Bairros

Casas são ameaçadas por erosões

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

“Já perdi a conta de quantas bananeiras já se foram”, relata a dona de casa Margarida Maria dos Santos, 65 anos, diante de uma erosão que começou a engolir o seu quintal, há cerca de um ano. Dali até o fundo do enorme buraco, são cerca de dez metros de altura, mas a cratera se abre e se aprofunda no meio da mata, em direção ao Sambódromo.

A dona de casa mora no Jardim Marambá há cerca de cinco anos e nunca tinha visto nada parecido. No outro extremo da cidade, o problema se repete com moradores do Condomínio Residencial Pinheiros, na Vila Industrial, e em outras regiões baixas da cidade, onde o solo arenoso acaba não resistindo à ação das chuvas.

Margarida, por enquanto, perdeu apenas pés de banana. Mas, a cada chuva, a erosão avança sobre seu quintal de terra. A distância até a casa onde ela vive com o marido e três filhos é de apenas 15 metros.

“No Natal, recebi os netos, todos pequenos, e fiquei morrendo de medo de um deles cair no buraco. Não podia tirar o olho deles”, relembra a moradora, que não pode colocar cerca no entorno do quintal, já que perderia a proteção em poucos dias, quando houvesse um novo desbarrancamento.

Mas a aflição, ela espera, pode estar com os dias contados. Há algumas semanas, a prefeitura iniciou o aterramento do local. Máquinas trabalham para cobrir a erosão com entulho e, assim, conter a evolução do problema.

Márcio Lopes, operador da pá carregadeira que lança os restos de construção na cratera, acredita que a obra levará vários meses para ser concluída. “A ideia é aterrar esse buraco inteiro porque, lá para frente, será construída uma avenida (a avenida Água Comprida, que acompanha o curso do córrego de mesmo nome)”, comenta.

Segundo o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, o serviço está sendo realizado em parceria com as Secretarias das Administrações Regionais (Sear) e do Meio Ambiente (Semma). “É uma região que ficou muito tempo sem pavimentação e foi erodindo ao longo dos anos. Agora, além do entulhamento, faremos a recomposição da tubulação naquele local”, frisa.

Dois metros

A cerca de dez quilômetros de distância do Jardim Marambá, problema semelhante aflige os moradores do Condomínio Residencial Pinheiros, conhecido como Pinheirinho, localizado na baixada da Vila Industrial. Ao todo, são 57 casas e ao menos seis delas estão ameaçadas por uma grande erosão, que se formou no terreno ao lado e por onde corre água da chuva e esgoto.

Em um dos imóveis, um trecho de terra de menos de dois metros de largura separa o muro dos fundos do início da cratera. “Há alguns meses, o muro dos fundos de uma casa foi embora com a chuva”, reclama a moradora Amanda Pereira Rodrigues, 28 anos.

Na opinião de outro morador, Agostinho Pereira da Silva, 54 anos, o problema poderia ser solucionado com a implantação de galeria para a devida canalização da água da chuva que recai sobre o bairro. “Quando chove, a rua (de asfalto) fica alagada. Por isso, a prefeitura abriu esse caminho improvisado no meio do terreno (ao lado do condomínio) para escoar a água. Mas, agora, virou uma erosão. Eles precisam dar um jeito nisso”, observa.

Proprietário de um conjunto de quadras esportivas que fica do outro lado do terreno, Milton Valderramas Melendes, 71 anos, também demonstra preocupação, já que o muro do complexo está a menos de três metros de distância da erosão. “Além do prejuízo para o nosso negócio, tem a rede de esgoto, que corre pertinho de onde está a erosão. Se chegar à rede, vai arrebentar tudo”, frisa.

Chácara Itália

Segundo o secretário Eliseu Areco Neto, a Vila Industrial, assim como o Jardim Marambá, deverão receber sistema de galerias da mesma forma como está sendo feito na região da Chácara Itália, localizada na rua Elisiário Franco, no Jardim Yolanda. O objetivo é transpor o Córrego Barreirinho por meio de canalização feita em células de concreto.

Pinheirinho

O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, frisa que a pasta já está implantando galerias na região da baixada da Vila Industrial. Para o trecho citado pelos moradores do Condomínio Residencial Pinheiros, no entanto, ainda não há previsão para início das obras.

“Precisaríamos de cerca de um quilometro de rede de célula de concreto. É uma distância longa e estamos fazendo um estudo preliminar para tentar viabilizar verbas, já que o orçamento disponível é insuficiente”, pondera. De qualquer maneira, Areco afirmou que a secretaria irá disponibilizar, em breve, equipes e maquinário para contenção da erosão ao lado do condomínio.

Éder Azevedo

As regiões baixas de Bauru são as mais atingidas pelo problema

 

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