Internacional

Violência explode no Egito e deixa mortos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cairo -  Milhares de manifestantes com bandeiras do Egito, cartazes e máscaras foram ontem à Praça Tahrir, no Cairo, palco principal da revolução que pôs fim aos 30 anos da ditadura de Hosni Mubarak.

No aniversário de dois anos do início da revolta, eles voltaram à praça para protestar contra o atual governo do presidente Mohamed Mursi, islamita que venceu as primeiras eleições livres no Egito, pós-queda de Mubarak.

A jornada de protestos em todo o país deixou entre quatro e nove mortos na cidade de Suez, segundo as agências de notícias, e ao menos 370 feridos. Estima-se que 500 mil tenham ido às ruas. 

Críticos de Mursi o acusam de trair os ideais da revolução e tentar sub-repticiamente instalar uma nova ditadura, usurpando poderes que não lhe competem .

Na cidade de Ismailia, manifestantes saquearam e atearam fogo no escritório da Irmandade Muçulmana, força política pela qual Mursi se elegeu. No Cairo, manifestantes tentaram romper o arame farpado em volta de um prédio do governo e foram dispersados pela polícia, que lançou gás lacrimogêneo.

Na frente do palácio presidencial, a polícia também jogou gás contra manifestantes que tentaram romper um cordão de isolamento.


Doações

A Irmandade Muçulmana havia pedido que a revolução fosse celebrada com doações. Anteontem, Mursi fez discurso pelo aniversário do profeta Maomé e convocou os egípcios a comemorarem a data de “forma pacífica”.

Mais de 15 partidos opositores mobilizaram protestos pela cidade, com a praça como ponto de encontro final.

A Frente de Salvação Nacional, maior bloco oposicionista, exortou a que houvesse manifestações “em todas as Praças Tahrir do país”.

Além da suspeita de desprezo de Mursi pela consolidação da democracia no Egito, os manifestantes se queixam de inépcia no combate à pobreza e à corrupção.

A controversa Constituição aprovada às pressas em dezembro passado também é alvo de críticas. Opositores apontam manipulação dos legisladores da Irmandade Muçulmana, com a intenção de impedir as reformas estruturais que eram o anseio dos protagonistas da revolução.

“A Irmandade subiu ao poder, mas não mudou nada. Eles só querem se manter no poder, não têm compromisso com o social, com a economia. As pessoas estão frustradas”, disse Ali Sadat, 46 anos, vendedor de roupas.

A crise econômica também impulsiona a indignação no país. Em 2012 o Egito cresceu apenas 2% e registrou desemprego de 12,6%.

Além de gritar “Abaixo Mohamed Mursi”, os manifestantes que tomaram ontem o Cairo repetiam o mote que animou a revolução de dois anos atrás:  “Pão, liberdade e justiça social”.

O aniversário de 25 de janeiro exibiu a divisão entre os islamistas e seus inimigos seculares que está atrasando os esforços do presidente Mursi em reviver uma economia em crise e reverter uma queda na moeda egípcia atraindo de volta investidores e turistas.

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