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Cofres para poupar com estilo


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Símbolo da poupança doméstica, o antigo porquinho ganhou versões mais atraentes e se transformou numa febre entre crianças, adolescentes e até mesmo adultos. Tem paulistano que coleciona cofre, e que até estimula a todos da família a adquirir um modelo que tenha o estilo preferido.

Na casa da família Burrazzo todos têm um cofre. A matriarca do clã, Ana Mariana, 55 anos, guarda todas as moedas numa lata - feita para esse fim - que comprou em Londres. "Cabe R$200 em moeda. Cheguei a comprar uma roupa com esse dinheiro." A filha dela mais velha, a administradora Maria Luisa, de 30 anos, tem três cofres. E a neta, Lara Teixeira, ganhou um recentemente no formato de uma cabine telefônica britânica.

A princípio o que atrai é o design. Há modelos lúdicos, como um cachorro de fibra, que late a cada moeda depositada (R$ 99,90), inusitados, caso de uma máquina de caça-níqueis (R$ 119), e "práticos", como o pig bank, que vem com contador digital (R$ 42,90).

O adolescente Lipe de Araújo, de 15 anos, desde pequeno tem o hábito de guardar a mesada que recebe dos pais. Mas suas economias eram constantemente pilhadas pelos irmãos mais velhos, e até pela própria mãe- sempre que ela precisava de um "troquinho" para a padaria. Quando Lipe comprou o primeiro cofre - ele tem vários - , conseguiu de fato guardar seu dinheiro. O modelo que ele mais se orgulha é um com a forma de uma geladeira da Coca-Cola. O adolescente chegou a comprar uma TV de tela plana de LED com 42" com as moedas e notas dos cofres.

Para os educadores, a mania dos cofres é saudável, e pode ser uma boa ferramenta para ensinar as crianças o valor do dinheiro. "É muito importante aprender a poupar", diz Neide de Aquino Noffs, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). "Também é uma forma de ensinar o valor do dinheiro. Para isso, basta ajudar a criança a registrar num papel as entradas e saídas de dinheiro, como se fosse uma conta corrente."

Até os 8 anos, segundo a educadora, elas não sabem a diferença de valor entre algo que custe R$ 5 e R$ 50. "Faz parte da formação entender que para comprar alguma coisa é fundamental ter em mãos o dinheiro necessário."

?Educação financeira para crianças

Ensinar para os filhos o valor das coisas é responsabilidade dos pais, mas se lidar com dinheiro é complicado para adultos, passar esse conhecimento para crianças é uma tarefa bem mais delicada. De acordo com a especialista em educação financeira infantil, Cássia D?Aquino, o momento certo de começar a ensinar a criança a lidar com as finanças é anunciado pela própria, na primeira vez que pede aos pais para lhe comprarem alguma coisa. Isso costuma acontecer por volta dos dois anos e meio, e nesta hora, o pequeno mostra que já percebeu o que é dinheiro, e que o dinheiro "compra" as coisas que ele pode vir a querer.
Para Cássia, a melhor base para uma educação financeira eficiente é aquela transmitida por meio de atitudes simples, na rotina do relacionamento entre pais e filhos. Assim que a criança manifestar uma noção básica em relação a dinheiro, os pais já podem, de maneira gradual, adotar uma postura educativa.

?No começo

Quando as crianças ainda são pequenas, na faixa dos 3 anos, os pais precisam explicar, de maneira muito tênue, que existem coisas que compramos porque "precisamos", e coisas que compramos porque "queremos". Ao levar o filho a um supermercado ou padaria, um despretensioso comentário sobre "como a bolacha está mais cara" ou o "leite está mais barato" também pode ajudar. A princípio a criança não vai entender, mas vai começar a prestar atenção no significado, e mais para frente vai entender que o uso do dinheiro exige racionalidade.

?Semanada e mesada

Apesar de ser um excelente método de educação financeira, os pais que decidem dar mesada devem saber que essa tarefa dá trabalho. Exige o cumprimento de regras e prazos, além de muito sangue-frio. O objetivo é que a criança consiga distribuir seu dinheiro dentro de um determinado período de tempo, controlando quando e com o que vai gastar. A mesada não pode ser instrumento de premiação por boas notas, status ante os coleguinhas, e muito menos castigo, quando os pais decidem punir a criança suspendendo a entrega por um tempo.

?Valores

Quando a criança tem entre 6 e 10 anos, Cássia D?Aquino aconselha que seja dada a semanada, para controlar melhor o dinheiro, e também o impulso de gastar. Neste primeiro momento, a especialista sugere que a criança ganhe R$ 1,00 por ano de vida, por semana.

?Poupança

A poupança é outro benefício que a instituição da mesada traz para a educação financeira dos pequenos. Ela estimula a criança a encontrar objetivos para esse dinheiro, e ainda ensina como suportar a espera. Até os 5 anos, eles podem fazer "micropoupanças", juntando dinheiro por algumas semanas para comprar um brinquedo barato ou qualquer coisa de baixo valor.
Quando estão um pouco mais velhos, depois dos 11 anos, os pais podem incentivar a poupança de uma parte da mesada por mês. O mais importante é o estímulo à capacidade de esperar, e à possibilidade de fazer escolhas com o dinheiro guardado.

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