a Caracas para a celebração em “solidariedade” a Chávez. Na noite de quinta, anunciou, haverá um concerto da renomada Orquestra Juvenil Simón Bolívar. O Uruguai confirmou à agência AFP que o presidente José Mujica planeja ir à Venezuela.
A Constituição prevê que a posse deve ocorrer em 10 de janeiro, mas os governistas consideram que essa data é uma mera “formalidade”, enquanto setores da oposição reivindicam a realização de uma nova eleição caso Chávez não tenha condições de governar nessa data.“Aqui não há nada que configure um vazio de poder, e nada que dê esperanças (à oposição) de que Chávez irá embora em 10 de janeiro”, disse o deputado governista Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional.
Igreja
Ontem o presidente da Conferência Episcopal da Venezuela, Diego Padrón, fez a declaração mais contundente até agora sobre o tema.
Padrón chamou de “moralmente inaceitável” a proposta do governo.
“Não é propósito desta assembleia intervir publicamente na interpretação da Constituição, mas neste caso está em jogo o bem comum do país e a defesa da ética. Alterar a interpretação da Constituição para alcançar um objetivo político é moralmente inaceitável”, disse.
Brasil apoia adiamento
Brasília - O assessor especial da Presidência brasileira Marco Aurélio Garcia disse ontem que o Brasil apoia a tese chavista de que a posse do próximo mandato presidencial na Venezuela pode ser adiada em até seis meses. “Declarada a incapacidade do presidente, o presidente da Assembleia convocará eleições. Isso está previsto na Constituição. Se no dia 10 não for declarada a incapacidade, há um espaço de 90 dias prorrogáveis por mais 90 dias”, explicou. Garcia defende que o vice, Nicolás Maduro, pode permanecer no comando venezuelano por até 180 dias.